Os ventos têm soprado a favor de Thomás Aquino (40). No ar com a novela global das 7, Coração Acelerado, e no elenco de Guerreiros do Sol, produção do Globoplay exibida na TV Globo até o último mês de junho, ele celebra a conquista de espaços que não imaginava atingir. O caminho até aqui, no entanto, não foi fácil e exigiu uma dose extra de esforço e dedicação.
Antes de conseguir realizar o sonho de se tornar ator, Thomás precisou se dividir em diferentes frentes de trabalho para pagar as contas e os estudos do curso de Jornalismo. Determinado em construir sua história, ele chegou a ser papai noel de um shopping, malabarista e até figurante, tudo para conseguir se bancar. “Sempre quis ser ator, esse sempre foi meu plano A e precisava sustentá-lo a todo custo. Eu sou muito feliz de ter batalhado e ganhado o meu pão de cada dia fazendo esses ofícios, tudo para alcançar meu objetivo”, falou ele, orgulhoso da própria jornada.

Apesar de os trabalhos serem apenas ‘escadas’ para um sonho maior, Thomás fez questão de dar valor a cada um deles. “Sempre penso que trabalho é trabalho. Eu valorizei cada minuto de coisas boas e ruins que vivi fazendo o plano B, porque me via vivendo o meu verdadeiro plano de vida. E eu só consegui fazer malabares, pirofagia e outras coisas circenses por conta do circo, arte que aprendi durante a preparação da minha primeira peça, O Grande Circo Místico. Então, tudo na arte é vida. Tem que valorizar”, fala o pernambucano.
E por falar em sua primeira peça, foi ali que o artista teve a certeza de que seu futuro estava nas artes — sua estreia nos palcos foi em 2006, quando tinha 20 anos. Ao receber os aplausos do público, ele ficou hipnotizado com aquela sensação e percebeu que queria vivenciar a experiência outras vezes. “Até então eu não tinha entendido o que era ser ator. Eu passei no primeiro teste que fiz e comecei a fazer O Grande Circo Místico, em Recife. Foram três meses de preparação. Aquilo ali me tomava de um jeito bom, lindo, leve e interessante! E no primeiro dia de peça, na minha primeira vez no palco, depois dos aplausos, senti que era aquilo que eu gostaria de fazer pelo resto da minha vida. Foi quando decidir ser ator e começar a estudar”, relembrou ele.
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Apesar de os aplausos terem iluminado o seu caminho rumo às artes, em 2013, Thomás começou a repensar sua jornada e chegou a cogitar deixar a carreira de lado. O motivo, como acontece com muitos atores e atrizes, foi a falta de retorno financeiro. A questão começou a pesar em suas escolhas, mas a paixão pelo ofício falou mais alto. “Eu já tinha feito peças, ganhado prêmios de Melhor Ator em festivais e até estava mais conhecido em Recife pelos meus trabalhos. Também tinha um grupo de teatro e, ao mesmo tempo, fazia pesquisa para aprimorar técnicas e saberes do ator. Estava tudo perfeito, porém, o financeiro ainda era o problema”, disse ele, cujos trabalhos em paralelo já não se mostravam suficientes para pagar as contas.
“Como me sustentar, criar uma família ou comprar uma casa, enfim, viver de arte? Tive a ideia de lecionar, mas pensava que não tinha bagagem suficiente, ficava em dúvida. Até que surgiu um teste para fazer o musical Ópera do Malandro, de João Falcão, no Rio de Janeiro. Eu tinha acabado de ir à França visitar minha irmã, mas voltei”, contou ele. Sem pensar duas vezes, Thomás pegou sua mala, voltou para o Brasil e fez o teste. Para sua alegria, foi aprovado e aquela oportunidade o colocou de uma vez por todas nos trilhos das artes, de onde nunca mais saiu. “E mais uma vez fui determinado, passei no teste e comecei a vida fora de Recife. Depois, ainda sofri alguns desgostos, umas porradas da vida, mas nunca desisti. O importante é que hoje estou aqui na caminhada, estou feliz por não ter desistido”, comemora ele.

A partir dali, tudo deslanchou. Em 2019, ele ganhou projeção nacional e internacional ao atuar no longa Bacurau, do diretor Kleber Mendonça Filho (57), que foi aclamado durante o Festival de Cannes, da França. Sua saga pela sétima arte também incluiu a atuação em O Agente Secreto, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional deste ano. “Foi uma correria fazer O Agente Secreto, com poucos dias para ler o roteiro. Gravei em dois dias e fui embora. Fiquei muito feliz com o filme, com a repercussão e com essa história de Recife”, chegou a dizer.
A presença no streaming também é destaque, em que Thomás tem emendado um trabalho atrás do outro. Em seu currículo, ele acumula sucessos como Vidas Bandidas, Os Outros e 3%. Já a chegada à TV aberta aconteceu em 2025, quando deu vida a Mário Sérgio no remake global de Vale Tudo. Diante de tantas conquistas, ele não pensa em desacelerar e quer ir além, expandindo seu trabalho para outros formatos e até mesmo para fora do Brasil. “Desejo realizar mais coisas, além de fazer filmes e séries no exterior”, avisou ele.

E se a vida profissional está permeada de boas notícias, na pessoal, o cenário não é diferente. Solteiro e sem filhos, o ator conta que aproveita a atual fase para exercitar o autoconhecimento. “Eu acho, inclusive, que antes de qualquer homem se relacionar com alguém, o importante é se conhecer muito bem, pois assim a propriedade de si ajuda a abrir o olhar para as questões sobre o machismo e como o mundo em que nós vivemos tem influência pesada nesse assunto”, refletiu.
E estar solteiro não significa estar com o coração fechado! Hoje, por exemplo, temas como casamento e filhos não estão em
seu horizonte, mas o ator se mostra aberto ao destino. “Não sei bem o que dizer agora. Claro que já imaginei como seria ter uma xerox de mim ou adotar uma criança. Penso que a vida é um fluxo, esses momentos chegam. Se chegar a ser o meu, quem sabe”, explica o artista.


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