Sóbrio há dez anos, o cantor Nando Reis (63) recordou os efeitos catastróficos que seu vício em álcool e cocaína acarretou para ele e para sua família.
“Essa é uma história pesada demais na minha vida. O vício, o alcoolismo, o pó… Eu estava muito mal. Foram 30 anos de uso excessivo, abusivo e tinha comprometido totalmente minhas relações familiares, meus trabalhos“, lembrou ele, em participação no podcast DesculpIncomodar.
O momento mais dramático da adicção, segundo Reis, aconteceu durante sua estadia nos Estados Unidos. “Eu estava em Seattle e virou um tormento, para mim e para minha família. Como eu era também viciado em cocaína — um vício cruzado — e eu estava nos Estados Unidos, onde não tinha, era só álcool, e eu [estava] no meio de uma turnê. Eu acordava no meio da noite para beber, isso nunca tinha me acontecido.”
A situação se tornou tão crítica que Nando chegou a pedir a seu psiquiatra que o internasse, desejo que não chegou a ser atendido. Através de muita força de vontade — e do apoio de grupos como os Alcoólicos Anônimos –, o artista conseguiu se recuperar e, pouco a pouco, reconstruir os laços familiares desgastados. A música, inclusive, ajudou-o nesse sentido.
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“Eu escrevi uma canção de reparação e passei a cantá-la no show. Não foi só essa… Escrevi uma música para a Vânia [Passos, sua esposa] chamada Coração Vago. Quando fui gravar, eu não conseguia, porque chorava“, recordou.
“Compor é uma das benesses da minha profissão. Eu consigo usar as dificuldades da vida como elemento para compor, produzir alguma coisa. É uma possibilidade de compensar. Hoje, eu posso olhar para essas canções que eu escrevi em momentos deploráveis e ver um pedido de desculpas“, afirma.
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