No coração de Londres, em meio à movimentação de uma das capitais mais conhecidas do mundo, o Palácio de Buckingham esconde um refúgio natural que poucos visitantes têm a oportunidade de conhecer. Por trás da residência oficial da monarquia britânica, um jardim de aproximadamente 16 hectares reúne árvores centenárias, flores silvestres, animais e um lago artificial de 1,4 hectare. O espaço, que funciona como um verdadeiro oásis urbano, também guarda uma história curiosa sobre sua construção: o gado teve participação direta na preparação do fundo do espelho d’água.
O lago ocupa uma posição central nos jardins e chama a atenção por suas dimensões, equivalentes a aproximadamente 3,5 acres. Cercado por árvores e vegetação, o espaço possui duas ilhas e serve de habitat para diferentes espécies de aves e insetos. Em uma delas, inclusive, foram identificadas duas espécies de besouros ameaçadas de extinção: o Longitarsus ferrugineus e a joaninha Clitostethus arcuatus.
A história do lago remonta ao século XIX, quando o rei George IV decidiu transformar Buckingham House em um palácio e encomendou uma reformulação dos jardins. O projeto foi conduzido por William Townsend Aiton, que também supervisionava os Jardins Botânicos Reais de Kew. Para impedir que a água escapasse, os trabalhadores revestiram o fundo do lago com argila e utilizaram uma técnica inusitada para compactar o material: permitiram que o gado caminhasse sobre ele, usando os cascos dos animais para pressionar o revestimento.
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O lago de 1,4 hectare e a curiosa participação do gado
A construção do lago foi uma das principais mudanças realizadas nos jardins durante a remodelação promovida por George IV, na década de 1820. A proposta era criar uma paisagem mais naturalista e reservada para a residência real, substituindo parte das características formais que marcavam o antigo projeto.
O espelho d’água foi construído artificialmente e recebeu um revestimento de argila para evitar infiltrações. A técnica utilizada na época chamou a atenção pela participação dos animais no processo. Conforme explicou a Família Real britânica em uma publicação nas redes sociais em 2019, os trabalhadores deixaram que o gado circulasse sobre a argila recém-aplicada para compactá-la com o peso dos cascos.
Com aproximadamente 1,4 hectare, o lago se tornou um dos elementos mais importantes da paisagem. Inicialmente, era abastecido pelo transbordamento do lago Serpentine, localizado no Hyde Park. Atualmente, recebe água de um poço subterrâneo da propriedade, que também integra o sistema de gestão hídrica dos jardins.
O local possui duas ilhas que contribuem para a preservação da biodiversidade. Uma delas abriga colmeias e funciona como refúgio para aves e insetos. A presença de espécies ameaçadas de besouros também demonstra a importância ambiental de uma área verde cercada pela intensa urbanização londrina.
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O jardim real que funciona como um oásis em Londres
Com 39 acres, equivalentes a aproximadamente 16 hectares, o jardim do Palácio de Buckingham é considerado o maior jardim privado de Londres. Apesar de estar localizado em uma região central da capital britânica, o espaço abriga uma variedade de espécies vegetais e animais.
De acordo com o Royal Collection Trust, instituição responsável pela conservação da coleção real e pela administração da visitação às residências oficiais, o local possui mais de mil árvores, 325 espécies de plantas silvestres e entre 20 e 25 espécies de aves que se reproduzem na área.
Entre as árvores estão 98 plátanos e 85 espécies diferentes de carvalhos. Duas árvores particularmente conhecidas foram plantadas há mais de 160 anos pela rainha Victoria e pelo príncipe Albert. Elas receberam os nomes Victoria e Albert e se tornaram parte da paisagem histórica da propriedade.
Outro destaque é o canteiro herbáceo, que se estende por 156 metros e reúne diferentes espécies de flores e plantas ornamentais. O jardim também possui um roseiral, um prado de flores silvestres e uma casa de verão coberta por glicínias.
A preocupação com a biodiversidade transformou o espaço em um importante ambiente de preservação. Uma política de manutenção da grama mais alta nas margens do lago favorece a vegetação natural e oferece condições para a reprodução de aves aquáticas. Entre os animais que frequentam o local estão diferentes espécies de pássaros, morcegos e insetos.

