Aos 15 anos, Renata Kuerten, 37, ouviu de um olheiro que precisava “nascer de novo” para ser modelo. O comentário, que poderia ter colocado fim ao sonho de seguir carreira na moda, acabou ficando para trás diante da determinação da jovem. Nascida em Braço do Norte, Santa Catarina, ela foi descoberta aos 13 anos durante um concurso de beleza e, desde então, construiu uma trajetória internacional nas passarelas e em campanhas publicitárias.
Mais de duas décadas depois, Renata também consolidou seu espaço na televisão. Em 2015, estreou como apresentadora e, ao longo dos anos, passou por diferentes formatos até chegar ao Esquadrão da Moda, do SBT, que assumiu em 2022 na co-apresentação. Em 2025, celebrou dez anos de carreira na televisão.
Mãe de Lorena, fruto do relacionamento com o advogado Beto Senna, com quem oficializou a união em maio de 2025, Renata também passou a enxergar a carreira e a vida de outra maneira após a maternidade. Em conversa com a CARAS Brasil, a apresentadora relembra os primeiros desafios profissionais, fala sobre as mudanças provocadas pela chegada da filha, comenta o impacto da tecnologia na moda e revela o desejo de comandar um programa com sua própria identidade.
Renata Kuerten lembra os desafios do início da carreira
O início da carreira de Renata foi marcado por situações que poderiam ter feito a adolescente desistir do sonho de ser modelo. Aos 15 anos, depois de ouvir de um olheiro que precisaria “nascer de novo” para conseguir trabalhar na área, ela precisou lidar muito jovem com uma rejeição que colocava em dúvida seu futuro profissional. Hoje, depois de mais de 20 anos de trajetória, a apresentadora olha para aquela menina com orgulho e reconhece a importância de sua persistência.
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“Se eu pudesse encontrar aquela menina de 15 anos hoje, a primeira coisa que diria é: ‘Acredite em você e continue, porque você ainda vai viver coisas que nem consegue imaginar.’ Naquela época, eu estava simplesmente vivendo um sonho e não tinha dimensão de tudo o que aquela escolha representaria na minha vida. Hoje, olhando para trás, percebo o quanto aquela menina já era corajosa, determinada e disciplinada. Ela não sabia exatamente onde chegaria, mas tinha uma certeza: queria trabalhar, aprender e aproveitar as oportunidades que aparecessem”, conta a famosa.
“Com muita dedicação, disciplina e alguns tropeços pelo caminho, ela conseguiu transformar aquele sonho em uma carreira, e mais do que isso, transformar a realidade dela e da própria família. Tenho muito orgulho dela e sou, principalmente, muito grata por ela ter acreditado, mesmo quando tudo ainda parecia tão distante”, acrescenta.
“Desde muito jovem, também entendi a importância de estudar, me preparar e levar meu trabalho a sério. A moda me ensinou muito: a me posicionar, a lidar com diferentes pessoas, a me comunicar melhor e a ter mais segurança diante das câmeras. Tudo isso se tornou uma bagagem que carrego até hoje. Acho que a Renata que sou hoje é, em grande parte, resultado daquela menina que teve coragem de sonhar e correr atrás”, afirma Renata.

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Da solidão em Paris às viagens com a filha
Ainda adolescente, Renata precisou amadurecer rapidamente. Aos 16 anos, ela foi para Paris sozinha, sem falar inglês, e chegou a ligar chorando para a família porque queria voltar para casa. A experiência, porém, acabou se tornando uma das principais lições de sua formação pessoal e profissional.
Anos depois, já mãe de Lorena, a relação com as viagens ganhou outro significado. A experiência de estar longe de casa durante a adolescência deu lugar a uma nova perspectiva, agora marcada pela vontade de compartilhar descobertas e criar memórias ao lado da filha.
“Aquela experiência aos 16 anos me ensinou muito. Eu realmente pensei em desistir e voltar para casa, mas, de alguma forma, aquela menina conseguiu encontrar força e resiliência para continuar. Hoje percebo o quanto aquele momento foi importante para me tornar quem sou”, declara.
“A maternidade, por sua vez, trouxe uma outra maturidade e me fez repensar muitos aspectos da minha vida. Precisei desaprender a pressa, a cobrança excessiva e a ideia de que preciso controlar tudo. Aprendi a organizar melhor meus compromissos, a estar mais presente e, principalmente, a valorizar os pequenos momentos com a minha família. Sou uma pessoa muito ligada à família, então viajar com eles hoje tem um significado diferente. É mais do que descansar ou conhecer um lugar novo: é criar memórias, fortalecer nossos laços e viver experiências que ficam para a vida inteira”, complementa.
“Quando estou viajando a trabalho e a Lorena não está comigo, procuro estar muito conectada à rotina dela e saber como ela está. Tenho uma rede de apoio muito importante, que me permite trabalhar com tranquilidade e estar presente mesmo à distância. Agora, acho que entendo melhor que não preciso estar em todos os lugares ao mesmo tempo. O mais importante é aproveitar de verdade o tempo que temos juntos e colecionar essas memórias, que, no fim, são o que realmente fica”, destaca a apresentadora.
Kuerten analisa o impacto da tecnologia na moda
Com mais de duas décadas de experiência na indústria fashion, Renata acompanhou mudanças profundas no mercado, desde a transformação das campanhas e das passarelas até a chegada de novas tecnologias. A inteligência artificial passou a ocupar espaço em diferentes etapas da produção de conteúdo e também levantou discussões sobre os limites entre o trabalho humano e as novas ferramentas.
