Médico explica complexidade do câncer que causou morte de Preta Gil: ‘Difícil de controlar’
Oncologista detalha evolução da doença que acometeu a cantora Preta Gil e reforça necessidade de exames preventivos

A cantora Preta Gil (50) morreu neste domingo, 20, em decorrência de complicações de um câncer no intestino. Ela estava em Nova York, nos Estados Unidos, fazendo um tratamento experimental desde maio e tratava a doença desde janeiro de 2023, quando recebeu o diagnóstico após exames de rotina.
CARAS Brasil entrevista o Dr. Wesley Pereira Andrade, oncologista, mastologista e cirurgião oncologista, sobre a doença que acometeu a artista. “Biologicamente, o câncer de intestino não é dos mais agressivos”, afirma.
“O potencial de crescimento biológico é lento, levando muitos anos para uma lesão precursora (pólipo) crescer e se transformar em câncer. Por isso, pode-se realizar a colonoscopia a cada 5 a 10 anos, de acordo com as recomendações médicas. Outro critério em relação ao risco de morte está relacionado à fase em que o câncer foi diagnosticado. O câncer de intestino diagnosticado precocemente apresenta altíssimas chances de cura”, explica.
O médico ressalta que um diagnóstico tardio pode acarretar na doença em outras partes do corpo, como aconteceu com a cantora. Neste caso, ele diz que a doença apresentava poucas chances de cura devido ao grau de complexidade em que se encontra.
“Embora biologicamente lento, se houver um longo período sem diagnóstico, o tumor pode se tornar volumoso, comprometendo órgãos adjacentes, gânglios linfáticos e até mesmo se espalhando para o peritônio (membrana que reveste o intestino). O câncer colorretal também tem a capacidade de se espalhar (metástase) para outros órgãos, como fígado e pulmões, o que aumenta a complexidade do tratamento e reduz as chances de cura”, fala.
“Diagnosticado nos estágios iniciais, o câncer pode ser tratável e curável com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. No entanto, quando detectado em estágios mais avançados, pode ser difícil de controlar”, complementa.
Andrade conta que, nos casos em que a doença gerou complicações, o tratamento pode ser ainda mais invasivo. Preta passou por cirurgias, uma inclusive durou mais de 20 horas, para retirada de tumores. “Nesse caso, demandam-se cirurgias mais extensas e complexas. Além disso, quando a doença está em estágios avançados, há muito mais chances de contaminação do sangue com células cancerígenas. Essas células no sangue podem se disseminar pelo corpo, espalhando-se para o fígado, pulmões, ossos e outros locais.”
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