Gabz conhece bem a distância que pode existir entre um sonho e a possibilidade de realizá-lo. Antes de ocupar posições de destaque na televisão, a atriz e cantora precisou fazer escolhas difíceis para insistir na carreira. Hoje, depois de protagonizar Mania de Você e viver Duda em Coração Acelerado, ela ainda considera essas experiências importantes para entender a própria trajetória.

“Eu acho que eu sempre estou voltando a essas memórias de todo o meu processo, de toda a caminhada até aqui. A gente sabe que não é fácil ser artista no Brasil e não é fácil chegar nesses lugares que eu cheguei”, conta Gabz, em entrevista à CARAS Brasil.

Para ela, lembrar da jovem que arriscava mesmo diante da falta de recursos também significa preservar aquilo que a levou adiante. “Eu acho muito importante manter viva essa chama que me fez querer, esse impulso que me fez querer ser artista, que me fez querer dar tudo de mim, arriscar, me aventurar, ir para outro estado sem dinheiro, abrir mão de várias coisas. Eu acho que é esse pulso, essa coragem, que me faz ser uma artista melhor. Então, sempre preciso estar em contato com isso”, reflete.

Gabz fala sobre cobrança após protagonizar novela

Depois de protagonizar uma novela e voltar em Coração Acelerado interpretando uma personagem totalmente diferente, a atriz conta que a autocobrança fez parte do seu processo.

“Eu acho que estou sempre me cobrando. Tenho uma relação até saudável com a cobrança, mas ela é muito forte quando estou em um trabalho. O apaixonamento vem junto com essa cobrança”.

Com Duda, o desafio ganhou novas camadas. Além da atuação, a artista precisou cantar e mergulhar em uma realidade distante daquela em que cresceu. “Eu acho que existe uma pressão forte para a entrega, pelo menos de mim comigo mesma, para a minha entrega para o próximo trabalho. E, sendo um trabalho onde a gente canta, onde a gente representa um estado que é distante do meu estado de origem, essa cobrança ficou maior ainda”.

“Eu gosto também de me cobrar, acho que é importante. Estou nessa fase mesmo de ir fundo, me investigar enquanto atriz e entregar o máximo e o melhor que eu consigo sempre que der”.

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O aprendizado sobre erros e recomeços com Duda

É justamente em Duda que parte dessa investigação encontra um significado especialmente pessoal. Para Gabz, a personagem foge da construção tradicional da “mocinha” que precisa ser permanentemente virtuosa para conquistar a empatia do público.

“A Duda é uma personagem que eu acho muito incrível e muito desafiadora também. Geralmente, a gente tem uma visão às vezes maniqueísta do que é uma mocinha. A mocinha tem que ter todas as virtudes a maior parte do tempo. Então, o erro, esses sentimentos um pouco turvos, geralmente não estão na mocinha”.

Na visão da atriz, Duda é justamente mais interessante porque não cabe nessa idealização. “Ela não é propriamente uma mocinha, mas é uma pessoa boa. É uma pessoa boa que também tem sentimentos estranhos dentro dela, porque ela tem traumas, contexto, trajetória. E a nossa trajetória às vezes faz a gente entrar num lugar de sentimento ruim. Isso é humano”.

O que importa, para ela, é o que cada pessoa decide fazer diante dessas fragilidades. “A grande questão é como a gente vai lidar com isso para conseguir ser uma pessoa melhor. Como a gente vai lidar com os nossos traumas, com os nossos medos, com as nossas inseguranças de uma forma que a gente se transforme e consiga, no fim do dia, ser uma pessoa maior, uma pessoa melhor”.

A reflexão ganha outra dimensão quando a atriz pensa nas meninas que podem se reconhecer em Duda. Gabz destaca que mulheres negras vindas da periferia muitas vezes enfrentam um nível de cobrança que deixa pouco espaço para falhas ou segundas chances. “Parece que toda chance é a última, toda chance é a única, e a gente realmente não pode errar. E ver a Duda se reinventando, eu acho que é um exemplo que eu sempre quis dar”, diz.

‘A Duda sempre vai estar em mim’

A ligação se tornou tão intensa que, dessa vez, encerrar as gravações não significa simplesmente deixar uma personagem para trás. “Eu acho que ela sempre vai estar em mim”.

O encerramento, para ela, envolve entender o que pertence à personagem e aquilo que permanecerá com a atriz. “É um momento emocionante, esse momento de expurgar a personagem, saber o que a gente leva da gente, saber o que a gente vai deixar para o mundo. Mas a gente sempre leva um pouquinho dessa experiência com a gente. E a Duda, eu sinto que vou levar grande parte dela comigo”, finaliza.

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