A discussão ganhou novos contornos recentemente com o Vogue World, em Milão, que contou com quatro robôs humanoides desfilando ao lado de modelos. Para Renata, que conhece a indústria a partir de diferentes perspectivas, a tecnologia deve modificar parte do setor, mas não necessariamente substituir o elemento humano que existe por trás da moda.
“Acredito que a tecnologia e a inteligência artificial vão transformar alguns aspectos da moda, e podem ser ferramentas muito interessantes para ampliar possibilidades e agilizar processos. Mas não acredito que substituam aquilo que existe de mais humano na moda: presença, personalidade, emoção e capacidade de contar histórias”, opina a artista.
Renata continua: “Depois de mais de 20 anos na indústria, percebo também uma valorização cada vez maior do que é real e autêntico. Depois de um período em que a estética extremamente perfeita dominou, existe hoje uma busca maior por identificação. As pessoas querem ver personalidade, emoção, histórias reais e até imperfeições. A moda também passou a ser muito mais sobre expressão. Uma roupa comunica quem somos, como nos sentimos e como queremos ocupar os espaços. E isso é algo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir completamente”.
“No fim, acredito que uma imagem marcante não é necessariamente a mais perfeita, mas aquela que transmite algo de verdade. O que permanece é a capacidade de gerar emoção, identificação e conexão genuína. E essa presença humana, para mim, continua sendo insubstituível”, completa.
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Maternidade muda relação com a carreira
A chegada da filha Lorena também trouxe mudanças na forma como Renata enxerga a própria carreira. Depois de retornar ao trabalho poucos meses após o nascimento da filha, a apresentadora precisou encontrar um equilíbrio entre a rotina profissional e a maternidade, além de lidar com sentimentos comuns a esse período, como culpa e saudade.
Com o tempo, ela passou a compreender que estar presente na vida da filha não significa necessariamente estar ao lado dela em todos os momentos. Para Renata, também existe valor em preservar a própria identidade, os projetos profissionais e os momentos individuais.
“A chegada da Lorena mudou muito a minha forma de enxergar o trabalho e, principalmente, a cobrança de ter que dar conta de tudo. Ela é a minha maior alegria e uma realização muito profunda, mas a maternidade também me ensinou que não precisamos ser perfeitas o tempo todo. Voltei a trabalhar poucos meses depois do nascimento dela e, no começo, foi um período de muitas emoções. Precisei aprender a lidar com a culpa, com a saudade e com aquela sensação de que poderia estar fazendo mais, tanto como mãe quanto como profissional. Com o tempo, entendi que ser uma mãe presente não significa estar o tempo inteiro ao lado dela, mas estar verdadeiramente presente nos momentos que compartilhamos”, comenta.
“Uma das coisas que fiz questão de não abrir mão foi de continuar sendo a Renata além da mãe. Continuar trabalhando, cuidando de mim, tendo meus projetos e também meus momentos individuais me faz bem e hoje entendo que isso também é importante para a Lorena. Quero que ela cresça vendo uma mãe realizada, que ama profundamente a filha, mas que também tem sonhos, interesses e uma vida própria. Hoje tenho uma relação muito mais leve com a minha vida profissional. Continuo apaixonada pelo meu trabalho, mas aprendi a respeitar meus limites e, principalmente, a entender que pedir ajuda não diminui o meu papel como mãe. Tenho uma rede de apoio e sei que cuidar de mim também é uma forma de cuidar dela”, revela.

Após dez anos na TV, Renata Kuerten sonha com programa próprio
Em 2025, Renata completou uma década de carreira na televisão. Desde a estreia como apresentadora, em 2015, ela passou por diferentes formatos e teve contato com áreas distintas do entretenimento, da moda aos realities. Cada experiência contribuiu para ampliar seu repertório diante das câmeras e também para definir a profissional que deseja ser.
Hoje, depois dessa fase, Renata já consegue identificar o que gostaria de explorar em uma próxima etapa. Mais do que assumir um novo formato, ela sonha em construir um programa que tenha sua personalidade e permita conversas que ultrapassem o entretenimento.
“Cada experiência me ensinou uma coisa diferente. O entretenimento me ensinou a ter jogo de cintura e a lidar com o inesperado, os programas de moda me deram ainda mais repertório sobre imagem, comportamento e autoestima, e os realities me ensinaram muito sobre escuta, improviso e sobre entender as pessoas além do que aparece na câmera”, afirma ela.
“Acho que, ao longo desses dez anos, fui entendendo que ser apresentadora vai muito além de saber falar bem. É preciso saber ouvir, criar conexão e estar presente de verdade, porque cada formato exige uma postura diferente. É um dos meus grandes sonhos criar um programa com a minha identidade, que reflita meus valores, minha história e, principalmente, que tenha uma conexão verdadeira com o público. Gostaria de criar um espaço para conversas leves, mas que também tenham profundidade e tragam assuntos que fazem parte da vida real das pessoas. E que eu possa inserir a moda também, que faz parte da minha trajetória”, projeta a comunicadora.
“Quero que as pessoas se sintam representadas”
Por fim, Renata Kuerten explica como gostaria que fosse uma atração própria: “Seria um programa em que eu pudesse conversar, ouvir, trocar experiências e também aprender com cada convidado. Quero que as pessoas se sintam representadas e, ao mesmo tempo, saiam de cada conversa com alguma reflexão, inspiração ou simplesmente com a sensação de terem vivido um momento gostoso diante da televisão”.
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