Lucas Malvacini, 36, construiu uma trajetória na televisão brasileira como ator e modelo, mas, nos últimos anos, passou por uma profunda mudança de estilo de vida e propósito. Entre 2022 e 2023, o famoso, que ganhou destaque na TV Globo como Anjinho, da novela Amor à Vida (2013), viveu uma fase difícil, na qual enfrentou um processo depressivo silencioso, ganhou cerca de 10 quilos e perdeu a autoestima. A experiência fez com que começasse uma reconstrução pessoal e buscasse novas formas de cuidar do corpo e da mente.

“A televisão e a moda foram importantes para a minha trajetória e me deram experiências que levo comigo até hoje. Tive a oportunidade de conhecer pessoas, lugares e realidades muito diferentes das minhas. Sou muito grato por tudo o que vivi nesse período. Foram caminhos essenciais para quem eu me tornei, mas, com o tempo, percebi que precisava buscar outras coisas além da imagem e da carreira”, revela em entrevista à CARAS Brasil.

A mudança de Lucas Malvacini

Segundo Lucas, a transformação não aconteceu de maneira repentina, mas surgiu de uma necessidade de rever a própria vida.

“Foi um processo, mas essa transformação nasceu, principalmente, de uma necessidade. Em determinado momento, percebi que a vida que eu estava levando já não fazia sentido para a pessoa que eu queria ser. Entre 2022 e 2023, passei por um período muito difícil. Estava vivendo um processo depressivo silencioso, tinha ganhado cerca de 10 quilos, perdido a autoestima e a confiança em mim mesmo. Eu estava me sentindo desconectado de mim, da minha rotina e até da minha própria imagem”, declara o ator.

Lucas continua: “Entendi que precisava parar de buscar respostas do lado de fora e começar a reconstruir minha vida a partir de dentro. Comecei a olhar para os meus hábitos, para a forma como estava cuidando de mim e, principalmente, para as escolhas que fazia todos os dias. A mudança começou no básico e foi acontecendo aos poucos, até se transformar em uma nova maneira de enxergar a vida”.

Autoestima

A partir dessa transformação, Malvacini passou a olhar de outra maneira para a relação consigo mesmo e encontrou na disciplina uma ferramenta para reconstruir a autoestima.

“Mudou principalmente a forma como eu me relaciono comigo mesmo. Antes, eu buscava muito fora de mim as respostas para me sentir bem, e hoje entendo que grande parte disso começa nas escolhas que faço todos os dias. Passei a ter mais consciência sobre meu corpo, minha mente, meus hábitos e sobre como quero conduzir a minha vida”, diz ele.

“Também descobri o valor da disciplina. Quando você começa a cumprir pequenas promessas que faz para si mesmo, vai reconstruindo a confiança e a autoestima. Correr, treinar, cuidar da alimentação, dormir melhor, ficar sem álcool, meditar, trabalhar a respiração… São coisas que, isoladamente, parecem pequenas, mas, quando se tornam consistentes, mudam completamente a forma como você se sente. Hoje tenho muito mais clareza, energia e presença”, complementa.

Lucas Malvacini muda rotina em nova fase pessoal - Foto: Jaime Leme (@jaimeleme)
Lucas Malvacini muda rotina em nova fase pessoal – Foto: Jaime Leme (@jaimeleme)

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Como nasceu a Rotina dos Lanús

A experiência pessoal deu origem à Rotina dos Lanús, movimento que reúne hábitos e práticas voltados ao bem-estar, à performance e ao desenvolvimento humano.

“A Rotina dos Lanús surgiu de uma necessidade muito pessoal de organizar tudo aquilo que estava me fazendo bem. Eu comecei a experimentar diferentes práticas, estudar, viajar, conhecer outras culturas e perceber o impacto que pequenos hábitos tinham no meu corpo e na minha mente. Com o tempo, fui criando uma rotina que funcionava para mim. Ela reúne seis pilares que fazem parte da minha rotina: jejum, movimento, exposição ao frio, respiração e meditação, leitura e uma mentalidade baseada em princípios do estoicismo. Não vejo como uma fórmula pronta, mas como um conjunto de ferramentas que venho estudando, praticando e compartilhando ao longo desse processo”, explica.

Lucas Malvacini destaca: “O termo “Lanú” vem da filosofia tibetana e significa “discípulo” ou “aprendiz”, alguém que está trilhando um caminho de aprendizado e crescimento. Me identifiquei muito com esse conceito porque, para mim, wellness também passa por isso: estar sempre disposto a aprender, experimentar, observar e evoluir”.

Experiência que virou aprendizado

O que começou como uma experiência individual também passou a alcançar outras pessoas. Lucas decidiu transformar os aprendizados em uma metodologia e criou a Lanú.Lab, uma imersão de alta performance física, mental e emocional.

“Porque eu percebi que aquilo que estava transformando a minha vida poderia fazer sentido para outras pessoas também. Quando comecei a compartilhar essa experiência, outras pessoas passaram a me procurar contando que também estavam tentando mudar seus hábitos, recuperar a disciplina ou simplesmente ter uma relação melhor com a própria rotina. Foi aí que entendi que existia algo maior do que a minha experiência pessoal.”

“A partir daí, a Rotina dos Lanús também ganhou um desdobramento presencial com a criação da Lanú.Lab, uma imersão de alta performance física, mental e emocional. É uma oportunidade de tirar essas práticas da rotina individual e vivenciá-las em comunidade, em contato com a natureza e com outras pessoas que também estão buscando transformação. Esse ano tivemos a 2ª edição na Chapada dos Veadeiros (GO) e já estamos com a 3ª edição programada para março de 2027 em Fernando de Noronha”, comenta o artista.

