Abalada! Lília Teles sofre perda irreparável e psicóloga faz alerta sobre o cérebro: ‘Pode causar’
Repórter do Jornal Nacional, Lília Teles perdeu o pai, de 90 anos, no último domingo, 1º.

A repórter do Jornal Nacional, Lília Teles, se despediu do pai, José Ubaldo Teles, que morreu aos 90 anos neste domingo, 1º. A jornalista relembrou uma foto do patriarca e destacou sua história de vida para criar os sete filhos.
“Hoje, eu estou cumprindo a triste missão de me despedir do meu pai. A quantidade de dor é proporcional ao orgulho que tenho de ser filha do José Ubaldo Teles. Nós somos sete filhos feitos do amor de um pai e de uma mãe que deram a vida pela família. E nós somos muito gratos. Minha mãe tinha ido na frente e, agora, foi a vez dele. A gente vai perdendo a referência na vida, vai ficando sem chão, sem ter pra onde voltar. Nesse momento, passa um filme pela nossa cabeça. Memórias de uma vida dura, mas inspiradora”, disse ela.
CARAS Brasil entrevista a psicóloga Larissa Fonseca, que explica a difícil missão que é superar o luto. De acordo com a especialista, o momento exige tempo e sabedoria. “Não é um processo rápido e tampouco simples”, afirma.
“É necessário ser vivido, respeitado e acolhido. A perda de um pai, especialmente quando há uma relação afetiva forte e de admiração, como no caso da Lília, ativa áreas do cérebro ligadas à dor real, como o córtex cingulado anterior. É um processo que envolve aceitar a ausência, ressignificar memórias e reorganizar a rotina emocional. A melhor forma de atravessar o luto é permitir-se sentir, sem pressa de ‘superar’. Particularmente, analiso que Lília está lidando de uma forma simbólica, através do texto escrito, assim como valorizando os momentos, a aprendizagem e o significado real com aceitação”, diz.
Fonseca destaca o momento de reflexão sobre as memórias vividas com a pessoa querida que partiu para outro plano. A psicóloga chama a atenção para sentimentos profundos que podem surgir, o que amplia a sensação de luto.
“Laços profundos ampliam a dor da perda. A sensação de vazio é mais intensa, e a saudade pode vir acompanhada de culpa, idealizações ou sensação de ruptura de identidade. Mas, ao mesmo tempo, relações saudáveis, como aparentemente é este o caso, deixam um legado afetivo que serve como base de segurança emocional. O vínculo continua existindo, mas se transforma em memória, ensinamento e presença simbólica. Esse é o movimento que ajuda na recuperação”, acrescenta.
Lília não falou publicamente sobre como ficará seu trabalho na Globo. Além do JN, ela é repórter do Globo Repórter. A especialista analisa a importância individual de quem enfrenta o luto ter para definir seus limites e, se assim for necessário, se afastar do trabalho temporariamente.
“Esse processo é extremamente individual e não há como generalizar. Para alguns, manter a rotina profissional oferece sentido, estrutura e até conforto. Para outros, pode representar um peso emocional insustentável. O importante é perceber e respeitar tais limites. O trabalho pode ser terapêutico, se houver espaço para ser humana, além de uma forma para receber carinho e acolhimento, inclusive no ofício. Também pode ser válido se afastar, se necessário, para processar as emoções e viver a perda com privacidade”, segue.
“Clinicamente, acredito que uma mistura entre momentos para processar as emoções e pensar sobre a saudade, associadas com vivências profissionais e contatos com outras situações, é uma maneira saudável para lidar com o luto, se não estiver, em hipótese alguma, ultrapassando limites como uma espécie de violação”, finaliza.