Após fazer uma participação no remake global de Renascer, Julia Lemos (25) vive sua primeira experiência em uma novela do início ao fim. No ar na TV Globo como Ana Maria, de A Nobreza do Amor, a atriz tem em mãos um papel que é um prato cheio para qualquer ator. Tratada como o patinho feio, a personagem sofre com baixa autoestima e repressão familiar. “É uma história importante para ser contada, principalmente para as meninas mais novas que estão passando por problemas de autoestima, para que elas entendam o seu valor e quem elas são no mundo. Que compreendam que, talvez, isso seja resultado de um ambiente familiar ou de um relacionamento que as coloca para baixo e que isso não é certo, nunca será”, defende.

Relação conturbada
Na trama, a personagem tem a mãe, interpretada por Fabiana Karla (50), humilhando-a e diminuindo-a constantemente. “É uma violência verbal constante que ela sofre e que faz com que ela nunca tenha entendido que é uma pessoa passível de receber amor, carinho, que é bonita, interessante. A gente faz uma novela que se passa na década de 1920, mas essas relações abusivas continuam existindo”, lamenta.

Mãe amorosa
Na vida real, a pernambucana sempre teve a mãe, Cristina, impulsionando-a. “Ela é um anjo que sempre fez questão de nos colocar para cima, de valorizar as nossas qualidades, de falar bem da gente dentro e fora de casa. E isso teve um impacto. Vou me percebendo uma adulta confiante, que tem consciência do seu valor como pessoa e como mulher. Sou um reflexo desse amor que recebo até hoje”, diz.

Autoestima
Vaidosa, Julia diz que sempre gostou de moda, maquiagem e cabelo, mas que sua autoestima não está ligada apenas a isso. “Por consequência da minha criação, sempre entendi a autoestima como um misto de elementos intelectuais, pessoais e estéticos. Sempre a enxerguei como um reflexo do que consumo, da arte que gosto, dos livros que leio, da maneira como trato as pessoas, da forma como ajo e, sim, também um pouco da estética”, avalia.
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Representatividade
Orgulhosa das raízes, a artista se diz feliz por atuar ao lado da conterrânea, a quem sempre teve como referência. “Cresci assistindo à Fabiana. Ela foi uma das primeiras atrizes pernambucanas que vi na TV e que me fez entender que isso era possível, que a televisão também comportava pessoas de fora do eixo Rio-São Paulo”, conta a atriz, celebrando a abertura que o mercado tem dado aos atores nordestinos. “Espero que, cada vez mais, o mercado consiga enxergar atores nordestinos como profissionais capazes de interpretar qualquer papel, inclusive personagens que não sejam nordestinos. Fico feliz de fazer parte desse momento do audiovisual e espero que isso seja uma crescente”, torce.

Mudança de vida
Julia se encantou pelo teatro e pela música ainda criança, mas, por morar em Pernambuco, não acreditava ser possível seguir a carreira artística e decidiu cursar Direito. “Eu não conseguia enxergar esse sonho como algo viável. Era algo que passava pela minha cabeça, mas eu não conseguia nem admitir para mim mesma que essa era a carreira que queria seguir”, recorda ela, que acabou trocando de curso quando percebeu que não estava feliz.
Hoje, sente-se realizada ao ver que as coisas têm dado certo. “É uma carreira dura, há tanta gente talentosa disponível. Então, por mais esforço que eu saiba que fiz, acho que sempre existe, sim, um componente de sorte. Eu me sinto muito sortuda por poder viver do meu trabalho como artista. Sei que isso é raro, que é um privilégio. Fico feliz de ver que esse sonho é possível e animada para o que ainda virá, para as coisas que o universo prepara e por todas essas coisas que me esperam. Sei que é só o começo”, acredita ela.
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