Personalidades / ENTREVISTA

Galã de Três Graças lamenta guerra no Irã: ‘Mídia costuma divulgar só o negativo’

Antes de voltar ao Brasil, Adriano Toloza participou de produções do cinema iraniano e exalta sua relação com país do Oriente Médio.

Adriano Toloza (Foto: Santoian)

Em meio aos atuais conflitos armados entre Israel, EUA e Irã, o ator Adriano Toloza (42) teme pela segurança dos amigos que deixou no país do Oriente Médio. Antes de voltar ao Brasil e brilhar como o Angélico de Três Graças, ele participou de produções do cinema iraniano e se encantou pela cultura e a beleza do país.

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“A grande mídia costuma divulgar apenas as coisas negativas do país. É claro que existem muitos problemas graves lá, seríssimos, mas por outro lado é um país belíssimo, com pessoas muito boas, uma cultura riquíssima, com uma das maiores belezas naturais do mundo, uma culinária estupenda, além de uma arte poderosa”, destaca Adriano, em entrevista exclusiva para a CARAS.

– Como é retornar ao Brasil após passar uma temporada em Portugal e Irã?
– É muito bom voltar para casa. Fazia tempo que não voltava para gravar uma novela. Tem sido ótimo. Todos os dias agradeço a Deus por poder trabalhar com o que eu amo. Isso, por si só, já é um privilégio raro. E o fato de eu ter tido essa oportunidade em outros países, na Europa e no Oriente Médio, foi, até agora, o que aconteceu de mais gratificante na minha vida. Eu não tive só a oportunidade de viajar e conhecer pessoas novas, mas tive o presente de trabalhar e contracenar com elas. Pessoas de culturas distintas que, a priori, eram tão diferentes de mim e, depois de um tempo, pude quebrar paradigmas e me identificar com elas, como se estivesse olhando para um espelho. Isso é lindo e muito enriquecedor. Amadureci como artista e como ser humano.

– Qual foi seu maior choque cultural e o que mais te surpreendeu ao gravar no Irã, que tem uma cultura tão rica e tão diferente da nossa?
– No Irã, praticamente entre cada take gravado, toma-se chá. Eles não costumam beber café. Para mim, que sou viciado em cafeína, foi muito difícil. Lá, a escala de trabalho é de 10 por 1!  Depois de dez dias seguidos de filmagem, há um dia de folga para toda a equipe. As atrizes precisam usar o véu nos cabelos para gravar e é proibido ter toques sensuais entre homem e mulher em cena. Mas são detalhes culturais ou estruturais. TV é TV, cinema é cinema. A maneira de produzir, de dirigir e de atuar é muito parecida em qualquer lugar do mundo.

– Em meio a esses conflitos atuais no país, o que mais te preocupa? Como estão as pessoas e amigos que ficaram por lá?
– É tanta coisa que me preocupa que poderia ficar horas falando sobre isso. Mas o que me deixa extremamente triste são as vidas que podem ser interrompidas por essa barbárie. Meus amigos estão bem fisicamente, mas mentalmente destruídos. A maior preocupação deles nesse momento é permanecerem vivos. Tudo isso é muito assustador: para quem vê a situação de longe e muito mais para quem tem convívio e afeto com as pessoas diretamente afetadas pelo conflito. É muito doloroso.

– Quais os planos para depois da novela?
– Férias! Quero viajar para Portugal e rever os meus amigos, tenho muitas saudades. Gostaria de ir ao Irã também, mas infelizmente não poderei agora mediante as circunstâncias.