Aos 24 anos, João Liberato carrega não apenas um dos sobrenomes mais conhecidos da televisão brasileira, mas também o desafio de encontrar seu próprio lugar diante de um legado que marcou gerações. Filho de Gugu Liberato (1959-2019), ele segue os passos do pai na TV e se vê em um momento decisivo e de transformações. Após passar anos radicado nos EUA, ele voltou definitivamente para o Brasil, encara o desafio de morar sozinho — na casa que era de seu pai, em Alphaville, na Grande SP —, assume sua parte no patrimônio e ainda se prepara para estrear o quadro Filhos de Quem?, no Domingo Espetacular, da RecordTV. “É uma marca de independência, de querer realmente andar para a frente e tomar posse das coisas que são minhas. Isso faz parte da maturidade e da evolução como ser humano”, diz ele, que recebeu CARAS com exclusividade em seu refúgio. O espaço, aliás, tem passado por uma reforma, tudo sob supervisão de João. “Gosto de manter a casa como meu pai deixou, mas também é importante tomar posse das coisas e estou preparado para isso, para essa mudança”, emenda ele.
– O que pode contar de seu novo quadro?
– É o segundo projeto que faço na Record. O Filhos de Quem? é um quadro de histórias e entrevistas com filhos de famosos e seus pais.
– Como é comandar um quadro sobre filhos de famosos, já que você é um deles?
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– Tenho coisas em comum com os filhos que entrevisto e, às vezes, a emoção fica forte. Bate aquele sentimento: ‘Queria que meu pai estivesse aqui também. Olha que legal o pai dando suporte ao filho que segue uma carreira’.
– Ou seja, você precisa de uma preparação técnica e emocional para gravar!
– Esse quadro tem muito a ver com emoção, com legado, com amor pelos pais. Então, é preciso ter maturidade emocional para fazer tudo isso. As perguntas que faço são coisas que também tenho curiosidade de saber.
– Antes desse quadro, você participou do reality João Liberato: Em Busca de um Sonho. Se sente mais preparado agora?
– A prática ajuda muito. Gosto de dizer que esse primeiro projeto foi praticamente uma faculdade para mim. Foi ali que realmente comecei a pegar a prática da televisão e da comunicação, a estar na frente das câmeras. A TV sempre fez parte da minha vida, mas o reality me trouxe a tranquilidade e o controle que hoje tenho nas gravações. Não tenho mais aquele medo, o coração batendo, aquela insegurança. A prática realmente me ajudou a ficar mais solto.
– Busca referências em seu pai?
– Acho que sou parecido com ele de diversas maneiras, mas também tenho o meu lado, o lado João, o meu jeito de apresentar, de me comunicar, de fazer perguntas, de responder. Tenho minha própria identidade. Assisto aos vídeos dele e observo o jeito como abordava as pessoas, a curiosidade que tinha em querer saber determinados assuntos… Aprendo muito, mas tenho o meu próprio jeito de apresentar.
– E como lida com as comparações?
– Sentia isso mais no começo, antes mesmo de ser contratado pela Record. As pessoas criticavam e eu até ouvia comentários do tipo: ‘Ah, esse aqui nunca vai ser igual ao Gugu’. Hoje, as pessoas estão começando a entender que sou diferente, mas que herdei muitas coisas do meu pai e que sempre estou disposto a aprender. Não tenho medo de errar, tem que errar para aprender.
– Antes, ficava chateado?
– Sou uma pessoa que lê muito. Gosto de saber o que as pessoas acham do meu trabalho. No começo, havia muitas críticas, e isso me abalava um pouco. Cheguei a comentar com pessoas da minha família: ‘Será que é isso mesmo? Será que as pessoas estão gostando?’. Mas, aos poucos, entenderam que eu não era uma pessoa que queria se tornar um profissional de TV apenas porque é filho do Gugu Liberato.
– Esse processo te trouxe maturidade?
– Com certeza. Trouxe maturidade. Aprendi a encarar as críticas e a usá-las para melhorar. Também aprendi a dar menos importância às críticas que considero não construtivas.
