Com apenas 23 anos de idade, Laura Castro já conquistou feitos que muitos sonham por uma vida inteira. No ano passado, ela se tornou a atriz mais jovem da história a vencer o Prêmio Bibi Ferreira na categoria Melhor Atriz de Musicais por seu papel no espetáculo Meninas Malvadas. Agora, ela volta à cena em 7 Mulheres e um Mistério, montagem que mistura elementos de comédia e farsa. “É sobre mostrar para pessoas jovens como eu que elas também podem chegar lá, que é possível. É seguir seu caminho com verdade, vontade e dedicação”, conta a jovem atriz.

No espetáculo, em cartaz na capital paulista, Laura dá vida a Catarina, uma das personagens mais desafiadoras de sua carreira até o momento. “Tem sido uma experiência muito especial. A Catarina é diferente de tudo que já fiz, a linguagem do espetáculo também é muito diferente. Ela tem um corpo diferente, um olhar diferente, uma voz diferente. É tudo muito exagerado. Contar nessa linguagem de farsa é um grande desafio”, explica. No elenco, ela contracena com nomes como Letícia Soares (43) e Stella Miranda (75), o que torna a experiência ainda mais valiosa. “O melhor é estar ao lado dessas atrizes. É surreal o aprendizado. Elas são incríveis, são atrizes que admiro muito. Eu sou a mais nova ali, então absorver toda a experiência de carreira e de vida delas é muito positivo. É um lugar de acolhimento e de troca. Eu aprendo e me divirto”, revela.

Dona de voz poderosa e com facilidade para comover o público por meio do drama, no espetáculo Laura desbrava novas facetas artísticas e se vê diante do desafio de fazer a plateia rir. “O humor é mais difícil do que drama. Existe um timing, um jogo, são muitos elementos ao mesmo tempo. Se você demora um pouco para arremessar a bola, ela já cai. Você não pode deixar a peteca cair em momento algum. Você tem que saber a hora de dar mais ou menos de si. Cada espetáculo é diferente, o público é diferente também. Você precisa estar sempre sensível ao ambiente”, explica a atriz.

Passado quase um ano após sua vitória em uma das maiores premiações de teatro nacional, Laura segue com os pés no chão e focada em dar o seu melhor. “Eu continuo sendo a mesma pessoa, buscando as mesmas coisas”, garante ela. “Poder vencer o Bibi foi incrível, mas foi aquele momento de ‘me belisca’, sabe? Será que aquilo estava acontecendo mesmo? Demorou muito para cair a ficha. Foi muito significativo para mim. Alguns anos atrás, eu sonhava em estar lá na plateia e agora, não somente fui convidada, como venci! Foi por um trabalho muito simbólico. Primeira atriz negra a interpretar a Cady e a mais jovem a vencer o prêmio”, destaca ela, que torce para que sua trajetória sirva de inspiração para outras meninas. “A mensagem que eu espero que minha carreira possa passar para as pessoas é a de acreditar. Ver uma pessoa com quem a gente se identifica chegando a lugares que queremos chegar faz com que a gente crie essa possibilidade. Eu quero que sintam isso quando me virem. Espero que a minha vitória também seja uma vitória para elas. Quero conquistar espaços e abrir espaços”, diz.

Além do prêmio, no início do ano, Laura se viu diante de uma oportunidade irrecusável: se aventurar por trás dos palcos pela primeira vez. Além de atuar e cantar, ela também foi responsável por produzir Magia: o Musical e tomou gosto pelos bastidores do teatro musical, conhecendo os passos para viabilizar a realização de um espetáculo e o esforço que envolve levar novas histórias ao público brasileiro. “O que mudou de lá para cá é que agora também estou do outro lado, querendo produzir. Além de contar histórias, quero viabilizar histórias a serem contadas. Fazer produção tem sido uma descoberta maravilhosa e algo que quero continuar a fazer”, revela.

Seguida por milhares de fãs nas redes sociais, além do sucesso nos palcos e na dublagem, Laura tem ciência de que se tornou uma influência positiva e usa a internet e sua voz para se aproximar do público e revelar um pouco de sua rotina, em especial, o cuidado que tem com as madeixas. “Manter minhas redes ativas é uma forma de me aproximar das pessoas que conhecem meu trabalho e me conhecem. Adoro cuidar do meu cabelo, é muito simbólica minha relação com ele”, conta a atriz. Durante a infância e a adolescência, aliás, Laura enfrentou dificuldades para lidar com os cachos, mas hoje sabe da importância de celebrar sua coroa em forma de fios. “Por anos, eu tive dificuldade de ver beleza e aceitar ele, mas hoje é a parte que mais amo em mim. Isso foi um processo de crescimento de autoestima muito forte”, relembra. “Sei que muitas meninas pretas precisam ver isso ainda, enxergar essa beleza. Exaltar a beleza do meu cabelo é exaltar a beleza de outras meninas que se parecem comigo”, destaca ela. Hoje, após superar a relação com o espelho, ela encara como uma verdadeira missão o ato de falar sobre o cabelo. “Vai muito além de futilidade, de estética. É sobre autoconhecimento. É sobre enxergar quem você é, sua ancestralidade”, conclui a estrela.