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Os seis pilares da rotina

As práticas que hoje fazem parte da Rotina dos Lanús foram incorporadas por Lucas em diferentes momentos de sua transformação.

“Cada prática entrou na minha rotina em um momento diferente e teve um papel específico nesse processo. O primeiro hábito que adotei foi o banho frio. Parece algo simples, mas ele se tornou um compromisso diário comigo mesmo. Todos os dias, ao acordar, eu entrava na água fria sem negociar. Foi uma das primeiras práticas que me ensinou, na prática, o valor da disciplina: fazer algo mesmo quando você não está necessariamente com vontade.”

“Depois, outras práticas foram entrando e ganhando significado. A corrida fortaleceu minha resistência física e mental. O breathwork mudou muito a minha relação com a ansiedade e o estresse. A meditação trouxe mais clareza e presença. A leitura passou a ser uma forma de expandir meu repertório e continuar aprendendo, enquanto o jejum, tanto de telas quanto de alimentos, me ensinou a lidar melhor com a escassez e a não precisar responder imediatamente a todos os impulsos. Eles foram surgindo daquilo que eu experimentava, estudava e percebia que fazia sentido para a minha vida”, ressalta.

Para Lucas, wellness passou a representar uma maneira de viver que vai além da alimentação ou da prática de exercícios: “Hoje, wellness representa uma forma de viver. Não é apenas treinar, comer bem ou ter uma rotina saudável. É entender que corpo, mente, emoções e até a forma como nos relacionamos com o mundo estão conectados. É ter energia para viver, clareza para fazer escolhas e presença para realmente estar nas experiências. Depois de tudo que vivi, percebi que cuidar de mim é uma responsabilidade que tenho comigo mesmo”.

Foto: Jaime Leme (@jaimeleme)
Foto: Jaime Leme (@jaimeleme)

Ciência, espiritualidade e performance

A nova fase profissional também envolve a conexão entre diferentes áreas relacionadas ao bem-estar. Lucas explica como procura integrar ciência, espiritualidade e performance em seu trabalho.

“Eu tento olhar para esses três aspectos de uma maneira integrada. A ciência me dá ferramentas para estudar e compreender melhor o que estou praticando; a espiritualidade traz uma dimensão mais profunda de presença, propósito e conexão; e a performance entra como consequência de cuidar bem dessas diferentes áreas. No meu trabalho, procuro justamente fazer essa ponte: estudar, experimentar na minha própria rotina e compartilhar aquilo que fez sentido para mim. A Lanú.Lab é um exemplo disso, porque transforma esse conhecimento em uma experiência prática, reunindo movimento, respiração, meditação, exposição ao frio e outras ferramentas em um ambiente de natureza e comunidade.”

Apesar da nova atuação, Lucas não abandona a experiência construída na televisão e na moda. Hoje, ele se define principalmente como um comunicador que encontrou no wellness um novo propósito.

“Acho que hoje sou uma combinação de tudo isso, mas me vejo principalmente como um comunicador que encontrou no wellness um novo propósito. Estou em uma jornada de estudo, prática e aprendizado constante. Viajei por diversos países pesquisando a relação das diferentes culturas com o bem-estar, além disso, realizei o curso de Nutrição Integrativa e Wellness pelo Institute for Integrative Nutrition e sou formado no programa Wim Hof Fundamentals. Quero usar a comunicação para tornar esse conhecimento mais acessível e mostrar que pequenas mudanças de rotina podem abrir caminhos para uma vida mais consciente e equilibrada.”

“Primeiro pare o seu pior hábito”

Ao falar sobre quem deseja mudar de vida, Lucas defende que o processo pode começar justamente pela eliminação de um hábito que esteja atrapalhando a rotina.

“Eu diria para começar pelo mais simples possível, mas também para olhar primeiro para aquilo que está te atrapalhando. Tenho refletido muito sobre isso: quando queremos mudar de vida, nossa primeira reação costuma ser colocar novos hábitos na rotina. Mas, muitas vezes, antes de acrescentar o melhor hábito, é preciso parar o pior. Eu penso que, quando tiramos aquilo que está nos atrasando da nossa mochila, começamos a caminhar de uma forma muito mais acelerada em direção ao sucesso, à prosperidade e à mudança. É diferente de colocar mais uma coisa nessa mochila. Se ela já está pesada, acrescentar o seu melhor hábito pode tornar o processo ainda mais difícil”, conta.

Por fim, Lucas Malvacini reflete sobre a atual fase de sua vida e dá conselho aos admiradores: “Gosto de pensar também na imagem de um tanque. Se eu começar a colocar combustível, mas o tanque está furado, vou precisar colocar combustível o tempo todo para conseguir avançar. É uma luta muito desproporcional. Primeiro, preciso reparar o tanque. Na vida, é a mesma coisa: quando você tira aquilo que está te atrasando, fica muito mais fácil sustentar os novos hábitos e caminhar na direção que deseja. No meu caso, foi o álcool. Quando consegui tirar esse hábito da minha rotina, percebi que estava muito mais preparado para construir um novo estilo de vida. A partir daí, outros hábitos começaram a responder de uma forma muito mais potente. Então, se eu pudesse dar um conselho, seria: primeiro pare o seu pior hábito para depois acrescentar o seu melhor”.

Foto: Jaime Leme (@jaimeleme)
Foto: Jaime Leme (@jaimeleme)