Médico explica risco de morte súbita em jovens após caso do filho da atriz Ju Colombo vir à tona

Em entrevista à CARAS Brasil, o cardiologista Raphael Boesche Guimarães ressalta que caso de Lucas Colombo levanta alerta sobre doenças cardíacas silenciosas

A atriz Ju Colombo com o filho, Lucas Colombo
A atriz Ju Colombo com o filho, Lucas Colombo - Foto: Reprodução/Instagram

A atriz Ju Colombo (59), conhecida por seu papel na novela No Rancho Fundo, da TV Globo, usou as redes sociais para comunicar a trágica morte de seu filho, Lucas Colombo, aos 34 anos. A causa não foi oficialmente divulgada pela família, mas o caso gerou comoção e trouxe à tona discussões sobre condições cardíacas silenciosas que podem afetar jovens aparentemente saudáveis.

Em entrevista à CARAS Brasil, o cardiologista Raphael Boesche Guimarães, especialista em cardiologia clínica e medicina do esporte, comentou o episódio, fazendo um importante alerta sobre a morte súbita relacionada a defeitos congênitos na válvula mitral.

“O recente falecimento de Lucas Colombo nos leva a refletir sobre uma ameaça silenciosa: a morte súbita em portadores de doenças congênitas da válvula mitral. O coração, órgão central da vida, pode ser surpreendido por alterações anatômicas que muitas vezes passam despercebidas até que um evento grave se manifeste”, afirma o especialista.

Segundo o médico, a válvula mitral, localizada entre o átrio e o ventrículo esquerdo do coração, é responsável por controlar o fluxo sanguíneo. Quando há uma malformação ou disfunção congênita, esse sistema pode falhar silenciosamente.

“A válvula mitral, quando apresenta defeitos congênitos, pode comprometer a circulação sanguínea eficaz — favorecendo dilatação do átrio esquerdo, sobrecarga cardíaca e, principalmente, o surgimento de arritmias, especialmente a fibrilação atrial ou até arritmias ventriculares, ambas sabidamente associadas à morte súbita em jovens e adultos”, explica Raphael.

Casos como o de Lucas podem acontecer mesmo com acompanhamento médico e estilo de vida saudável. Muitas vezes, o risco permanece oculto, revelando-se apenas em situações específicas.

“Vale lembrar que o quadro pode se manter estável por anos, sob acompanhamento clínico rigoroso, enquanto o risco permanece latente, especialmente em situações de estresse, infecções, ou simplesmente de forma inesperada. A ciência ainda investiga porque, mesmo com ‘aparente controle’, indivíduos acometidos por doenças valvares podem evoluir para episódios fatais sem sinais prévios”, destaca o cardiologista.

Raphael enfatiza a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo com especialistas. A discussão aberta sobre o risco de arritmias deve sempre fazer parte do cuidado com o paciente.

“Esse caso serve de alerta: a deficiência da válvula mitral não é apenas um problema estrutural, mas um potencial gatilho para arritmias letais. É fundamental manter o acompanhamento especializado, reavaliar periodicamente a necessidade de intervenção cirúrgica, e discutir sempre o risco de arritmias com o paciente e familiares”, orienta.

A morte súbita cardíaca é uma das principais causas de óbito em adultos jovens, e frequentemente relacionada a doenças congênitas ou hereditárias. Por isso, especialistas reforçam a importância de check-ups cardíacos periódicos, especialmente em pessoas com histórico familiar de problemas cardíacos. “A morte súbita ainda desafia a cardiologia — e tragédias como esta nos convocam a redobrar a atenção”, finaliza Raphael Boesche.

‘ELE NÃO RESISTIU’

A atriz Ju Colombo anunciou, no dia 30 de abril, a morte precoce de seu filho. Por meio do Instagram, ela lamentou o ocorrido. “Queridas e queridos amigos, hoje faço esse post para comunicar que, na última sexta-feira, dia 25, meu filho caçula Lucas, acometido de um mau súbito, fez a sua passagem. Há dois anos, Lucas morava na Califórnia, na SUA, Universidade Soka da América. Passou o Ano-Novo conosco, aqui no Rio de Janeiro, já se preparando para fazer um estágio de seis meses na Universidade Soka do Japão”, iniciou.

“Ele nasceu com uma deficiência congênita na válvula Mitral, sempre fizemos o acompanhamento e o quadro estava estabilizado, mas sabíamos que, em algum momento, a cirurgia poderia ser necessária. Ultimamente, estávamos avaliando esta questão, mas ele teve uma intercorrência em seu quarto e não resistiu”, completou a artista.

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Dr. Raphael Boesche Guimarães (CRM: 33565) é médico cardiologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Passo Fundo (2009), concluiu residência em Clínica Médica pela UFCSPA (2012) e em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (2014), onde também obteve o título de mestre na área (2017) e atualmente cursa doutorado. Atua como pesquisador clínico em estudos internacionais e como médico intensivista no Instituto de Cardiologia do RS. É preceptor da residência médica em Cardiologia, além de integrar comissões científicas e ter vasta produção acadêmica publicada em periódicos nacionais e internacionais.