A perda de mais de 40 quilos de Flora Cruz, filha do sambista Arlindo Cruz (1958-2025), foi resultado de um processo que envolveu não apenas mudanças físicas, mas também cuidado emocional e acompanhamento nutricional. Em tratamento há quase dois anos com a médica Tatiana Jaber, a influenciadora precisou recuperar a confiança de que poderia emagrecer e lidar com questões relacionadas à alimentação e à absorção de nutrientes.
Segundo a especialista, Flora chegou ao consultório com poucas expectativas em relação à perda de peso. “Quando a Flora chegou, estava desacreditada em relação ao emagrecimento. Ela dizia que já aceitava aquele peso e que estava preocupada principalmente com a saúde”, relembra.
A médica explica que as experiências anteriores da influenciadora, que já havia passado por diferentes ciclos de ganho e perda de peso, também precisaram ser consideradas durante o tratamento. “Como havia passado por várias experiências de ganhar e perder peso, precisávamos trabalhar também a confiança de que uma mudança era possível.”
Durante a avaliação inicial, foram identificadas alterações nos níveis de vitaminas e questões relacionadas à absorção de nutrientes. Isso aconteceu mesmo com os cuidados que Flora já tinha com a alimentação e o uso de suplementos em comprimidos. “O acompanhamento precisava olhar para essas necessidades e para a relação dela com a comida, com acolhimento e sem julgamento”, destaca Tatiana.
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Como foi o processo de emagrecimento de Flora Cruz?
De acordo com a médica, o tratamento exigiu uma avaliação minuciosa das necessidades nutricionais da influenciadora e mudanças na rotina, levando em conta tanto os aspectos físicos quanto os emocionais. “A Flora está em acompanhamento comigo há quase dois anos. O processo envolveu uma avaliação minuciosa, atenção às necessidades nutricionais e mudanças de rotina, considerando tanto os aspectos físicos quanto os emocionais”, explica.
Para Tatiana, um dos pontos importantes foi ajudar Flora a compreender que suas dificuldades com a alimentação precisavam ser tratadas com cuidado, e não com culpa. A médica também ressalta a importância do atendimento humanizado. “Foi importante trabalhar a confiança dela no tratamento e ajudá-la a compreender que suas dificuldades com a alimentação precisavam de cuidado, e não de culpa. O acolhimento e a escuta, sem julgamentos, fazem parte do cuidado e contribuíram para que a Flora se sentisse mais segura para realizar as mudanças”, afirma.

Emagrecimento saudável vai além da balança
Embora o número mostrado na balança seja um dos indicadores mais observados durante o emagrecimento, ele não é suficiente para avaliar a evolução de uma pessoa. Segundo Tatiana, é necessário acompanhar a composição corporal, a preservação da massa muscular e o estado nutricional, além de observar exames, força, disposição e a relação com a alimentação.
“Uma alimentação adequada é fundamental, mas é necessário investigar também se existem deficiências ou alterações na absorção dos nutrientes. A balança mostra o peso total; sozinha, não revela a qualidade do emagrecimento”, alerta.
A médica também explica que a redução significativa de peso pode trazer benefícios à saúde, como a melhora do controle da glicose e da pressão arterial. No entanto, o organismo passa por adaptações que precisam ser acompanhadas ao longo do tratamento.
“A redução do excesso de gordura pode melhorar o controle da glicose e da pressão arterial, entre outros indicadores de saúde. Mas o organismo também se adapta ao peso menor: passa a precisar de menos energia, e mudanças nos mecanismos que regulam a fome podem dificultar a manutenção”, explica.
Outro cuidado importante é evitar a perda de massa muscular durante o processo. “Além disso, a perda de peso pode incluir massa muscular. Por isso, precisamos acompanhar a composição corporal e ajustar a alimentação e os exercícios, buscando preservar a força e a saúde ao longo do processo”, acrescenta.
Compulsão alimentar não é falta de força de vontade
Além das questões nutricionais, a relação com a comida também merece atenção durante o emagrecimento. Tatiana destaca que comer mais do que o habitual em uma ocasião não significa necessariamente que a pessoa tenha um transtorno de compulsão alimentar. “Comer mais do que o habitual em uma ocasião não significa, por si só, ter um transtorno de compulsão alimentar. Na compulsão, o ponto central é a sensação de perda de controle: a pessoa sente que não consegue parar ou controlar quanto está comendo”, esclarece.
