Uma articulação capaz de sustentar passos, corridas e movimentos cotidianos também pode mudar profundamente uma rotina quando a dor aparece. Foi acompanhando pacientes em diferentes fases da vida que Humberto Ítalo Fontinele encontrou na ortopedia e, depois, na cirurgia do joelho, o caminho que queria seguir na medicina.

Nascido em Fortaleza e primeiro médico da família, ele localiza o início dessa escolha ainda na adolescência. Por volta dos 12 ou 13 anos, costumava passar parte do recreio na biblioteca da escola observando livros de anatomia. O interesse pelo corpo humano cresceu sem uma referência médica dentro de casa e permaneceu até a faculdade.

“Eu não tive influência de médicos na família. A curiosidade começou muito cedo, quando eu ficava na biblioteca olhando aqueles livros de anatomia. Aos poucos, aquilo deixou de ser apenas interesse e passou a fazer parte do que eu imaginava para o meu futuro.”

Da atividade física à ortopedia

A proximidade com o esporte também contribuiu para a escolha profissional. Humberto praticou natação e judô e, durante a graduação, chegou a considerar a urologia. Os estágios e plantões, porém, aproximaram-no definitivamente da ortopedia.

A formação em Fortaleza incluiu contato intenso com hospitais de trauma, onde fraturas graves, emergências e diferentes realidades sociais ampliaram sua percepção sobre o papel do médico. Mais tarde, a cirurgia do joelho reuniu duas áreas com as quais já se identificava: o tratamento de lesões esportivas e o acompanhamento de doenças degenerativas, como a artrose.

“O hospital de trauma mostra uma dimensão da medicina que não cabe no livro. Você aprende técnica, mas também percebe que cada paciente chega com uma história, uma família, limitações e medos. Essa convivência mudou muito a maneira como passei a enxergar o atendimento.”

Um professor especialista em joelho, que acompanhou durante anos de formação, também teve influência na decisão. Hoje, Humberto atua principalmente com artrose, lesões de menisco, ligamentos e problemas relacionados à prática esportiva.

Decisões que consideram a rotina

O contato frequente com pacientes que apresentam exames semelhantes, mas vivem situações completamente diferentes, levou Humberto a valorizar a decisão compartilhada. Antes de uma cirurgia de maior porte, por exemplo, procura entender como será a recuperação, se há apoio familiar e quais condições existem para cumprir a fisioterapia.

“Duas pessoas podem ter exames de imagens muito parecidas e necessidades completamente diferentes. Em uma cirurgia, preciso saber quem estará ao lado daquele paciente, como será a reabilitação e o que é viável para sua realidade. A decisão precisa ser construída em conjunto, porque não estamos tratando apenas um exame.”

Essa percepção ganhou força depois que uma paciente lhe pediu que a tratasse como trataria a própria mãe. Humberto guardou a frase e passou a usá-la como parâmetro diante de decisões delicadas. A experiência se tornou ainda mais pessoal quando ele próprio operou a mãe.

As diferenças de acesso ao tratamento também fazem parte da rotina. Para ele, reconhecer limitações financeiras, familiares ou de deslocamento é necessário para planejar condutas possíveis, sem reduzir o paciente ao diagnóstico.

“Muitas vezes, a dor já interferiu no trabalho, no lazer e na independência antes de a pessoa chegar ao consultório. Entender o que ela deixou de fazer ajuda a definir prioridades e a conversar com mais clareza sobre as possibilidades de tratamento.”

Artrose, movimento e prevenção

A artrose ocupa parte importante de sua atuação. Embora seja frequentemente associada ao envelhecimento, Humberto observa que lesões de menisco e ligamentos sofridas anos antes também podem contribuir para o desgaste articular mais precoce.

Na prevenção, ele destaca controle do peso, fortalecimento muscular e atenção às lesões. Um dos desafios é interromper o ciclo em que a dor provoca medo de movimento, reduz a atividade física e favorece a perda de força.

“O exercício não deve ser imposto da mesma forma para todos. Há pacientes que precisam começar com bicicleta, atividades na água ou fortalecimento progressivo antes de avançar. O objetivo é encontrar uma forma segura de manter o corpo ativo sem ignorar o quadro de cada pessoa.”

A mesma lógica vale para corrida, musculação e agachamento. Em vez de classificar modalidades como vilãs, ele considera condicionamento, peso, força e histórico de lesões. A popularização da corrida, do crossfit e do beach tennis também levou mais praticantes ao consultório, muitas vezes depois de iniciar atividades intensas sem preparação suficiente.

Nas lesões esportivas, Humberto acompanha com frequência problemas de menisco e do ligamento cruzado anterior, o LCA. Ele ressalta ainda que, sempre que as características da lesão permitem, a preservação do menisco passou a ocupar espaço importante na cirurgia do joelho.

“Depois de uma lesão, existem dois extremos: quem fica com medo de voltar e quem tenta abreviar a recuperação. Nenhum deles deve ser tratado com pressa. A reabilitação precisa respeitar a evolução física e também devolver confiança para que a pessoa retome suas atividades com segurança.”

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O que permanece depois da formação

Humberto mantém uma rotina de atualização com cursos e treinamentos cirúrgicos. Entre os planos profissionais, avalia a possibilidade de abrir uma clínica própria no futuro, projeto ainda em discussão com a esposa, que está em residência médica.

Mas, ao refletir sobre o que mais mudou desde os primeiros anos de formação, ele retorna aos pacientes. Conviver com pessoas que perderam autonomia, trabalho ou atividades importantes por causa da dor reforçou sua percepção de que a técnica precisa dialogar com a realidade de quem recebe o tratamento.

“Os pacientes me ensinaram que o mesmo diagnóstico nunca significa a mesma história. Cada pessoa chega com condições familiares, emocionais e financeiras diferentes. A técnica é indispensável, mas ela só faz sentido quando conseguimos aplicá-la à vida real de quem está diante de nós.”

Para quem adia a procura por atendimento por medo do diagnóstico ou de uma possível cirurgia, Humberto prefere encerrar com uma orientação ligada à prevenção e à autonomia:

“Não deixe um problema de lado por medo. Quando buscamos orientação no início, muitas vezes existem caminhos mais simples para conduzi-lo. Mantenha-se ativo dentro das suas possibilidades, participe das decisões e procure compreender o que o seu corpo está pedindo. Cuidar cedo também é uma forma de preservar independência.”

Humberto Ítalo – Ortopedista CRM: 16969/CE | RQE N.: 11990

Instagram: @dr.humbertoitalo.ortopedista

Site: https://drhumbertoitalo.com.br

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