No consultório de Eliakim Massuqueto, o cuidado começa antes mesmo do exame. Brinquedos ajudam a explicar procedimentos, desenhos e futebol aproximam médico e paciente, e o jaleco branco pode ficar de fora para tornar o ambiente menos intimidador. Se uma criança ainda não se sente segura, a consulta pode terminar apenas com uma conversa. A abordagem traduz a forma como o urologista de Rondônia compreende a Medicina: além da técnica, é preciso respeitar o tempo, as necessidades e a individualidade de cada pessoa.

Nascido em Jaru e criado também em Ariquemes, o médico não tinha a carreira definida desde a infância. Pensou em ser jogador de futebol, veterinário e policial, até que o irmão mais velho, primeiro médico da família, despertou sua curiosidade pela profissão.

“Foi acompanhando meu irmão que comecei a conhecer a Medicina. Na faculdade, percebi que a área cirúrgica me atraía e fui entendendo também onde havia pacientes que precisavam de um cuidado mais específico”, relembra.

Uma trajetória entre estados

Durante a graduação, Eliakim conheceu diferentes especialidades até se aproximar da Urologia Pediátrica e Reconstrutiva. O interesse cresceu ao acompanhar pacientes com quadros complexos e históricos de múltiplas intervenções.

Após a faculdade, mudou-se para Belo Horizonte, onde fez residência em Cirurgia Geral. Depois, retornou a Rondônia para a residência em Urologia e seguiu para Salvador, onde realizou fellowship em Urologia Pediátrica e Reconstrutiva na Universidade Federal da Bahia, com Ubirajara Barroso.

A pesquisa também ganhou espaço em sua trajetória. Uma linha de investigação relacionada à reconstrução genital integrou seu doutorado e, em 2026, o médico aparece como primeiro autor de um estudo multicêntrico publicado no Journal of Pediatric Urology.

“Na reconstrução, não basta avaliar o resultado imediato. É preciso pensar em função, sensibilidade, desenvolvimento e qualidade de vida ao longo dos anos. Esse olhar muda a maneira de planejar uma cirurgia”, explica.

Depois de completar etapas da formação em outros estados, decidiu construir sua carreira em Porto Velho. A escolha também foi motivada pela experiência de conhecer famílias que precisavam sair de Rondônia para buscar atendimentos especializados.

O cuidado é uma construção coletiva

Na prática atual, o médico trabalha em integração com profissionais de enfermagem, fisioterapia, pediatria e outros urologistas. A colaboração permite compartilhar responsabilidades sem perder o vínculo com pacientes e familiares.

A paternidade também contribuiu para sua reflexão sobre a rotina profissional. Eliakim mantém contato direto com seus pacientes, mas reconhece que uma assistência consistente depende de uma equipe preparada para identificar prioridades e oferecer suporte.

“Uma mãe que está assustada precisa sentir que não está sozinha. Ao mesmo tempo, eu sou pai e esposo. Para continuar presente quando realmente preciso estar, aprendi a compartilhar a assistência e confiar na equipe”, afirma.

Essa perspectiva também aparece nas decisões terapêuticas. O médico recorda o caso de um paciente idoso que chegou com indicação cirúrgica, embora a operação pudesse substituir uma limitação por outra. Em vez de seguir automaticamente com o procedimento, apresentou os riscos, as possibilidades e a alternativa de manter o tratamento em curso.

“O corpo é do paciente. Meu papel é explicar com clareza, apresentar os caminhos possíveis e ajudá-lo a decidir. Às vezes, a melhor decisão é não operar, e isso também precisa ser dito com transparência”, conta.

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Técnica e transparência na reconstrução

A Urologia Reconstrutiva abrange condições associadas a malformações, traumas, estreitamentos da uretra e consequências de tratamentos anteriores, além de alterações que podem comprometer funções urinárias ou sexuais. O planejamento varia de acordo com a anatomia, a origem do problema e as necessidades de cada paciente.

Em situações selecionadas, recursos como técnicas endoscópicas, videolaparoscopia, magnificação de imagem e cirurgia robótica podem fazer parte da abordagem. Para Eliakim, porém, a tecnologia precisa estar acompanhada de uma comunicação clara sobre possibilidades e limites.

“O paciente precisa compreender o que a Medicina pode oferecer, quais são os riscos e até onde é possível chegar. Em cirurgia reconstrutiva, transparência também é parte do tratamento. Uma possibilidade não pode ser apresentada como promessa”, ressalta.

Respeitar o tempo de cada criança

Na Urologia Pediátrica, a confiança é parte fundamental do atendimento. Bonecos e pelúcias ajudam a demonstrar procedimentos, enquanto o médico procura respeitar o ritmo da criança quando percebe insegurança ou resistência. A intenção é evitar que a consulta se transforme em uma experiência de imposição.

“Uma criança não é um adulto em tamanho menor. Ela precisa compreender o que vai acontecer dentro da capacidade dela. Se ainda não existe confiança, prefiro respeitar esse tempo a criar uma lembrança ruim que pode acompanhá-la por muito tempo”, observa.

Quando possível, a equipe também busca manter os responsáveis próximos por mais tempo no centro cirúrgico e utiliza recursos lúdicos para diminuir a tensão. No consultório, filmes, desenhos, futebol e cartas de Pokémon ajudam a iniciar conversas e criar pontos de identificação.

“Eu aprendo com eles o tempo inteiro. Às vezes, termino o atendimento com uma dica de filme ou de desenho anotada. Se quero conversar com uma criança, preciso conhecer um pouco do mundo em que ela vive”, comenta.

Planos para o futuro em Rondônia

A ligação com o estado segue orientando os próximos projetos do médico. Entre seus objetivos estão ampliar a estrutura atual para formar um instituto multiprofissional e, futuramente, contribuir para que Rondônia tenha condições de realizar cirurgias fetais em situações selecionadas. O projeto, ressalta, depende de estrutura específica e de uma demanda adequada.

A atividade acadêmica também continua presente, com produção científica, participação em iniciativas da Sociedade Brasileira de Urologia e intercâmbio com outros centros.

Uma experiência pessoal ajudou a consolidar sua visão sobre responsabilidade médica. Ao precisar passar por uma cirurgia de urgência, ouviu do profissional que o atendia que, a partir daquele momento, seu problema também seria assumido por quem cuidava dele. A frase se tornou uma referência para sua própria prática.

“Quero que o paciente possa dizer que talvez eu não tenha conseguido resolver tudo, mas que me importei com ele e busquei uma solução até o último momento.”

Eliakim Massuqueto – Médico Urologista | CRM/RO 4463 | RQE 2473

Instagram: @dremassuqueto

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