Perder qualidade visual pode afetar o trabalho, a mobilidade, os estudos e a independência. Para o oftalmologista Arthur Costa, compreender esse impacto é parte essencial do atendimento. Especialista em córnea e doenças da superfície ocular, ele desenvolve uma prática baseada na escuta, na explicação clara e em condutas adequadas à realidade de cada paciente.
Nascido em Belém, no Pará, Arthur decidiu ainda na infância que seguiria a Medicina. Aos 17 anos, ingressou no Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC Porto Nacional), no Tocantins. A escolha pela Oftalmologia amadureceu no fim da graduação e ganhou força a partir de uma história familiar: seu avô, que havia perdido a visão, voltou a enxergar após uma cirurgia de catarata.
“A recuperação da visão não muda apenas a vida do paciente. A família também acompanha essa retomada de autonomia. Foi essa possibilidade de produzir um resultado concreto e humano que me aproximou da Oftalmologia”, relembra.
Uma formação marcada pela responsabilidade
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Depois da graduação, Arthur realizou residência médica em Oftalmologia no Hospital das Clínicas da Bahia, em Salvador, entre 2018 e 2021. No serviço, atendeu pacientes vindos de áreas rurais, alguns após longas viagens e com parte da renda comprometida para chegar ao hospital.
A experiência ampliou sua percepção sobre o peso de cada consulta. Além do diagnóstico, passou a observar o esforço, o medo e as limitações de quem procurava atendimento.
“Quando uma pessoa atravessa cidades para ser atendida, deposita uma confiança enorme no médico. Eu pensava que poderia ser alguém da minha família. Isso aumentava minha responsabilidade e minha vontade de estudar”, conta.
Em 2021, mudou-se para São Paulo e iniciou a subespecialização em córnea e doenças externas da superfície ocular no Hospital do Servidor Público Estadual, concluída em 2023. Atualmente, também atua com cirurgia refrativa e participa da formação de médicos residentes como preceptor.
O tratamento precisa caber na vida do paciente
Na prática clínica, Arthur defende que a escolha de um tratamento não deve considerar apenas exames e protocolos. Profissão, rotina, condições financeiras, limitações físicas e possibilidade de adesão também interferem na conduta.
Uma lente de contato especial pode oferecer boa qualidade visual, mas não ser viável para todos. Da mesma forma, um medicamento pode ser adequado tecnicamente e ainda assim difícil de incorporar ao cotidiano.
“A conduta precisa ser segura, mas também possível. Não adianta indicar uma alternativa excelente no papel se o paciente não consegue utilizá-la ou manter o acompanhamento. Compreender a realidade de cada pessoa faz parte do cuidado”, explica.
Essa visão também orienta a comunicação. Arthur procura detalhar o diagnóstico, a finalidade dos exames e os motivos de cada recomendação. Quando o paciente entende o que está acontecendo, participa melhor das decisões e segue o tratamento com mais segurança.
Ceratocone exige atenção desde cedo
Entre as condições presentes em sua rotina está o ceratocone, doença que provoca afinamento e alteração progressiva no formato da córnea. O quadro costuma
começar na puberdade e pode causar visão embaçada, imagens duplicadas, mudanças frequentes no grau e dificuldade para enxergar à noite.
O hábito de coçar os olhos está associado à progressão da doença, o que exige atenção especial em crianças e adolescentes com alergia ocular. Nessa fase, o problema pode passar despercebido porque o jovem nem sempre reconhece que enxerga mal.
“Muitas crianças só descobrem que a visão estava reduzida quando recebem a correção durante o exame. Até aquele momento, aquela era a única referência visual que possuíam”, orienta.
O tratamento depende do estágio da doença. Óculos e lentes de contato especiais podem melhorar a qualidade visual. Quando há progressão, o crosslinking pode ser indicado para aumentar a rigidez da córnea e tentar estabilizar o quadro. O transplante fica reservado para situações em que outras alternativas não oferecem visão satisfatória ou quando há perda importante da transparência.
Arthur ressalta que nenhum procedimento deve ser apresentado como promessa. A indicação precisa esclarecer objetivos, limites e possibilidades reais.

Tempo para ouvir e tecnologia com critério
A decisão de estruturar a CINOFT, clínica em São Paulo, nasceu de experiências em serviços com consultas rápidas. Em alguns locais, o intervalo entre os atendimentos era de dez ou quinze minutos, período que ele considerava insuficiente para investigar, explicar e acolher.
Na clínica, Arthur procura reservar tempo para ouvir o paciente e apresentar as razões de cada escolha. A equipe também é orientada a receber com atenção pessoas com dor, idosos, pacientes ansiosos e indivíduos com limitações visuais.
“O acolhimento começa antes da entrada no consultório. Quando a pessoa se sente respeitada, consegue explicar melhor o que está vivendo. Isso favorece o diagnóstico e permite uma conduta mais adequada”, afirma.
A Oftalmologia depende de equipamentos capazes de identificar alterações muito pequenas. Embora acompanhe os avanços da área, Arthur defende que a tecnologia só deve ser utilizada quando acrescenta benefício clínico.
“Um exame precisa esclarecer o diagnóstico ou modificar uma decisão. Quando isso não acontece, pode representar apenas custo e ansiedade. A tecnologia deve ampliar a segurança, não se tornar uma finalidade”, destaca.
Como preceptor, ele leva o mesmo princípio à formação dos residentes. Além do conteúdo técnico, procura ensinar responsabilidade, atenção e respeito pela pessoa por trás de cada resultado.
Um propósito que chega a Moçambique
O desejo de ampliar o acesso à saúde ocular ganhou outra dimensão quando Arthur participou de uma missão da Mogoyah em Moçambique. A organização não governamental desenvolve ações de saúde, educação e geração de renda em comunidades vulneráveis.
Na primeira missão, ele foi o único oftalmologista da equipe. Além dos atendimentos, participou da análise da estrutura local e do planejamento de novas ações. Parte dos pacientes nunca havia passado por uma consulta especializada. Alguns conviviam havia anos com baixa visão, enquanto outros obtiveram melhora com óculos ou tratamento clínico.
A experiência também evidenciou as dificuldades logísticas da especialidade, que depende do transporte de equipamentos. Por isso, Arthur acompanha o desenvolvimento de aparelhos menores e portáteis, capazes de levar avaliação oftalmológica a regiões distantes.
O retorno a Moçambique está entre seus principais planos. A próxima etapa prevê novas ações e cirurgias de catarata. Ele também pretende continuar o desenvolvimento da clínica e a formação de novos médicos.
A fé cristã orienta a forma como compreende a profissão. Para Arthur, exercer a Medicina significa conciliar conhecimento, responsabilidade e serviço.
“O que me move é a possibilidade de melhorar a qualidade de vida por meio da visão. Quando alguém recupera autonomia ou volta a realizar uma atividade importante, essa felicidade também alcança o médico. Quero continuar usando a Oftalmologia para cuidar, ensinar e levar assistência a quem precisa.”
Dr. Arthur Costa Santos — Oftalmologista | CRM-SP 177663 | RQE 94260
CINOFT — Responsável técnico: Dr. Yago Costa Andrade — Oftalmologista | CRM-SP 213370 | RQE 109508
Instagram: @arthurcscosta

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