Entre os comportamentos que podem aparecer nesses episódios estão comer rapidamente, mesmo sem sentir fome, continuar comendo até experimentar desconforto e sentir culpa, vergonha ou sofrimento depois. Para identificar um possível transtorno, também é necessário avaliar a frequência e a duração dos episódios, além dos impactos na vida da pessoa.
“Para identificar um transtorno, avaliamos também a frequência, a duração e o impacto desses episódios. Não se trata simplesmente de falta de força de vontade”, reforça a médica.
A especialista orienta que alguns sinais não devem ser ignorados, como episódios recorrentes de perda de controle ao comer, alimentação escondida por vergonha e sofrimento intenso após as refeições. A preocupação excessiva com comida e peso, quando começa a prejudicar a rotina e a vida social, também merece atenção.
“Ciclos de restrição muito intensa seguidos de exageros, uso de medicamentos por conta própria ou tentativas de compensar a alimentação com vômitos, laxantes ou exercício excessivo também precisam ser avaliados. A pessoa não precisa esperar o problema se agravar para buscar cuidado”, alerta.
Manter o peso perdido exige acompanhamento
Depois de alcançar uma perda de peso significativa, o desafio passa a ser manter os resultados sem recorrer a medidas extremas. De acordo com Tatiana, a fase de manutenção tem necessidades diferentes das que aparecem durante o emagrecimento. “Durante a perda de peso, trabalhamos para reduzir o excesso de gordura. Na manutenção, precisamos sustentar os hábitos e adaptar o cuidado às necessidades do corpo no novo peso”, explica.
Isso acontece porque o organismo passa a gastar menos energia e as alterações nos mecanismos relacionados à fome podem favorecer a recuperação do peso perdido. Por esse motivo, a médica ressalta que atingir uma meta não significa encerrar o acompanhamento.
“O organismo passa a gastar menos energia, e alterações na fome podem favorecer a recuperação do peso perdido. Por isso, alcançar uma meta não significa encerrar o acompanhamento. A manutenção exige continuidade e ajustes, sem interpretar cada dificuldade como falta de disciplina”, afirma.
Para sustentar os resultados, a orientação é construir uma rotina possível de manter, com alimentação equilibrada, atividade física regular, atenção ao sono e acompanhamento profissional. Organizar as refeições e pensar em alternativas para os dias mais corridos também pode ajudar.
“Precisamos considerar a realidade de cada paciente. Uma rotina que depende de restrições extremas ou que não permite conviver socialmente tende a ser difícil de sustentar. O objetivo é construir hábitos possíveis e ajustar o plano quando necessário”, destaca Tatiana.
A atividade física também tem papel importante nessa etapa, contribuindo para a saúde cardiovascular, o condicionamento e a manutenção do peso. Os exercícios de força, em especial, ajudam a preservar a massa muscular. Para a médica, porém, a prática precisa respeitar as condições e as capacidades individuais, sem se transformar em punição pela alimentação.
A conquista de Flora que emocionou a médica
Ao avaliar a evolução de uma pessoa em tratamento, Tatiana defende que é necessário observar as mudanças na qualidade de vida, e não apenas os quilos eliminados. Melhoras no humor, na disposição, no sono, na força e na mobilidade também são indicadores importantes, assim como os avanços no controle da pressão arterial e da glicose.
“No caso da Flora, uma das primeiras conquistas que a emocionaram foi voltar a conseguir amarrar os próprios sapatos. Ela contava isso com muita emoção, porque aquele gesto representava uma mudança concreta na sua vida e na sua independência”, conta a médica.
A situação se tornou um exemplo de como pequenas atividades cotidianas podem representar grandes avanços para quem passa por um processo de emagrecimento. Mais do que uma mudança na aparência, a conquista simbolizou uma melhora na autonomia de Flora. “Por isso, sempre reforço que precisamos olhar além da balança. Recuperar a confiança, movimentar-se com mais facilidade e se sentir melhor física e emocionalmente também fazem parte do sucesso do tratamento”, conclui Tatiana Jaber.
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