Antes de qualquer exame ou prescrição, Suzana Lessa costuma fazer uma pergunta que direciona toda a consulta: como essa mulher está vivendo? É a partir dessa escuta que a médica, com atuação em ginecologia e nutrologia, constrói um atendimento voltado à saúde feminina, ao equilíbrio hormonal, ao emagrecimento e à medicina do estilo de vida. Para ela, sintomas como cansaço persistente, baixa libido, dificuldade para emagrecer, alterações no sono ou a sensação de não reconhecer o próprio corpo não devem ser analisados de forma isolada, mas dentro do contexto de cada paciente.

Formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Salgado Filho, ambos no Rio de Janeiro, Suzana ampliou sua formação em áreas como nutrologia, prática ortomolecular, endocrinologia e medicina do estilo de vida. Entre os aperfeiçoamentos está um curso em medicina do estilo de vida em Harvard, experiência que reforçou sua convicção de que prevenção e hábitos saudáveis caminham ao lado do tratamento médico.

“A medicina precisa olhar para a pessoa como um todo. Eu queria oferecer às pacientes mais do que tratamento para sintomas; queria ajudá-las a conquistar mais energia, qualidade de vida e saúde de forma consistente”, afirma.

Uma trajetória construída pelo cuidado

A medicina faz parte da história de Suzana desde a infância. Filha de uma técnica de enfermagem que trabalhava em maternidade, cresceu próxima ao ambiente hospitalar e desenvolveu cedo interesse pela área da saúde.

Na adolescência, passou a adotar hábitos ligados à atividade física e à alimentação equilibrada, experiência que, anos depois, influenciou sua forma de exercer a profissão.

Durante a residência, manteve esse estilo de vida mesmo diante da rotina intensa dos plantões e começou a refletir sobre a necessidade de ampliar o olhar para além do tratamento das doenças.

Foi essa inquietação que a levou a buscar formações complementares voltadas ao metabolismo, à nutrição e à medicina preventiva.

O corpo fala, e a consulta precisa ouvir

Grande parte das mulheres atendidas por Suzana chega ao consultório relatando fadiga, alterações no sono, queda da libido, dificuldade para controlar o peso ou mudanças que passaram a impactar a autoestima e a qualidade de vida.

Segundo a médica, muitas pacientes passaram anos priorizando trabalho, filhos e outras responsabilidades antes de perceberem que também precisavam cuidar de si.

“Muitas mulheres vivem no automático durante anos. Elas cuidam de todos ao redor e acabam deixando de perceber os próprios sinais. O cuidado começa quando essa mulher volta a olhar para si mesma”, destaca.

Para compreender essas queixas, Suzana avalia fatores como alimentação, composição corporal, rotina, qualidade do sono, funcionamento intestinal, histórico hormonal e exames laboratoriais. O objetivo é identificar o que está por trás dos sintomas e construir um plano individualizado.

Estilo de vida como parte do tratamento

Na prática da médica, a medicina do estilo de vida vai muito além de orientações genéricas sobre alimentação e atividade física. Ela envolve hábitos sustentáveis, sono adequado, controle do estresse, movimento, saúde emocional e pequenas mudanças capazes de gerar impacto ao longo do tempo.

Suzana defende que a transformação não acontece por grandes rupturas, mas pela construção de uma rotina possível.

“Um hábito saudável costuma estimular outro. Não é preciso esperar o momento perfeito para começar. Pequenas escolhas consistentes fazem diferença na saúde ao longo do tempo”, explica.

Essa visão também orienta os tratamentos voltados ao emagrecimento. Para ela, a perda de peso deve ser acompanhada de indicadores como preservação da massa muscular, melhora da disposição, qualidade do sono e equilíbrio metabólico.

Hormônios exigem avaliação individualizada

Como ginecologista, Suzana acompanha mulheres em diferentes fases da vida e observa que alterações hormonais podem surgir de forma gradual, especialmente a partir dos 35 ou 40 anos.

Mudanças no ciclo menstrual, irritabilidade, dificuldade para emagrecer, redução da libido e piora do sono podem estar relacionadas à transição para a menopausa, mas também podem ter outras causas clínicas.

“Não existe uma única resposta para todas as mulheres. Os hormônios mudam ao longo da vida e cada paciente vive esse processo de forma diferente. Por isso, a avaliação precisa ser individualizada”, ressalta.

A médica também reforça que a reposição hormonal deve ser indicada apenas após avaliação criteriosa, considerando sintomas, histórico de saúde, fatores de risco e exames.

Tecnologia como aliada da prevenção

Entre os recursos utilizados no acompanhamento estão exames como bioimpedância, calorimetria, testes de capacidade física e scanner corporal, ferramentas que ajudam a acompanhar a evolução clínica e a composição corporal.

Para Suzana, no entanto, nenhuma tecnologia substitui a conversa com a paciente.

“O exame fornece informações importantes, mas é durante a consulta que entendemos a realidade daquela mulher. A tecnologia precisa complementar a escuta, nunca substituí-la”, afirma.

Ela também defende o trabalho integrado com nutricionistas e outros profissionais da saúde para tornar o tratamento mais completo e facilitar a adesão às mudanças de hábitos.

Cuidado que ultrapassa o consultório

Além da prática clínica, Suzana acredita que a medicina faz parte da vida cotidiana. Em casa, leva para a família os mesmos princípios que orientam sua atuação profissional, incentivando hábitos saudáveis e prevenção desde cedo.

Para o futuro, pretende ampliar iniciativas voltadas à educação em saúde, promovendo encontros presenciais para discutir temas como autocuidado, comportamento, alimentação, saúde hormonal e qualidade de vida.

“A mulher precisa entender que também merece cuidado. Quando ela passa a olhar para si com mais atenção, isso transforma não apenas a própria saúde, mas também a forma como cuida das pessoas ao seu redor”, conclui.

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