Prestes a completar 40 anos de carreira, Marcos Frota (69) revisita uma trajetória marcada pela televisão, pelo cinema, pelo teatro e, principalmente, pelo circo.
Durante a visita da CARAS TV aos bastidores do espetáculo Alegria, do Cirque du Soleil, em São Paulo, o ator falou sobre os caminhos que percorreu e os aprendizados que acumulou ao longo dos anos.
A relação de Marcos com o circo começou ainda na infância, quando ele teve contato com um espetáculo que passou pela cidade de Guaxupé, em Minas Gerais, onde foi criado. Anos depois, já na televisão, a paixão ganhou novos contornos durante a novela Cambalacho, de 1986, na qual interpretou um trapezista.
“Eu fui criado numa cidade muito pequena chamada Guaxupé, em Minas Gerais. Um dia um circo passou lá. Eu morava na fazenda. Quando eu entrei no circo, eu tive um… Sei lá, um sentimento que eu não tinha experimentado ainda”, relembrou.
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Paixão pelo trapézio
O contato com a dramaturgia acabou aproximando ainda mais Marcos da arte circense. Ao chegar à Globo, ele pediu para participar de uma novela que tivesse o circo como tema. “Cheguei na Globo, pedi para fazer uma novela sobre o circo. A novela foi Cambalacha, eu era um trapezista e nunca mais parei”, contou.
A paixão pelo trapézio, entretanto, deu lugar a uma atuação mais ampla dentro do universo circense. Hoje, aos 69 anos, Marcos não se apresenta mais no trapézio, mas segue ligado à atividade como uma espécie de mestre de cerimônia e embaixador da arte.
“Hoje eu sou uma espécie de mestre de cerimônia do espetáculo que eu participo. Sou uma espécie de embaixador dessa arte. Sou convidado para ir para festivais de circo no mundo inteiro”, explicou.

Os erros também fizeram parte da trajetória
Ao olhar para as quatro décadas de carreira, Marcos também reconhece os equívocos cometidos ao longo do caminho. Para ele, manter o foco é um dos grandes desafios de quem trabalha com arte.
“Errei muito, aprendi muito, sabe? Muitos equívocos. A carreira da gente tem muitas cascas de banana, tem muita armadilha. Se você não foca, você escorrega e cai”, afirmou.
O ator ainda citou a dispersão e a ideia de que o sucesso seria permanente como alguns dos aprendizados que acumulou. “Ficar disperso, achar que o sucesso é pra sempre, entendeu? O sucesso é de todo dia, toda hora”, refletiu.
A experiência também mudou sua maneira de enxergar a profissão. Para Marcos, o trabalho do ator exige disponibilidade para servir à história e ao personagem.
“O ator não tá aqui pra cultuar a sua personalidade, alimentar o seu ego. A gente tem que estar o tempo todo com as mãos vazias, pronta, disponível para o personagem que virá”, declarou.

De volta à atuação
Mesmo com uma trajetória profundamente ligada ao circo, Marcos deixa claro que a televisão, o cinema e o teatro continuam fazendo parte de sua identidade profissional. Atualmente, ele viveu Valdemar na série Jogada de Risco, marcando seu retorno à dramaturgia.
“O teatro, a televisão e o cinema são a minha profissão. É a minha escolha. Então eu morro de saudade”, afirmou.
Para o ator, voltar aos estúdios também significa reencontrar uma atmosfera que conhece há décadas. “Eu agora na Jogada de Risco, os corredores, os colegas, o clima, a atmosfera. Quer dizer, você tá numa equipe com direção artística, com direção de arte, com figurino, com maquiagem”, comentou.
Aos 69 anos, Marcos encara essa nova fase sem a sensação de que chegou ao fim de um ciclo. Pelo contrário: ele afirma se sentir como se estivesse começando novamente.
Ao completar quatro décadas de carreira, a perspectiva de Marcos é justamente a de continuar em movimento. “Hoje eu chego na plenitude do meu trabalho, com a vontade de dizer isso, estou começando de novo. Estou começando todos os dias, de todas as formas”, declarou.
Assista a entrevista completa:

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