Rick, da dupla sertaneja com Renner, morreu após o helicóptero em que estava perder a comunicação durante o trajeto de Santa Catarina para São Paulo. A aeronave caiu e deixou cinco mortos. Nenhuma das pessoas que estavam a bordo sobreviveu ao acidente.
A ocorrência chama atenção para a violência dos traumas provocados por acidentes aeronáuticos. Em entrevista à CARAS Brasil, o médico emergencista Dr. Yuri Castro explicou quais são os principais mecanismos que podem levar uma vítima à morte após uma queda e como funciona o atendimento das equipes de resgate.
Por que uma queda pode causar traumas tão graves?
Segundo o especialista, acidentes envolvendo helicópteros e aviões costumam produzir uma combinação de fatores extremamente agressiva para o corpo humano. A velocidade da aeronave, associada à desaceleração brusca provocada pelo impacto, faz com que o organismo seja submetido a forças de grande intensidade em uma fração de segundo.
“Acidentes aeronáuticos envolvem uma física extrema: a combinação de alta velocidade, desaceleração brusca em frações de segundo e a energia cinética do impacto. Em quedas desse tipo, o corpo humano é submetido a forças G intensas, o que torna esse tipo de trauma uma das ocorrências mais severas da medicina de emergência”, explicou o médico.
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Entre as consequências mais graves está o politraumatismo provocado pela desaceleração. Enquanto os ossos são interrompidos pelo impacto, os órgãos internos continuam se movimentando, o que pode provocar rupturas de estruturas importantes, como a aorta, além de lesões graves no fígado, no baço e no cérebro. O especialista detalhou os mecanismos envolvidos.
O fogo também pode agravar o cenário após a queda. O combustível da aeronave pode provocar incêndios, aumentando o risco de queimaduras extensas e intoxicação pela fumaça. Já a deformação da estrutura pode comprimir os ocupantes e provocar esmagamentos, hemorragias e choque em pouco tempo.
Como funciona o resgate após a queda?
O atendimento de vítimas de acidentes aéreos pode ser ainda mais complexo quando a aeronave cai em regiões de difícil acesso, como florestas ou serras. Nesses casos, diferentes equipes precisam atuar de maneira coordenada para localizar, acessar e retirar os ocupantes.
“O atendimento em locais de queda de aeronaves muitas vezes envolve resgate em área de difícil acesso e requer uma operação conjunta entre Corpo de Bombeiros, equipes aeromédicas do SAMU e Forças Armadas”, afirmou Yuri.
Antes mesmo de os profissionais iniciarem o atendimento, a segurança da área precisa ser avaliada. Riscos como fogo, explosões e vazamento de combustível podem impedir uma aproximação imediata.
O que os médicos fazem ao chegar ao local?
Em acidentes com várias vítimas, os profissionais realizam uma triagem rápida para identificar quem precisa de atendimento imediato e também reconhecer casos em que o óbito ocorreu ainda no impacto. Depois, a equipe segue protocolos específicos de atendimento ao trauma.
“Os passos iniciais incluem a garantia da segurança da cena, a triagem rápida e a aplicação do XABCDE do trauma”, explicou o médico. Entre as medidas estão o controle de hemorragias graves, o manejo das vias aéreas, a estabilização da coluna e a avaliação da circulação.
“Quando há possibilidade de sobrevivência, a prioridade passa a ser estabilizar a vítima e retirá-la rapidamente do local. O transporte pode ser feito por via aérea ou terrestre, dependendo das condições, com encaminhamento para um hospital preparado para receber casos de trauma grave”, finalizou Yuri.
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