Antes mesmo de ganhar um nome clínico, a dor já costuma ter transformado a rotina de quem a sente. Ela interfere no sono, limita movimentos, impacta o trabalho e, quando se prolonga, pode afetar até a forma como a pessoa se percebe. É nesse ponto, onde o sintoma encontra a história de vida, que o ortopedista Gualter Maldonado Azevedo constrói sua atuação em Marília, no interior de São Paulo.
Com foco em dores crônicas, patologias da coluna, dor ciática, hérnia de disco, osteoporose e doenças osteometabólicas, o médico defende uma prática que une formação técnica e escuta qualificada. Para ele, exames e tecnologia são indispensáveis, mas não substituem a compreensão do paciente, que muitas vezes chega fragilizado após anos de dor, tratamentos interrompidos e medo de perder autonomia.
“Uma dor de muitos anos não se resolve em uma avaliação apressada. Antes de pensar em qualquer conduta, preciso entender quem é aquela pessoa, como ela chegou até ali e de que forma a dor atravessou sua vida”, afirma.
Uma escolha que começa cedo
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Nascido em Marília, Gualter cresceu em uma família ligada à medicina. Filho e neto de médicos, teve contato desde cedo com histórias de gerações dedicadas ao cuidado. Ainda assim, sua escolha não foi uma imposição, mas uma construção natural ao longo do tempo.
O caminho sempre pareceu claro: medicina, ortopedia e, depois, coluna. Formou-se em Medicina em Teresópolis (RJ), fez residência em Ortopedia na Santa Casa de Marília e se especializou em cirurgia de coluna na USP de Ribeirão Preto (SP), com o professor Helton Defino. Ao longo da carreira, também realizou cursos no Brasil e no exterior, além de pós-graduação em osteoporose e doenças osteometabólicas pela Universidade Federal de Goiás (GO) e certificação em densitometria óssea.
Apesar da sólida formação, ele reforça que a técnica não é suficiente por si só. “A formação científica é indispensável, mas o sofrimento também está na história, nos medos e na forma como a pessoa passou a viver depois da dor”, reflete.
Quando o paciente chega sem esperança
Grande parte dos pacientes já passou por outros profissionais, exames e tratamentos. Alguns chegam com laudos; outros, com a sensação de que não há mais solução. Esse cenário ampliou sua forma de conduzir a consulta.
A avaliação vai além da origem física da dor. Ele observa sono, rotina, autoestima e a relação do paciente com o próprio corpo. Em casos de dor crônica, essa escuta se torna ainda mais essencial, já que o sofrimento prolongado pode afetar relações e perspectivas de vida.
O cuidado pode envolver avaliação clínica global, reabilitação, acompanhamento contínuo e, quando necessário, atuação conjunta com outros profissionais.
“O paciente com dor crônica, muitas vezes, chega cansado de tentar. Ele não precisa só de uma receita, mas de compreensão, de um plano e de perceber que ainda existe caminho possível”, explica.
Esse olhar também aparece no cuidado com pacientes com fibromialgia, condição frequentemente subestimada.
“A dor não pode ser tratada como exagero. É real, complexa e exige acolhimento e continuidade.”

Cirurgia, tecnologia e critério
A cirurgia de coluna ainda desperta receio em muitos pacientes. Medos relacionados à anestesia, recuperação e possíveis sequelas costumam surgir antes mesmo da indicação médica. Para Gualter, esse cenário deve ser enfrentado com informação clara e avaliação criteriosa.
Em sua prática, a cirurgia não é o ponto de partida. Ela é indicada quando outras abordagens não apresentam resposta adequada ou quando há sinais de gravidade.
“Se existe uma alternativa segura, com boa chance de evolução sem operar, esse é o caminho que prefiro seguir”, afirma.
A tecnologia tem papel relevante. O médico acompanha avanços como técnicas minimamente invasivas, navegação e cirurgia robótica, que podem reduzir o trauma cirúrgico e o tempo de recuperação em casos selecionados.
Ainda assim, ele reforça: “O recurso moderno precisa servir ao paciente. A melhor técnica é aquela que faz sentido para cada caso.”
Ciático, hérnia de disco e osteoporose
Entre as queixas mais comuns estão dor ciática e hérnia de disco, frequentemente associadas, de forma equivocada, à necessidade imediata de cirurgia.
Gualter explica que nem toda dor irradiada para a perna é, de fato, ciática, e que uma hérnia identificada em exame nem sempre é a causa principal do sintoma.
“O exame é uma parte da avaliação, não a avaliação completa. A imagem ajuda, mas não substitui o paciente”, ressalta.
A osteoporose também exige atenção. Muitas vezes silenciosa, pode ser descoberta apenas após fraturas que comprometem a autonomia, especialmente em idosos. “Prevenir a perda óssea é preservar independência e qualidade de vida.”
Prevenção e olhar para o futuro
No dia a dia do consultório, Gualter observa que muitos pacientes demoram a buscar ajuda e recorrem à automedicação, o que pode mascarar sintomas e trazer riscos. A dor persistente deve ser investigada, especialmente quando limita funções ou se intensifica.
A prevenção passa por hábitos como atividade física, fortalecimento muscular, alimentação adequada e cuidado com a postura. A reabilitação tem papel central nesse processo.
Além do atendimento, ele participa da formação de novos médicos, reforçando a importância de aliar conhecimento técnico, ética e escuta. Ao olhar para o futuro, vê uma medicina mais integrada e tecnológica, mas mantém o foco no essencial:
“O meu objetivo é reabilitar. Quero ver o paciente com qualidade de vida dentro da sua realidade. A medicina que eu acredito é feita de técnica, escuta e parceria — porque ninguém melhora sozinho”, conclui.
CRM: 124069/SP | RQE Nº: 63805
Instagram: @drgualtercolunaedor

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