O mercado do entretenimento exige, cada vez mais, que os profissionais multipliquem suas habilidades nos bastidores. Certamente, o multifacetado Ricardo Cônti é o reflexo exato dessa nova era da comunicação brasileira. Com quase 30 anos de uma carreira sólida no teatro, cinema e televisão, o artista vive atualmente uma fase de intensa ebulição profissional. Recentemente, ele gravou uma participação especial na sétima temporada de Impuros, que será lançada em 2027 pela plataforma Disney+. Além disso, ele assumiu a responsabilidade de preparar os artistas do Boi Caprichoso para o Festival de Parintins.

Ricardo Cônti analisa os desafios de manter a identidade artística

Diante de tantos projetos simultâneos, o diretor e preparador de elenco explica como consegue transitar por tantas funções diferentes sem perder a sua própria identidade artística. Para ele, todos os indivíduos vão criando as motivações necessárias para desempenhar seus papéis no mundo. Cônti ressalta que os artistas são apaixonados e corajosos no desafio diário do trabalho.

Pela necessidade de sobrevivência e pela paixão visceral pela arte, esses profissionais adquirem a habilidade de plantar sementes em diversas frentes de trabalho. De acordo com o diretor, a assinatura artística individual acaba se sobrepondo de forma natural nesse processo de diversificação. “Tudo é atravessado por um lugar de criação que nos transcende e quando vemos, está lá, como a nossa digital”, reflete.

Com a experiência de quem acompanha de perto a evolução cultural do país, o artista analisa as profundas transformações no ofício. Muita coisa mudou com a chegada de novas linguagens, da internet, dos celulares e do crescimento do streaming. Essas tecnologias alteraram o tempo de atenção do público e trouxeram um volume ilimitado de conteúdos. Diante desse cenário tecnológico desafiador, a maior mudança para o actor contemporâneo é a necessidade de ser criador e empreendedor.

Contudo, o diretor pondera que a essência da profissão permanece inalterada diante das telas. “O que continua igual é exatamente a necessidade humana da arte, de bons espetáculos teatrais, onde o ator se encontrou com o seu público, de bons filmes, manifestações culturais. Em tempos tão virtuais e de inteligência artificial, um ator em cena pode ser um raro momento de reflexão individual e coletiva”, defende.

Ricardo Cônti revela bastidores de Gustavo Mioto no Globoplay

Diego (Gustavo Mioto e Cindy (Maya Aniceto) em ‘Cinderela e o segredo do Pobre Milionário’ — Foto Rede Globodivulgação

Essa habilidade técnica foi colocada à prova recentemente em um projeto de tiro curto da plataforma Globoplay. Ricardo Cônti foi o profissional responsável pela preparação cênica do cantor sertanejo Gustavo Mioto e da atriz Maya Aniceto. Os dois protagonizam a série vertical “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”. Por se tratar de uma produção de formato micro, o processo de ensaios precisou ser extremamente dinâmico e veloz. O diretor revela que a equipe teve apenas dois dias de leituras e preparação intensiva antes do início oficial das gravações.

Ainda assim, o período foi suficiente para propor dinâmicas eficientes de entrosamento, reconhecimento e intimidade cênica para o casal de protagonistas. O preparador não poupa elogios ao comportamento do cantor sertanejo nos bastidores desse novo desafio na atuação. Ele destaca o humor, a humildade e o potencial criativo de Mioto como fatores determinantes para o sucesso da parceria.

O músico demonstrou grande respeito pelo trabalho de preparação e chegou a agradecer publicamente a Cônti e ao autor Ricardo Hofstetter de cima do palco, durante um show realizado no Rio de Janeiro. “Está sempre descontraindo e “jogando” com a Maya cenicamente e ela topando, formaram assim um belo dueto”, elogia o profissional.

A grande responsabilidade nos bastidores do Boi Caprichoso

Atualmente, o foco do diretor está voltado para uma das maiores manifestações culturais do planeta. Ricardo Cônti está trabalhando diretamente na preparação cênica dos itens oficiais do Boi Caprichoso para o Festival de Parintins. O artista explica que a experiência na festa amazonense é completamente diferente de tudo o que ele já vivenciou na carreira. O espetáculo une folclore, as tradicionais toadas e grandes performances coreográficas no meio de uma arena com alegorias gigantescas.

Para ele, a experiência mais próxima desse nível de grandiosidade foi sua atuação na direção artística do Natal Luz de Gramado, no ano de 2017. O trabalho em Parintins exige lidar com um espetáculo de duas horas e meia de duração, apresentado para 30 mil pessoas durante três noites seguidas. “Muita responsabilidade e experiência única em todos os sentidos para mim”, garante.

A carreira internacional em Portugal e o mercado europeu

Além do trabalho no Brasil, o profissional acumula uma rica bagagem internacional, tendo vivido os últimos oito anos na Europa. Durante esse período, ele trabalhou como assistente do renomado Doc Comparato em Barcelona, estudou em Londres e atuou no Teatro da Trindade, em Lisboa. Desde 2024, o diretor retornou ao mercado de Portugal para assumir a direção dos musicais infantis da produtora Plano 6.

Atualmente, ele está escrevendo a comédia “Toalete”, encomendada por produtoras locais, com planos futuros de trazer a montagem para os palcos brasileiros. Cônti destaca que o público português consome muito teatro e valoriza imensamente os artistas do Brasil. No entanto, ele lamenta o fato de o público brasileiro ainda desconhecer o real valor dos grandes artistas de Portugal.

Ricardo Cônti aponta o erro mais comum de atores iniciantes na TV

Paralelamente aos palcos e sets de filmagem, o diretor se dedica ao ensino e à formação de novos talentos do audiovisual. Ele ministra um curso de sucesso ao lado do ator Heitor Martinez na CAL, no Rio de Janeiro, e na Escola Superior de Artes Célia Helena, em São Paulo. A metodologia do curso nasceu de sua longa experiência como pesquisador de elenco dentro da TV Globo.

Ao analisar os principais obstáculos enfrentados por quem está começando na carreira cinematográfica, o especialista faz um alerta importante. De acordo com o preparador, o erro mais comum dos atores iniciantes é a comparação constante com os outros. Esse comportamento nocivo nasce diretamente da insegurança, da falta de experiência e da incompreensão do próprio perfil artístico. “Algo que só o treinamento, só a prática pode trazer”, conclui.

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