A chegada de novos talentos ao horário nobre da televisão brasileira frequentemente renova as narrativas dos folhetins diários. Atualmente, o ator João Victor Gonçalves vivencia a realização de um grande marco profissional. O artista integra o núcleo central da novela Quem Ama Cuida, exibida na faixa das 21h da TV Globo. Na história, o jovem interpreta o sensível Mau Mau, personagem que enfrenta conflitos familiares intensos sobre aceitação e identidade. O rapaz divide os estúdios de gravação com nomes consagrados como Isabella Garcia, Letícia Colin e o veterano Tony Ramos.

A trajetória do profissional no universo artístico começou cedo. O jovem iniciou seus estudos teatrais com apenas 9 anos de idade. Ao longo de mais de uma década, ele acumulou participações em espetáculos da companhia Os Menestréis. No ano de 2021, o profissional fez sua estreia no audiovisual na série Mila no Multiverso, exibida no Disney+. Posteriormente, em 2025, ele esteve em cartaz nos palcos de São Paulo com o espetáculo Marighella – O Homem que Não Tinha Medo.

O contraste entre os palcos e o set de filmagens

Ao analisar o início de sua trajetória no horário nobre, o artista detalha como a bagagem construída no teatro interfere diretamente em sua segurança técnica diante das câmeras do Projac:

“Tudo que eu aprendi no palco faz diferença nas gravações da novela. O teatro é o grande pai de todas as cenas, o contato pessoal olho olho do ator com a plateia ensina a comunicar o sentimento e a cena da forma mais despida. Quando estou no set, ter a câmera num ângulo que favorece, uma iluminação perfeita, trilha sonora que ajuda a aprofundar a cena fica muito mais fácil, tudo está ao meu favor, no palco não, no palco é aquilo na hora sem chances de voltar e refazer. Então essa humanidade essa crueza da cena me ajuda muito estar pronto para qualquer coisa na gravação.”

O conselho de Tony Ramos e o verdadeiro sentido da profissão

Durante os primeiros dias de gravação nos estúdios da emissora, uma conversa sincera com o elenco veterano sobre a instabilidade da audiência nos novos formatos digitais transformou a percepção do jovem actor:

“Logo no início das gravações, em uma conversa com alguns colegas, estávamos falando sobre o medo do ibope com esses novos formatos e que ser ator não era mais como antes. Hoje é muito mais desafiador e temos que competir com vários formatos. Então o grande Tony Ramos contou uma história de que foi reconhecido por uma senhora no mercado, acompanhada de sua cuidadora, e ela falou: ‘Minha cuidadora vai embora às 20h e você é o meu melhor amigo todos os dias. Espero ansiosa para te encontrar na televisão e me fazer companhia’. Quando o Tony contou isso, mudou tudo… Não é sobre fama, sobre sucesso em número, luxo ou coisas do tipo. É sobre tocar a vida e transformar a vida dessas pessoas. É poder entrar na casa de milhões de brasileiros sem pedir licença…”

A evolução do personagem e a fuga de esteriótipos

A respeito da construção do sensível Mau Mau, o intérprete detalha o processo de ensaios e revela o que o público pode esperar com a iminente virada de fase cronológica na história:

“Acredito que ainda não encontrei. Estamos bem no início da novela e o Mau Mau vem surgindo de diferentes formas todos os dias. Eu enxergo o personagem como um ser vivo. Cada cena nova, cada acontecimento transforma esse garoto, assim como nos transforma. Agora, com a chegada da segunda fase da novela, tudo fica ainda mais interessante, mais um Mau Mau vai surgir. Agora mais velho, com novas questões e muitas coisas para criar junto com a nossa direção! Mas o Mau Mau que vocês estão assistindo agora surgiu na sala de ensaio junto com o Téo Lanna, nosso preparador de elenco. Lá buscamos a fuga dos estereótipos e os possíveis pontos de conexão entre ele e o público.”

O sonho da infância e o medo do futuro

Questionado sobre o que diria para si mesmo se pudesse voltar ao passado, o jovem reflete sobre as dificuldades do início da carreira e a persistência necessária para não abandonar a profissão:

“Sim… o João de 9 anos nunca iria imaginar estrear na televisão na novela das 21h, ter Isabella Garcia, Tony Ramos e Letícia Colin como família… São sonhos que a gente realiza, mas que, quando sonhávamos, não pareciam possíveis. O João de 9 anos talvez não acreditasse que, com todas as dificuldades, ele não desistiria.”

Em relação à possibilidade de descobrir com antecedência os rumos de sua carreira ou o sucesso de seus próximos trabalhos artísticos, o actor confessa que prefere manter o foco estritamente no aprendizado diário:

“Eu certamente não assistiria, kkkk. Apesar de muito ansioso, eu sei que só cheguei aqui hoje, dando essa entrevista para a CARAS, fazendo um personagem de grande importância no maior produto da televisão brasileira e tendo esse grande reconhecimento, porque não sabia o meu próximo passo. Eu precisei viver cada dia e aprender com cada tombo. Isso não aconteceria se eu soubesse o que vai acontecer. Então, ficar sem saber faz com que eu me desafie e siga batalhando para conquistar cada novo espaço.”

A transmídia e o formato de cinema na TV aberta

Por fim, o artista elogia a dinâmica de trabalho adotada pela equipe de direção e celebra o uso de estratégias interativas que aproximam os telespectadores da narrativa tradicional do folhetim:

“Nossa novela está dando uma aula de como se adaptar. Todos os dias nós entregamos um filme novo para o espectador. A nova linguagem dos streamings vem para desafiar o melodrama e nossa direção está fazendo esse trabalho de forma majestosa! Sem contar todas as conexões na internet. Hoje o nosso público quase que está ali presente na história, escrevendo junto com os autores. Isso é um trabalho de transmídia incrível que a Globo tem feito.”

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