Ele faz parte da história da TV brasileira há tanto tempo que é difícil encontrar alguém que já não tenha visto Sérgio Malheiros (33) na pele de algum personagem. Protagonista de Amor da Minha Vida, que chega à sua segunda temporada no Disney+, ele ainda será visto nas telonas em Racismo e os Camisas Negras, que estreia em novembro. Em papo com CARAS, Sérgio reflete sobre seu ofício e o novo desafio nas telinhas.
– Como é dividir o protagonismo com a Bruna Marquezine na série? Como é a troca de vocês em frente e por trás das câmeras?
– Dividir o protagonismo com a Bruna é uma grande honra porque somos amigos há muito tempo, nós trabalhamos juntos desde criança, praticamente começamos juntos na TV. Para além desse reencontro, é muito bom estar com uma atriz que, além de ser uma superatriz e uma profissional incrível, é muito generosa e está sempre pensando no bem da cena, em como podemos melhorar. Está sempre aberta a ouvir e a ensaiar. Isso é importante para o resultado final do trabalho.
– Como fazer parte dessa produção te fez refletir sobre o amor e os relacionamentos?
– A série me fez pensar que o amor não tem uma fórmula pronta. Cada relação tem seus desafios, e amar também exige maturidade, diálogo e disposição para compreender o outro. Acho que, no fim, a gente está sempre aprendendo a amar.
– Você vive um casamento muito sólido com a Sophia Abrahão há anos. O que ainda descobre sobre a relação de vocês que te impulsiona a continuar apostando nesse amor?
– O que me impulsiona é que a gente vive várias transformações juntos, né? Eu sempre falo que eu não estou casado com a Sophia há 11 anos, estou casado com várias Sophias há 11 anos! Cada hora a gente vai se transformando, e a gente vai se reapaixonando um pelo outro ao longo do tempo.
– Qual a importância de contar histórias como a do Nelson da Conceição, em Racismo e os Camisas Negras?
– Me sinto muito honrado em dar vida a Nelson, o primeiro goleiro negro da história do Vasco, no time Camisas Negras. Pra mim, como um homem negro, é de suma importância resgatar sua trajetória e sua força neste filme. Interpretar Nelson é um ato de reverência, ele enfrentou o racismo no futebol de uma forma corajosa e revolucionária. Trazer a sua história de volta à vida é celebrar a resistência negra e mostrar a força da nossa representatividade. Eu acho importante que o público conheça essa trajetória para compreender melhor o passado e pensar no País que queremos construir.
– Você tem um histórico de produções que trazem esse olhar para a experiência negra no nosso País. Como isso impacta sua escolha de papéis?
– Acho que minha história e minha identidade acabam influenciando meu olhar sobre os personagens. Eu quero interpretar personagens diversos, complexos e humanos. Tenho interesse em contar histórias que ampliem as possibilidades de representação do povo preto, sem deixar de lado o compromisso artístico com cada papel.
– Hoje, estamos vendo cada vez mais o protagonismo negro no audiovisual, mas você iniciou sua carreira há mais de duas décadas em um cenário bastante distinto. Como percebe essa evolução?
– O cenário mudou muito. Percebo essa evolução com muito orgulho. Comecei muito cedo, em um cenário em que as oportunidades para atores negros eram mais limitadas e muito mais difíceis. Ver essa mudança acontecer e poder fazer parte dela é muito significativo. Ainda temos muito a conquistar, muitos espaços para ocupar, mas é importante reconhecer o caminho que foi aberto por quem veio antes de nós e continuar ampliando esses espaços para as próximas gerações.
– Quem mais te inspira na sua jornada como artista e por quê?
– O que mais me inspira é a possibilidade de contar histórias que toquem as pessoas e provoquem reflexões. É muito gratificante ver o reconhecimento e o carinho do público nas ruas. A arte me permite compreender melhor o outro e também a mim mesmo. Tenho 27 anos de carreira, continuo movido pela vontade de aprender, me desafiar e descobrir novas possibilidades como ator. Amo a minha profissão!
– Qual sonho ou projeto sonha realizar?
– Tem muita coisa que eu quero fazer ainda, atores com os quais eu quero trabalhar. Mas uma das coisas que eu tenho mais vontade de fazer a longo prazo é poder estar envolvido também por trás das câmeras, produzindo as histórias que eu acho legais, narrativas que eu acho que são interessantes e que tem a ver com minha visão de mundo e minha comunidade.
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