Escolher onde exercer a medicina também pode definir a maneira de praticá-la. Depois da graduação, Dhiego Ramalho Furtado decidiu permanecer no sertão nordestino, região onde construiu sua trajetória profissional, abriu clínicas e passou a atender pacientes que, muitas vezes, precisam percorrer longas distâncias em busca de serviços de saúde.

Filho de um agricultor e de uma professora de português do ensino fundamental, Dhiego cresceu em Mauriti, no Ceará, ouvindo dos pais que o estudo poderia ampliar seus caminhos. Foi dentro de casa que a medicina apareceu pela primeira vez como uma possibilidade de futuro.

“Meus pais tinham uma visão muito clara de que a educação poderia mudar a nossa realidade. Meu pai sempre dizia que o conhecimento era um caminho para uma pessoa de origem humilde conquistar liberdade. Aos poucos, aquele sonho que eles apresentaram a mim também se tornou meu.”

Da origem simples à faculdade de Medicina

Aos 10 anos, Dhiego deixou a cidade natal e foi morar com parentes em Fortaleza. Parte da juventude foi vivida em uma casa compartilhada por uma família numerosa, enquanto também trabalhava na padaria da avó e convivia com uma realidade de poucos recursos.

Aos 16 anos, foi aprovado em vestibulares e iniciou o curso de Fisioterapia, que frequentou por cerca de três anos. A experiência, porém, ajudou a confirmar que seu objetivo era seguir pela Medicina.

Para tentar novamente, criou uma rotina dedicada aos estudos. Dhiego conta que caminhava até uma biblioteca do Banco do Nordeste em busca de um ambiente silencioso para se preparar. Durante um ano, dividiu os dias entre longos períodos de estudo até conquistar novas aprovações.

Começou então a graduação em Medicina em Garanhuns, em Pernambuco, e posteriormente se transferiu para Campina Grande, na Paraíba, onde concluiu o curso.

“Ouvi muitas vezes que determinados objetivos seriam difíceis demais para alguém que vinha de uma família como a minha. Com o tempo, entendi que não precisava transformar isso em revolta, mas em disciplina. As tentativas também me ensinaram a continuar mesmo quando o resultado ainda não tinha chegado.”

A escolha de permanecer no interior

Depois da faculdade, Dhiego voltou ao interior. Os primeiros anos de carreira foram marcados por atendimentos no SUS, plantões, urgências, partos e assistência em localidades distantes.

Foi nesse período que conheceu de perto as dificuldades de acesso enfrentadas por muitas famílias. A experiência também o levou a pensar em uma atuação que pudesse aproximar determinados serviços de saúde da população do interior.

“Eu percebia que, em determinadas situações, o paciente precisava sair da própria cidade e enfrentar horas de deslocamento para continuar um atendimento. Aquilo me fez pensar que eu poderia construir minha carreira perto das minhas raízes e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades de cuidado na região.”

Enquanto trabalhava, manteve uma rotina de aperfeiçoamento profissional, com viagens a Recife e São Paulo para aprofundar conhecimentos relacionados ao cuidado da pele e a procedimentos cirúrgicos, conciliando os estudos com plantões e atendimentos.

Atualmente, segundo Dhiego, sua atuação alcança 21 cidades de quatro estados do Nordeste, além de contar com três clínicas próprias. A estrutura cresceu acompanhando a expansão dos atendimentos e da equipe, formada por médicos e profissionais de diferentes áreas da saúde.

A experiência empresarial também passou a fazer parte de sua carreira, envolvendo organização de equipes, desenvolvimento de projetos e criação de estruturas de atendimento próximas da realidade das cidades onde trabalha.

Escutar também faz parte da medicina

A experiência no serviço público influenciou a maneira como Dhiego conduz seus atendimentos. Para ele, uma conduta médica precisa considerar não apenas o quadro clínico, mas também a realidade em que o paciente está inserido.

“Sempre procurei alinhar o conhecimento médico à realidade de quem está diante de mim. Não adianta elaborar uma conduta que o paciente não consegue compreender ou seguir. Escutar ajuda a entender o que existe por trás da queixa e permite tomar decisões mais responsáveis.”

Em sua prática, atende diferentes alterações e doenças da pele e realiza procedimentos clínicos e cirúrgicos. Entre os casos que chegam ao consultório estão pacientes com lesões suspeitas de câncer de pele, situações em que percebe também uma barreira que vai além dos sintomas: o medo diante da possibilidade de um diagnóstico.

“O medo pode afastar o paciente justamente quando ele mais precisa de orientação. Meu papel não é aumentar a ansiedade, mas explicar o que precisa ser investigado, esclarecer as possibilidades e mostrar por que cada decisão está sendo tomada.”

Essa preocupação também aparece na escolha da equipe. Dhiego afirma valorizar profissionais que estejam dispostos a acolher, orientar e compreender que o cuidado não termina no momento da consulta.

Estética e os limites da perfeição

Para Dhiego, as redes sociais ampliaram o interesse pelo autocuidado, mas também aproximaram parte do público de padrões estéticos difíceis de alcançar.

“Existe uma diferença entre querer cuidar da aparência e perseguir uma perfeição que não existe. O médico também precisa reconhecer esse limite. Nem toda insatisfação deve ser respondida com um procedimento, porque é necessário compreender primeiro o que aquela pessoa espera e por que deseja determinada mudança.”

A tecnologia também ocupa espaço em sua visão sobre o futuro da profissão. A inteligência artificial passou a fazer parte de sua rotina como ferramenta de apoio à atualização, e Dhiego acredita que sua utilização tende a crescer na medicina, especialmente no acesso à produção científica e na organização do conhecimento.

Um projeto ligado às origens

Entre os próximos passos está a ampliação de uma estrutura de saúde em Tavares, na Paraíba, batizada de Instituto Doutor Diego Ramalho. De acordo com o médico, o projeto prevê reunir atendimento, recursos diagnósticos e profissionais de diferentes áreas.

A iniciativa concentra parte de seus planos para os próximos anos e mantém a conexão com uma decisão tomada ainda no início da carreira: permanecer no interior e contribuir para aproximar serviços de saúde de uma população acostumada a buscar determinadas estruturas em centros maiores.

Ao olhar para a própria trajetória, Dhiego relaciona o crescimento profissional à responsabilidade de devolver parte das oportunidades que recebeu. As lembranças do pai agricultor, da mãe professora, dos anos de estudo e do início da carreira permanecem presentes na maneira como projeta o futuro.

“Eu não quero que crescimento signifique apenas ter uma estrutura maior. Quero que represente mais acesso, mais conhecimento e uma medicina capaz de compreender a realidade de quem vive aqui. Se eu puder continuar melhorando o cuidado sem perder a proximidade com as pessoas e com as minhas origens, estarei seguindo o caminho que escolhi desde o começo.”

Dhiego Ramalho Furtado — Médico | CRM-PE 23.563 | CRM-PB 10.576

Instituto Doutor Diego Ramalho — Responsável técnico: Dr. Dhiego Ramalho Furtado — Médico | CRM-PE 23.563 | CRM-PB 10.576

Instagram: @drdhiegoramalhofurtado

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