O velório do cantor e compositor Benito di Paula, um dos grandes nomes da música popular brasileira, acontece nesta terça-feira, 20, no Theatro Municipal de São Paulo, no centro da capital paulista. O artista morreu aos 84 anos em decorrência de um câncer de próstata.

Por decisão da família, a cerimônia é aberta ao fãs e admiradores do artista. Após a homenagem pública, o corpo seguirá para o Cemitério Morumby, onde o sepultamento está previsto para as 17h. A cerimônia final será restrita aos familiares.

O falecimento do pioneiro do samba-joia projeta o destino financeiro e administrativo de um legado que atravessou gerações e permanece com alta rotação em plataformas digitais e execuções públicas.

Quem fica com os direitos autorais de Benito di Paula?

Os direitos patrimoniais do repertório de Benito di Paula cabem integralmente aos seus herdeiros legais diretos e cônjuge, definidos em partilha no inventário. A divisão inclui os ganhos obtidos por execuções em rádio, televisão, streaming e regravações arrecadados via Ecad.

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A partilha desse acervo atende às regras da Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998). A partir da conclusão formal da partilha de bens, o valor recolhido pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) passa a ser repassado diretamente aos titulares definidos.

Como funciona a arrecadação das músicas pelo Ecad?

O catálogo do artista carioca conta com clássicos fundamentais da música popular que continuam em circulação no mercado sonoro. O recolhimento de proventos acontece de maneira segmentada, seguindo os seguintes canais de consumo:

  • reprodução digital em plataformas de áudio e vídeo sob demanda;
  • execuções públicas em emissoras de rádio e transmissões de canais de televisão;
  • apresentações ao vivo de bandas, intérpretes e orquestras em shows pelo país;
  • sincronizações audiovisuais em novelas, produções cinematográficas, comerciais e séries.

Músicas consagradas como Retalhos de Cetim, Charlie Brown, Mulher Brasileira e Do Jeito que a Vida Quer lideram os rendimentos do criador.

Qual é o prazo de validade dos direitos autorais?

A legislação brasileira assegura que os direitos patrimoniais de um compositor permanecem com a família durante décadas após a morte do artista. As regras de tempo determinam os seguintes critérios para obras protegidas:

  1. o catálogo permanece protegido sob administração exclusiva dos herdeiros por 70 anos;
  2. a contagem desse prazo inicia oficialmente no dia 1º de janeiro do ano seguinte ao óbito do autor;
  3. a cobrança de royalties cessa apenas quando a totalidade das obras ingressa oficialmente no domínio público.

No caso do sambista, o prazo oficial para a cobrança começa a contar a partir de 1º de janeiro de 2027. Até o término do período legal de 70 anos, qualquer uso de suas faixas sem autorização prévia ou sem o recolhimento adequado das taxas constitui violação jurídica.

Além da remuneração financeira direta gerada pelas gravações, a sucessão envolve o controle moral do repertório. Os responsáveis passam a deliberar sobre autorizações de novos arranjos, lançamentos póstumos de arquivos inéditos e montagens teatrais inspiradas na obra do pianista.

Legado do artista

Dono de sucessos que marcaram gerações, o cantor deixa um legado musical e uma história familiar marcada pela continuidade de sua arte e por uma perda dolorosa. Benito foi pai de três filhos: Rodrigo, Thiago e André.

Um de seus filhos, Rodrigo Vellozo, também cantor e pianista, costumava dividir o palco com o pai. Thiago, por sua vez, leva uma vida discreta e tem perfil privado nas redes socais. Enquanto que André morreu em 13 de setembro de 2019, aos 36 anos, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a família confirmou a notícia e pediu respeito à privacidade.

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