Antes de definir uma técnica cirúrgica, Raquel Granja acredita que é preciso compreender a história de quem está diante dela. Especialista em cirurgia plástica com foco em contorno corporal, a médica observa que, por trás de uma queixa estética, muitas vezes estão experiências ligadas à maternidade, ao envelhecimento, à perda significativa de peso ou ao desejo de recuperar a autoestima. É a partir dessa escuta que ela conduz sua prática, priorizando segurança, planejamento e acompanhamento próximo em todas as etapas do tratamento.

Natural de São Paulo, Raquel conta que o interesse pela Medicina surgiu ainda na infância, motivado pela vontade de cuidar das pessoas. A afinidade com o ambiente cirúrgico veio durante a graduação e se consolidou ao longo da residência em Cirurgia Geral, etapa que considera fundamental para desenvolver o raciocínio clínico e a segurança técnica que hoje levam ao consultório.

“Eu sempre gostei de cuidar. Com o tempo, percebi que essa forma de estar ao lado das pessoas continuava presente em tudo o que eu fazia. A cirurgia me mostrou uma maneira muito concreta de transformar esse cuidado em profissão”, afirma.

Uma formação voltada ao contorno corporal

Raquel Lopes Granja formou-se em Medicina pela Universidade Metropolitana de Santos (SP). Parte da formação prática aconteceu no Hospital do Servidor Público Municipal, em São Paulo, onde realizou residência em Cirurgia Geral. Em seguida, retornou a Santos para especializar-se em Cirurgia Plástica no serviço do cirurgião Osvaldo Saldanha, que desenvolveu e sistematizou a técnica moderna da lipoabdominoplastia. O método, apresentado por ele no início dos anos 2000, redefiniu a forma de associar lipoaspiração e abdominoplastia com protocolos de maior segurança.

Foi durante esse período que direcionou sua atuação para procedimentos voltados ao contorno corporal, área em que atua atualmente, realizando cirurgias como lipoabdominoplastia, mamoplastias e procedimentos reparadores após grande perda de peso.

“Aprender em um serviço diretamente ligado ao desenvolvimento da lipoabdominoplastia trouxe uma responsabilidade muito grande. Mais do que dominar a técnica, entendi a importância da indicação correta e do planejamento individualizado”, destaca.

Cada corpo exige uma avaliação própria

Na rotina do consultório, Raquel explica que a primeira consulta vai muito além da definição de um procedimento. O objetivo é entender as expectativas da paciente, avaliar sua anatomia e esclarecer quais resultados são possíveis de forma segura.

Segundo a médica, nem sempre a cirurgia inicialmente imaginada pela paciente é a mais indicada. Em alguns casos, a principal queixa está relacionada ao excesso de pele, à flacidez, à diástase abdominal ou à posição das mamas, exigindo abordagens diferentes.

“A paciente pode chegar com referências, mas cada corpo tem características próprias. Meu papel é explicar o que realmente faz sentido para aquela anatomia, sem criar expectativas irreais”, afirma.

Ela ressalta, por exemplo, que a lipoaspiração trata gordura localizada e não deve ser encarada como método de emagrecimento. Já a abdominoplastia corrige o excesso de pele e pode reparar a diástase abdominal quando há indicação. A lipoabdominoplastia reúne diferentes técnicas, mas sua realização depende de avaliação individualizada.

Maternidade e transformação corporal

Grande parte das mulheres atendidas por Raquel procura a cirurgia plástica após a gestação. Alterações nas mamas e no abdômen, muitas vezes, permanecem mesmo depois da prática de exercícios e da perda de peso.

Mãe de três filhos, a médica afirma que a experiência pessoal reforçou a importância de orientar as pacientes sobre o período de recuperação, especialmente aquelas que ainda cuidam de crianças pequenas.

“Antes da cirurgia, é fundamental organizar a rede de apoio. O pós-operatório exige tempo para cicatrização, e a paciente precisa conseguir respeitar esse processo”, explica.

Para ela, o planejamento da rotina faz parte do tratamento tanto quanto os exames e o procedimento cirúrgico.

Segurança como prioridade

Em uma área frequentemente associada às imagens de antes e depois nas redes sociais, Raquel reforça que cirurgia plástica continua sendo um procedimento médico e, por isso, exige critérios rigorosos de segurança.

A avaliação clínica inclui exames, controle de doenças pré-existentes, análise de hábitos como tabagismo e consumo de álcool, além da definição do momento mais adequado para operar.

“Na cirurgia plástica não existe urgência. Quando o procedimento é eletivo, vale a pena esperar o momento certo para que a paciente chegue ao centro cirúrgico nas melhores condições possíveis”, ressalta.

Segundo ela, o acompanhamento próximo no pós-operatório também é essencial para orientar a recuperação, esclarecer dúvidas e fortalecer a confiança ao longo do processo.

Cirurgia após grande perda de peso

Nos últimos anos, Raquel observa um aumento na procura por cirurgias reparadoras realizadas após emagrecimento expressivo, seja por cirurgia bariátrica ou por mudanças no estilo de vida.

Nesses casos, explica, o excesso de pele pode causar desconforto físico e interferir na prática de atividades diárias. Ainda assim, a indicação cirúrgica depende da estabilização do peso, do estado nutricional e das condições gerais de saúde.

“O paciente já passou por uma grande transformação antes de chegar ao consultório. A cirurgia representa uma nova etapa e precisa ser conduzida com planejamento e segurança”, afirma.

Tecnologia aliada à responsabilidade

Raquel acompanha a evolução das técnicas de cirurgia plástica, mas acredita que toda inovação deve ser utilizada apenas quando realmente beneficia o paciente.

Para ela, recursos tecnológicos não substituem avaliação criteriosa, experiência médica e indicação correta.

“A tecnologia deve estar a serviço da segurança e dos resultados. Ela não pode ser usada apenas porque está em evidência”, explica.

Um cuidado que vai além do espelho

Ao longo da carreira, Raquel percebeu que o sucesso de uma cirurgia não depende apenas da técnica empregada, mas também da relação construída entre médico e paciente.

Conversar sobre riscos, limitações e expectativas faz parte do atendimento e, segundo ela, fortalece a confiança durante todo o processo.

“A paciente precisa compreender exatamente quais são os benefícios, os limites e os cuidados envolvidos. Quando existe informação e transparência, a decisão acontece com muito mais segurança”, observa.

Ao olhar para sua trajetória, a médica afirma que sua maior satisfação está em acompanhar pacientes que recuperam não apenas o contorno corporal, mas também a confiança para retomar atividades, vestir determinadas roupas ou simplesmente voltar a se reconhecer diante do espelho.

“Técnica é fundamental, mas cirurgia plástica também exige escuta, presença e responsabilidade. É isso que faz diferença na experiência de cada paciente”, conclui.

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