Em uma especialidade em que decisões precisam ser tomadas com rapidez e alto grau de responsabilidade, Valdivino José Vieira Jr. constrói sua trajetória sem dissociar técnica e presença humana. Neurocirurgião com atuação em Goiânia (SP), ele se dedica à neurocirurgia geral, com atenção especial a casos vasculares, oncológicos e de coluna. Nesse percurso, o domínio técnico é apenas uma parte do trabalho. A outra, menos visível, mas igualmente decisiva, está na forma como acolhe pacientes e famílias quando o medo, a dor e a incerteza passam a ocupar o centro da vida.

Nascido em Goiânia, Valdivino cresceu em uma família numerosa e unida. O desejo pela medicina surgiu ainda na infância e se fortaleceu a partir de uma relação natural com os estudos, que ele descreve como algo espontâneo desde cedo. Muito jovem, ingressou na faculdade e iniciou um caminho marcado por disciplina e responsabilidade, características que mais tarde encontrariam sintonia com a especialidade escolhida.

Uma etapa importante de sua formação aconteceu no Rio de Janeiro. Ao final da graduação, passou pela Santa Casa e, posteriormente, realizou residência e pós-graduação em neurocirurgia. A experiência aprofundou sua base técnica e ampliou sua percepção sobre o peso das decisões na especialidade.

“Hoje, a neurocirurgia não tem como ser exercida de outra forma. É preciso conduzi-la de maneira multidisciplinar, com tranquilidade, serenidade, rapidez de raciocínio e muita concentração, porque, muitas vezes, tomamos decisões difíceis pelo paciente e pela família”, explica.

Formação, origem e a prática que ganha corpo

Após esse período, Valdivino seguiu para Araguaína, no Tocantins, onde viveu sua primeira experiência profissional. Em uma realidade com menos recursos técnicos, encontrou um cotidiano exigente, que ampliou sua capacidade de adaptação e fortaleceu seu senso de responsabilidade.

Mais tarde, retornou a Goiás, onde iniciou uma longa trajetória em hospitais da região. Entre eles, o Hospital São Silvestre, em Aparecida de Goiânia, onde atua há mais de três décadas. Atualmente, também mantém consultório no Instituto Raja Venkata, em Goiânia.

Ao falar sobre a própria carreira, no entanto, ele não centraliza sua narrativa em números ou feitos. O ponto ao qual retorna com frequência é a forma como o paciente chega até ele, quase sempre atravessado por medo, dor ou por um acontecimento súbito que transforma completamente a rotina da família.

Nesse contexto, a clareza na comunicação ocupa um papel central. Em muitos casos, o paciente não está em condição de compreender plenamente o quadro clínico ou de participar das decisões. Cabe à família absorver as informações e sustentar escolhas difíceis em pouco tempo.

“Procuro ser o mais claro possível, principalmente com a família. Explico todas as possibilidades de tratamento, as consequências, as vantagens e as desvantagens. E busco sempre decidir em conjunto, não impondo nenhum tipo de tratamento”, afirma.

Essa postura revela um entendimento de humanização que se traduz na prática: explicações quantas vezes forem necessárias, linguagem acessível e a recusa em transformar a decisão médica em um ato unilateral. Em uma especialidade que lida com traumas cranianos, tumores, aneurismas e internações em UTI, ele reconhece que o sofrimento vai além do físico, muitas vezes começa na dificuldade de compreender o que está acontecendo.

O que a neurocirurgia ensina sobre confiança

Ao longo dos anos, Valdivino também acompanhou mudanças importantes no ambiente hospitalar. As UTIs, antes marcadas por uma lógica mais distante, passaram a incorporar de forma mais consistente a presença da família e uma atenção maior ao conforto possível do paciente.

Para ele, essa transformação não é secundária. Ela altera a experiência da internação e reduz a sensação de isolamento em momentos de extrema fragilidade.

Essa dimensão do vínculo se revela, inclusive, em gestos simples. Entre as lembranças que guarda da profissão, está o desenho recebido de uma criança após uma cirurgia. Um gesto espontâneo que, fora do centro cirúrgico, traduz a confiança construída em contextos de grande vulnerabilidade.

A partir dessa experiência, ele expõe uma convicção constante em sua trajetória: a confiança não é acessória, mas parte do tratamento. Para o neurocirurgião, o paciente precisa reconhecer segurança não apenas na conduta proposta, mas também na forma como é conduzido ao longo de todo o processo.

Entre tecnologia, equipe e o desejo de ensinar

Com décadas de atuação, Valdivino atravessou momentos importantes da evolução tecnológica na neurocirurgia. Ele acompanhou desde uma fase em que a tomografia ainda dava seus primeiros passos até a incorporação de recursos que transformaram o planejamento cirúrgico e a recuperação dos pacientes.

Ferramentas como neuronavegação, monitorização neurofisiológica intraoperatória e aspirador ultrassônico passaram a integrar uma rotina em que a precisão se tornou cada vez mais refinada.

“A tecnologia impacta bastante, para melhor. Hoje temos recursos que ajudam a localizar estruturas, monitorar funções neurológicas durante a cirurgia e tornar o procedimento mais eficiente. Mas nada disso elimina a necessidade de uma decisão cuidadosa”, pontua.

Esse olhar também se estende ao trabalho em equipe. Se, no passado, o exercício da especialidade era mais solitário, hoje ele enfatiza a importância de uma atuação multidisciplinar, envolvendo anestesia, radiologia, terapia intensiva, monitorização e enfermagem.

Em sua visão, bons resultados dependem não apenas da técnica, mas do comprometimento coletivo com o bem-estar do paciente ao longo de toda a jornada hospitalar.

A experiência que se transforma em legado

No horizonte, esse entendimento ganha forma em um projeto concreto: a implantação de um serviço de residência médica em neurocirurgia no Hospital São Silvestre. O objetivo é compartilhar a experiência acumulada ao longo dos anos e contribuir para a formação de novos profissionais.

“A técnica é fundamental e pode ser ensinada de diversas formas. Mas o cuidado humanizado se aprende, sobretudo, pelo exemplo, na maneira como o médico escuta, orienta e permanece ao lado do paciente e da família nos momentos mais difíceis. É essa confiança construída ao longo do caminho que, muitas vezes, também sustenta o tratamento”, conclui.

CRM: 5759/GO | RQE Nº: 2090 | RQE Nº: 2091

Instagram: @dr.valdivinojosevieira

 

Desenho dado por Hélio a Valdivino José Vieira Jr. após o procedimento. Pai e filho, ambos pacientes do neurocirurgião, foram operados por ele

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