A administração das residências da realeza costuma despertar a curiosidade e, com frequência, levanta questionamentos sobre como os recursos e os imóveis são gerenciados. Um dos casos recentes mais curiosos envolve a propriedade conhecida como Frogmore Cottage, localizada no Reino Unido. Durante o período em que dois ex-membros seniores da coroa viveram no local, houve uma quebra no modelo padrão de cobrança e eles deixaram de pagar o aluguel mensal. O motivo não tem relação com calotes ou privilégios gratuitos, mas com um acordo financeiro atípico focado na infraestrutura da própria casa.

Para entender a ausência de cobranças mensais, é preciso analisar o contrato firmado na época da mudança. Inicialmente, o pagamento da residência seguia as diretrizes de um “aluguel comercial” gerenciado pelo Crown Estate, a entidade responsável por administrar as terras e as propriedades sob o controle do monarca. Esse modelo imobiliário de mercado é o mesmo aplicado a outros parentes próximos da família, garantindo que haja uma fonte de receita sobre os imóveis ocupados.

No entanto, a situação mudou de figura após o ano de 2020. Ao decidirem se afastar de suas funções oficiais, os então moradores precisaram desembolsar, de forma antecipada, a quantia de £ 2,4 milhões, quase R$ 15 milhões na cotação atual. Esse valor foi repassado diretamente ao Sovereign Grant, o fundo governamental que financia a monarquia, para custear as grandes reformas e adequações feitas na propriedade antes da mudança.

A lógica aplicada pelos administradores foi baseada em números: como a obra estrutural valorizou significativamente o imóvel a longo prazo, o montante pago foi revertido no que o setor imobiliário classifica como “aluguel em substituição”, eliminando a taxa mensal. Atualmente, esse e outros contratos habitacionais passam por uma revisão do Comitê de Contas Públicas do governo britânico, que investiga a transparência dos acordos reais.

Frogmore House – Foto: Getty Images

O fator surpresa e os laços afetivos

Foi em meio a esse cenário de planilhas e auditorias da Coroa que o público passou a conhecer a fundo os detalhes da vida privada dentro da propriedade. Os inquilinos em questão eram o filho caçula do rei Charles e a ex-estrela da série de TV americana Suits. Aos 44 anos, a atriz Meghan Markle e seu marido, o príncipe Harry, hoje com 41 anos, formam o casal que precisou entregar as chaves de Frogmore Cottage de maneira definitiva em 2023. A casa carrega um peso histórico para a família, pois foi o ambiente onde os dois vivenciaram os primeiros meses de vida de seu primeiro filho, Archie.

A conexão direta dos pais com o local foi documentada por eles mesmos em diferentes mídias. Segundo a série documental lançada pelo serviço de streaming Netflix, a rotina dentro do chalé era marcada por momentos domésticos simples, como o banho da criança na pia. O apego também foi formalizado nas páginas do livro de memórias Spare.

Na obra, o duque relatou o impacto que o ambiente causou logo após a reforma. “Frogmore estava pronto. Nós amávamos aquele lugar. Desde o primeiro minuto. Parecia que estávamos destinados a viver lá”, escreveu.

O texto ainda traz aspas que ilustram a convivência com a equipe local: “Conhecemos os jardineiros da Rainha, conhecemos seus nomes e os nomes de todas as flores. Eles ficaram emocionados com o quanto apreciávamos e elogiávamos sua arte”.

Meghan Markle e príncipe Harry - Foto: Getty Images
Meghan Markle e príncipe Harry – Foto: Getty Images

A logística sem uma base no Reino Unido

A devolução das chaves marcou o fim de uma era para o casal, que atualmente não possui qualquer endereço fixo ou base permanente no Reino Unido. A rotina familiar se estabeleceu do outro lado do oceano, nos Estados Unidos, onde fixaram residência em uma ampla propriedade na região de Montecito, no estado da Califórnia.

A ausência de uma casa oficial na Europa alterou toda a logística das viagens de volta à Inglaterra. Quando o príncipe precisa cruzar o Atlântico para compromissos específicos, como sua presença na coroação do rei ou depoimentos prestados na Suprema Corte britânica, a estadia exige planejamento e discrição.

Em vez de propriedades da monarquia, o roteiro de hospedagem agora envolve reservas em hotéis de luxo fechados para o público ou paradas estratégicas na Althorp House, local conhecido historicamente por ser a antiga casa de infância de sua falecida mãe.

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