Erika Januza revela sobre congelamento de óvulos e médica aponta: ‘Não assegura a gravidez’
Erika Januza abriu o coração ao falar sobre congelamento de óvulos; em entrevista à CARAS Brasil, a Dra. Ana Paula Fonseca explica o processo

Durante conversa no Saia Justa, Erika Januza (40) revelou que gostaria de engravidar, mas esperava o momento certo para a gestação. A artista falou sobre uma vontade antiga sua: a de congelar óvulos: “Eu resolvi congelar óvulos há dois anos, já estava com 38”, disse. A atriz complementou.
“Quando eu resolvi, ele [médico] falou ‘você sabe que, agora, o risco de não dar certo é maior’. E eu fui sabendo que o risco era maior, e não deu certo […] Eu fiz e fui feliz por ter tentado. […] Também fico pensando: será que nunca vou ter a minha continuação no mundo? Eu tenho um pouco desse dilema, mas […] eu sempre acho que Deus sabe de todas as coisas”, desabafou.
O que diz a ginecologista?
Para entender mais sobre o assunto, a CARAS Brasil entrevista a Dra. Ana Paula Fonseca, médica ginecologista e especialista no tratamento de distúrbios menstruais, miomas, síndrome dos ovários policísticos (SOP).
“Essa escolha tem se tornado cada vez mais comum entre mulheres que desejam ter filhos no futuro, mas que ainda não estão prontas para a maternidade agora, seja por questões pessoais, profissionais ou de saúde. O procedimento permite que a paciente utilize seus óvulos em uma idade mais avançada, quando a fertilidade naturalmente já estaria reduzida”, declara.
O que é este processo?
O congelamento de óvulos é uma técnica da medicina reprodutiva em que os óvulos maduros são retirados dos ovários, submetidos a um processo de vitrificação (um congelamento ultrarrápido) e armazenados em nitrogênio líquido a -196 °C.
Segundo a Dra. Ana Paula Fonseca, quando a mulher opta por congelar os óvulos, dessa forma, eles permanecem viáveis por muitos anos, podendo ser utilizados futuramente em tratamentos de fertilização in vitro.
Quando pode não dar certo?
Apesar dos avanços da tecnologia, não existe garantia de sucesso. O congelamento pode não dar certo em situações como:
- Produção insuficiente de óvulos durante a estimulação hormonal;
- Baixa qualidade dos óvulos coletados;
- Falhas no processo de fertilização após o descongelamento;
- Dificuldades relacionadas ao útero ou ao espermatozoide no momento da fecundação.
“Ou seja, congelar os óvulos aumenta as chances, mas não assegura a gravidez”, aponta a ginecologista Dra. Ana Paula Fonseca.
E o custo?
Segundo o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Anvisa, em 2023 foram congelados 115.318 embriões no país. Apesar destes dados, o procedimento ainda não tem um valor financeiro tão acessível para todas as mulheres.
“Os custos variam, mas geralmente incluem a estimulação hormonal, a coleta, o congelamento e a manutenção anual dos óvulos. É um investimento significativo, e por isso ainda restrito a quem pode arcar com os valores. Hoje, o congelamento de óvulos é muito mais difundido em clínicas particulares do que no sistema público”, diz.
Existem efeitos colaterais? Como é pós-procedimento?
A estimulação hormonal é necessária para que os ovários produzam múltiplos óvulos em um único ciclo, o que aumenta a eficiência do procedimento. Entre os efeitos colaterais possíveis, estão:
- Inchaço abdominal;
- Sensibilidade nas mamas;
- Alterações de humor;
- Em casos mais raros, a síndrome de hiperestimulação ovariana, que requer acompanhamento rigoroso.
“Os prós são claros: preservar a fertilidade, dar mais liberdade de escolha para a maternidade futura e aumentar as chances de gravidez saudável. Os contras envolvem o custo elevado, a necessidade de procedimentos invasivos e os riscos, ainda que pequenos, da estimulação hormonal”, finaliza a ginecologista.
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