– Hoje, se imagina fazendo outra coisa?
– Já estamos até pensando no próximo quadro! A cada gravação que faço, parece que é um novo João. Sinto essa evolução e uma confiança maior no meu trabalho e em mim mesmo. Quero continuar na televisão.
– Você pode dar algum spoiler sobre seus novos projetos?
– Não consigo dar um spoiler, até porque tenho muitas ideias. São ideias meio loucas, diferentes, mas posso dizer que quero começar um canal no YouTube com uma proposta divertida, trazendo curiosidades para o público.
– E agora está morando de vez no Brasil…
– Passei 11 anos da minha vida em Orlando. Minha mãe mora lá, minhas irmãs moram lá e tenho amigos lá. Então, sempre que tenho oportunidade, vou para lá e passo um tempinho com eles, mas estou definitivamente em São Paulo. Foi uma decisão que precisei tomar para começar essa carreira artística no Brasil.
– Como foi esse processo de mudança? Sente-se mais independente?
– Estou morando sozinho. Moro na casa onde meu pai morava e me adaptei bem. No começo, foi difícil porque tinha toda a minha vida em Orlando. Mas, se eu realmente quisesse começar uma carreira artística, precisava tomar essa decisão. No início, não tinha muitos amigos aqui, mas fui me adaptando e conhecendo pessoas novas. Hoje, adoro São Paulo. Adoro morar aqui. Aprendi que São Paulo é uma cidade maravilhosa, cheia de cultura, com muita coisa para fazer e muitas oportunidades.
– Houve algum tipo de estranhamento?
– Acho que o caos de São Paulo, aquela loucura. Às vezes, pegava trânsito e levava quase duas horas para voltar para casa. Em Orlando, não tinha isso. Foi uma das coisas que mais me afetaram no começo.
– Morar sozinho, ter independência e precisar se virar também traz mais maturidade!
– Nos EUA, nunca morei realmente sozinho, só cheguei a morar com uma namorada que tive lá. Acho que isso traz maturidade. Você precisa aprender a gostar de ficar sozinho, e isso é difícil para mim porque sou uma pessoa que gosta de ter gente por perto, gosto da energia das pessoas, de conversar, de amigos, de família. Foi um recomeço.
– Além da TV, você cuida de negócios e de parte do patrimônio deixado pelo seu pai. Como faz para dar conta de tudo?
– Realmente é muita coisa. Eu tenho pessoas ao meu redor que me ajudam, mas é difícil. Tem a TV, os imóveis e ainda preciso pensar em como expandir o patrimônio que meu pai me deixou. Às vezes, penso: ‘Será que foco na TV? Será que foco nos imóveis?’.
– São muitas demandas… ainda assim dá para pensar no coração? Está namorando?
– Ainda não! Estou em uma fase que, se eu for namorar, quero namorar a pessoa certa, alguém que tenha valores que combinem com os meus. Quero uma pessoa que acredite na minha vida e nos meus projetos. Lógico que não dá para ser exigente a ponto de querer a pessoa perfeita, isso não existe, mas quero me relacionar com uma pessoa de bom coração. A grande questão é que ela goste de mim de verdade, não pelas coisas que herdei. Vai chegar a hora.
– Você sonha em casar, ter filhos e construir uma família?
– Tenho vontade, mas mais para a frente. Quero construir minhas próprias coisas, expandir meu patrimônio, estar cada vez mais na TV e realizar projetos no YouTube. Se tivesse filhos, não conseguiria focar em tudo isso. Tenho responsabilidades. Filhos e família são responsabilidades ainda maiores! Quero criar meus projetos, construir um nome de importância na TV brasileira. E, um dia, quero ter minha família e mostrar aos meus filhos tudo o que eu consegui construir. Quero ser um exemplo para eles. Que possam olhar e pensar: ‘Nosso avô foi uma pessoa especial para o Brasil, mas nosso pai também construiu muitas coisas. Ele não recebeu e ficou parado. Ele deu prosseguimento e construiu a própria história’.
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