Adriano Toloza celebra sucesso no Brasil após temporada no Irã: ‘Enriquecedor’
Ator de Três Graças narra desafios culturais no oriente médio e lamenta o conflito bélico.

De volta ao Brasil após uma extensa temporada em Portugal e no Irã, o ator Adriano Toloza (42) não poderia ter tido recepção melhor. Encerrando sua participação na global Três Graças, eleita Novela do Ano no Prêmio Melhores do Ano, e em breve no novo ano de Tremembé, da Prime Video, ele se empolga diante do carinho – e dos suspiros! – que seu personagem, Angélico, recebe do público. “Fico mais feliz ainda quando elogiam o meu trabalho ou quando comentam carinhosamente algo sobre o meu personagem”, explica Toloza, durante papo com CARAS.
– Como reage ao sucesso do Angélico com o público?
– Estou muito feliz. Angélico é um personagem querido pelo público. Claro que existem os que torcem contra, mas no geral estou tendo um feedback positivo. Ele é um homem bom, leal, dedicado, parceiro. Tem sido uma experiência muito boa para mim. A maioria dos meus papéis foram vilões, cafajestes, bandidos… Estava com saudades de fazer um bom moço.
– Existe uma torcida para que ele fique com a Viviane – uma mulher trans vivida por Gabi Loran. Qual a importância de representar essa história e como é dividir a cena com a Gabi?
– O casal Viviane e Léo, vivido por Pedro Novaes, é muito querido pelo público. Eles começaram uma história linda e eu entrei com a difícil missão de tentar interromper essa situação. O público está dividido, mas está claro que a Viviane ama o Léo. Poderíamos dizer que o relacionamento com o Angélico representaria a razão, a sensatez, e com Leo, é o coração, a paixão. Independentemente se ela vai ficar com o Angélico ou não, eu acho muito pertinente e importante contar essa história. Independente da identidade de gênero, são dois homens disputando o coração de uma mulher, e essa disputa não é uma exceção e sim uma possibilidade. Uma possibilidade de amar tão naturalmente como todas as outras. E se alguma pessoa se sentir menos sozinha, menos errada, ou mais autorizada a amar através da identificação com essa história significa que estamos no caminho certo. Um caminho de aceitação, compreensão , de tolerância e também de respeito.
– Como é retornar ao Brasil após passar uma temporada em Portugal e Irã?
– É muito bom voltar para casa. Fazia tempo que não voltava para gravar uma novela. Tem sido ótimo. Todos os dias agradeço a Deus por poder trabalhar com o que eu amo. Isso, por si só, já é um privilégio raro. E o fato de eu ter tido essa oportunidade em outros países, na Europa e no Oriente Médio, foi, até agora, o que aconteceu de mais gratificante na minha vida. Eu não tive só a oportunidade de viajar e conhecer pessoas novas, mas tive o presente de trabalhar e contracenar com elas. Pessoas de culturas distintas que, a priori, eram tão diferentes de mim e, depois de um tempo, pude quebrar paradigmas e me identificar com elas, como se estivesse olhando para um espelho. Isso é lindo e muito enriquecedor. Amadureci como artista e como ser humano.
– Qual foi seu maior choque cultural e o que mais te surpreendeu ao gravar no Irã, que tem uma cultura tão rica e tão diferente da nossa?
– No Irã, praticamente entre cada take gravado, toma-se chá. Eles não costumam beber café. Para mim, que sou viciado em cafeína, foi muito difícil. Lá, a escala de trabalho é de 10 por 1! Depois de dez dias seguidos de filmagem, há um dia de folga para toda a equipe. As atrizes precisam usar o véu nos cabelos para gravar e é proibido ter toques sensuais entre homem e mulher em cena. Mas são detalhes culturais ou estruturais. TV é TV, cinema é cinema. A maneira de produzir, de dirigir e de atuar é muito parecida em qualquer lugar do mundo.
– Em meio a esses conflitos atuais no país, o que mais te preocupa? Como estão as pessoas e amigos que ficaram por lá?
– É tanta coisa que me preocupa que poderia ficar horas falando sobre isso. Mas o que me deixa extremamente triste são as vidas que podem ser interrompidas por essa barbárie. Meus amigos estão bem fisicamente, mas mentalmente destruídos. A maior preocupação deles nesse momento é permanecerem vivos. Tudo isso é muito assustador: para quem vê a situação de longe e muito mais para quem tem convívio e afeto com as pessoas diretamente afetadas pelo conflito. É muito doloroso.
– Sente que os brasileiros têm opiniões equivocadas e ideias erradas sobre o Irã? Quais?
– Não só os brasileiros, como o mundo inteiro fora do Irã. A grande mídia costuma divulgar apenas as coisas negativas do país. É claro que existem muitos problemas graves lá, seríssimos, mas por outro lado é um país belíssimo, com pessoas muito boas, uma cultura riquíssima, com uma das maiores belezas naturais do mundo, uma culinária estupenda, além de uma arte poderosa.
– Quais os planos para depois da novela?
– Férias! Quero viajar para Portugal e rever os meus amigos, tenho muitas saudades. Gostaria de ir ao Irã também, mas infelizmente não poderei agora mediante as circunstâncias.





