Bella Piero começou no teatro ainda criança e, desde então, passou por diferentes linguagens dentro da atuação. Hoje, além da televisão e do cinema, a atriz também experimenta formatos digitais, como microdramas e novelas verticais. Em entrevista à CARAS Brasil, ela avaliou como essa mudança de plataformas também altera a forma de pensar o próprio ofício.
Para Bella, a atuação acompanha as transformações da sociedade e das tecnologias. Ainda assim, a base que a levou ao palco quando criança permanece como ponto de partida para seus novos trabalhos.
“Posso garantir que a Bella de sete anos que pisou pela primeira vez num palco de madeira, encontra ressonância com a Bella de trinta que acabou de fazer a primeira novela vertical da Globo”, afirma.
A atriz diz que, por trás das diferenças técnicas entre teatro, TV, cinema e digital, existe uma mesma inquietação criativa. Ela também destaca que o trabalho do ator exige estudo permanente.
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“Mas internamente, a raíz da minha paixão, o porque quis ser artista e quero continuar estudando, experimentando, fazendo, parte da mesma fagulha criativa, disruptiva e provocadora. Tudo que nos expande como seres humanos, nos expande como artistas, então realmente é um estudo sem fim!”.
‘A pior pressão é a interna’
Mesmo após personagens marcantes no início da trajetória, Bella afirma que a maior cobrança não vem necessariamente do público. Para ela, o desafio mais intenso está na autocrítica e na necessidade de se permitir errar durante o processo criativo.
“Acredito que a pior pressão na cabeça de uma capricorniana com sete planetas em capricórnio é a interna, ninguém vai me exigir tanto quanto a minha crítica pessoal”, declara.
A atriz conta que tenta transformar essa cobrança em aprendizado. Em sua visão, cada personagem permite acessar novas camadas de si mesma e testar registros diferentes.
“Poder se permitir errar, descobrir novas ferramentas, se questionar, voltar atrás, tentar novamente, acho que são os lugares onde mais crescemos e onde me permito aprender todos os dias”, reflete.

Primeira antagonista abriu novos caminhos
Nos últimos trabalhos, Bella passou a experimentar personagens com registros diferentes dos que marcaram parte de sua carreira, como Flora, em Garota do Momento, novela das seis da Globo exibida entre 2024 e 2025. A atriz avalia que viver sua primeira antagonista na televisão teve um peso importante nesse processo de mudança.
“Foi muito importante a oportunidade de viver a Flora, porque acredito que ela tenha quebrado o estereótipo que fiquei refém por um tempo de realizar personagens considerados ‘vítimas’ da narrativa”, afirma.
Segundo Bella, esse tipo de papel permitiu acessar uma energia nova em cena. Ela destaca que a personagem abriu espaço para mostrar outras possibilidades dentro de sua atuação. “Como artista, foi muito prazeroso poder acessar lugares onde ainda não tinha tido oportunidade de criar”, diz.
Aprendizado com grandes nomes
Ao longo da carreira, Bella trabalhou com artistas que considera referências importantes. Mais do que técnicas específicas, ela diz ter aprendido com esses encontros a importância do compromisso com o trabalho. “Acredito que, o que todas essas referências que citei têm em comum e que me ensinaram, é o respeito e a dedicação incansável ao ofício”, conta.
A atriz também recorda um conselho de Fernanda Montenegro, que marcou sua forma de enxergar a profissão. “Impossível não lembrar do famoso conselho de Fernanda Montenegro, de que se você não fica doente sem pisar em uma tábua de madeira, melhor escolher outro caminho”, relembra.
Para Bella, a carreira artística exige movimento constante. Ela afirma que o ator não pode depender apenas de convites ou escalações para continuar criando. “Aprendi com todas essas referências que se você quer contar uma história, deve se produzir, falar sobre o que você quer e abrir caminho com a própria mão”.
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Atriz defende estudo em meio à era dos números
Em um momento em que redes sociais e audiovisual se cruzam cada vez mais, Bella reconhece a importância da democratização de espaços digitais. No entanto, ela faz uma diferenciação entre popularidade online e formação artística.
“É maravilhoso podermos democratizar espaços, principalmente na internet e entrarmos sim em contato com diferentes perspectivas, vivências e linguagens”, avalia. Apesar disso, a atriz diz ver com preocupação a entrada de pessoas sem preparo técnico em produções audiovisuais apenas por causa da visibilidade nas redes.
“Mas acho realmente muito complicado o mercado audiovisual compreender e comportar pessoas que nunca estudaram para o ofício em suas obras e hoje serem considerados como tal”, afirma.
Bella ressalta que não descarta a possibilidade de criadores de conteúdo se dedicarem ao estudo da atuação e surpreenderem em cena. Ainda assim, defende que o ofício exige profundidade e comprometimento. “O ofício da atuação é complexo, profundo e exige um comprometimento integral”, completa.
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