Abelhas produzem mel para a cozinha do Palácio
Uma das curiosidades do jardim está na produção de mel. Na ilha localizada no meio do lago existem quatro colmeias de abelhas italianas, cuidadas pelo apicultor real. Os insetos encontram alimento nas flores e plantas distribuídas pelo jardim, além da vegetação presente na própria ilha.
Segundo informações divulgadas pela Família Real, as colmeias produzem mel suficiente para abastecer as cozinhas do Palácio de Buckingham e da Clarence House. Em um levantamento divulgado pelo site oficial, a produção conjunta das residências ultrapassou 300 potes de mel em um ano.
A presença das abelhas também faz parte das iniciativas ambientais da monarquia. A localização das colmeias permite que os insetos tenham acesso à vegetação sem interferir diretamente na circulação dos visitantes durante os eventos realizados no jardim.
Outro detalhe histórico está relacionado às amoreiras. Em 1608, o rei James I determinou o plantio de árvores dessa espécie na região, com a intenção de desenvolver uma indústria de seda na Inglaterra. A ideia era utilizar as folhas para alimentar bichos-da-seda, mas o projeto fracassou porque foi escolhida uma variedade inadequada de amoreira.
Apesar do insucesso da iniciativa, uma das árvores plantadas naquele período sobreviveu e continua no jardim. Desde 2000, o espaço também abriga a Coleção Nacional de Amoreiras, reunindo diferentes variedades da planta.

De residência particular a espaço de eventos da monarquia
A história dos jardins está diretamente ligada à evolução do próprio Palácio de Buckingham. No início do século XVIII, a propriedade era conhecida como Buckingham House e pertencia ao duque de Buckingham. Em 1761, o terreno passou para a Coroa britânica, depois de ser adquirido pelo rei George III para servir como residência particular de sua família.
A transformação mais significativa aconteceu durante o reinado de George IV, quando a residência passou por uma grande ampliação e recebeu o nome de Palácio de Buckingham. O monarca contratou William Townsend Aiton para reformular os jardins, seguindo uma tendência de paisagismo mais naturalista, inspirada nos trabalhos de Capability Brown e Humphry Repton.
Além do lago e da vegetação, uma das intervenções foi a construção de um monte artificial no lado sul do jardim. A estrutura foi planejada para esconder a visão, os ruídos e até os odores provenientes da Royal Mews, área onde ficam os cavalos e as carruagens reais.
Ao longo dos anos, o espaço também passou a receber comemorações oficiais. As tradicionais Garden Parties, festas realizadas pela Família Real, recebem milhares de convidados todos os anos. Em um ano comum, aproximadamente 24 mil pessoas participam desses eventos nos jardins.
O gramado principal também tem uma função curiosa: além de receber as celebrações, pode ser utilizado como heliponto pelos integrantes da monarquia britânica.

É possível visitar os jardins do Palácio de Buckingham?
Embora seja uma área privada da residência real, o jardim pode ser visitado pelo público durante períodos específicos do ano, especialmente na temporada de abertura de verão do Palácio de Buckingham. A programação e as condições de acesso são divulgadas pelo Royal Collection Trust.
Durante a visitação, os turistas podem percorrer caminhos próximos ao lago, conhecer o canteiro herbáceo e observar parte das árvores e da vegetação que compõem a propriedade. Algumas áreas, como o roseiral e a casa de verão, também podem integrar roteiros guiados.
Outro ponto histórico é a quadra de tênis do palácio. Na década de 1930, o rei George VI e o tenista Fred Perry chegaram a jogar juntos no local.
O jardim, portanto, vai muito além de uma área verde nos fundos de uma residência real. Entre o lago construído com a ajuda do gado, as árvores centenárias, as colmeias produtoras de mel e as espécies ameaçadas que encontram abrigo nas ilhas, o espaço reúne histórias que atravessam diferentes gerações da monarquia britânica.

Conheça cinco curiosidades sobre o jardim do Palácio de Buckingham
- Já abrigou animais exóticos: Em 1762, a rainha Charlotte criou um pequeno zoológico nos jardins da residência. A coleção incluía um elefante, macacos e uma das primeiras zebras vistas na Inglaterra.
- Tem uma história ligada à produção de seda: Em 1608, o rei James I ordenou o plantio de amoreiras para tentar desenvolver a criação de bichos-da-seda no país. O projeto não deu certo, mas uma das árvores daquele período sobreviveu.
- Abriga colmeias que abastecem a cozinha real: Quatro colmeias instaladas em uma ilha do lago produzem mel utilizado nas cozinhas do Palácio de Buckingham e da Clarence House.
- Possui árvores com mais de 160 anos: Dois plátanos plantados pela rainha Victoria e pelo príncipe Albert receberam os nomes dos integrantes da Família Real e continuam fazendo parte da paisagem.
- Já foi palco de partidas de tênis da realeza: A quadra localizada nos jardins recebeu jogos do rei George VI com o tenista Fred Perry durante a década de 1930.
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