A cirurgia de Roberto Carlos (85) chamou a atenção dos fãs nesta semana e levantou uma importante discussão sobre os cuidados necessários para procedimentos cirúrgicos na terceira idade. O cantor foi internado para realizar uma cirurgia de retirada da vesícula, procedimento que, segundo sua equipe, já estava previamente programado. O estado de saúde do artista é estável.
O caso evidencia que, com acompanhamento médico adequado e bons hábitos ao longo da vida, idosos podem enfrentar intervenções cirúrgicas com mais segurança e ter uma recuperação mais tranquila.
Em entrevista à CARAS Brasil, a médica especialista em longevidade consciente e saúde mental, Roberta França, explicou como fatores físicos e emocionais fazem diferença antes e depois de uma cirurgia.
Cirurgia de Roberto Carlos reforça importância dos hábitos saudáveis
Para Roberta França, a preparação para uma cirurgia começa muito antes da entrada no hospital. Segundo ela, o estilo de vida adotado ao longo dos anos influencia diretamente a recuperação.
Mais lidas
“É muito importante lembrar que os hábitos que cultivamos ao longo da vida são determinantes para a forma como o organismo vai responder a qualquer cirurgia. A prática regular de atividade física preserva a força, a massa muscular e a capacidade cardiorrespiratória. Já uma alimentação equilibrada melhora a imunidade e favorece a cicatrização. Além disso, o controle adequado de doenças como diabetes e hipertensão reduz significativamente os riscos de complicações.”

A especialista explica que outros comportamentos também fortalecem o organismo para enfrentar o pós-operatório.
“Dormir bem, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e manter uma boa saúde mental também fortalecem a capacidade de recuperação do paciente. Na geriatria, costumamos dizer que o preparo para uma cirurgia começa muito antes da internação.”
Ela acrescenta que a chamada reserva funcional faz toda a diferença para preservar a independência do paciente.
“Quanto maior a chamada reserva funcional, ou seja, a capacidade física e funcional do idoso, maiores são as chances de um pós-operatório mais seguro, com menos complicações e um retorno mais rápido à autonomia, que é um dos principais objetivos da recuperação.”
Saúde mental pode acelerar a recuperação
Ao falar sobre o aspecto emocional, Roberta afirma que o estado psicológico interfere diretamente na resposta do organismo: “A saúde mental exerce um papel absolutamente fundamental nesse processo. Ansiedade intensa, depressão e estresse aumentam significativamente a liberação de hormônios, especialmente o cortisol, que pode comprometer a resposta imunológica, dificultar a cicatrização e prolongar a recuperação.”

Ela alerta que pacientes emocionalmente fragilizados apresentam maior risco de complicações após a cirurgia.
“Além disso, o paciente emocionalmente fragilizado apresenta um risco maior de desenvolver confusão mental no pós-operatório, condição conhecida como delirium, caracterizada pela desorientação e muito frequente em idosos, principalmente naqueles que permanecem hospitalizados por longos períodos.”
Por outro lado, o suporte da família e da equipe médica favorece uma recuperação mais eficiente.
“Quando o paciente está emocionalmente bem, acolhido pela família e pela equipe de saúde, ele tende a colaborar mais com o tratamento. Compreende a importância de se movimentar precocemente, segue melhor as orientações médicas, alimenta-se adequadamente e participa de forma mais ativa da própria recuperação. Quando a mente está saudável, a recuperação física também costuma ser mais rápida e eficiente.”
Longevidade consciente vai além da idade
Para a médica, envelhecer bem não significa apenas viver mais anos, mas preservar a autonomia: “Eu costumo dizer que longevidade consciente significa entender, acima de tudo, que a idade é apenas um número. O que realmente importa não é quantos anos a pessoa tem, mas como ela funciona com a idade que possui.”
Ela afirma que alguns hábitos ajudam a reduzir a fragilidade associada ao envelhecimento.
“O idoso que mantém autonomia para realizar suas atividades diárias, pratica exercícios físicos, preserva vínculos sociais, mantém a mente ativa, cuida da alimentação, dorme bem e controla adequadamente suas doenças crônicas costuma apresentar uma idade biológica muito mais jovem do que sua idade cronológica. Isso acontece porque ele permanece mais saudável, ativo e distante da fragilidade associada ao sedentarismo.”



Por fim, Roberta reforça que o objetivo da longevidade consciente é manter qualidade de vida mesmo diante de doenças crônicas.
“Existe uma máxima muito importante na geriatria: envelhecer não significa adoecer. Da mesma forma, envelhecer com saúde não significa necessariamente ausência de doenças, mas sim manter independência, capacidade de tomar decisões, participar ativamente da própria vida e enfrentar os desafios, mesmo convivendo com doenças crônicas bem controladas. Quando cuidamos do corpo físico e também da saúde emocional, alcançamos o verdadeiro conceito de longevidade consciente: viver mais, mas, acima de tudo, viver melhor.”
+Siga o canal da CARAS Brasil no Instagram e receba as principais notícias dos famosos em tempo real: Clique aqui para seguir!
Comentários
O que você achou dessa matéria?
Participe da conversa
Entre ou crie sua conta para deixar um comentário.