A história de Arlindo Cruz é marcada por décadas de sucesso no samba, mas também por uma profunda mudança financeira após o AVC sofrido pelo cantor em 2017. Durante os anos em que o artista enfrentou as consequências da doença, a família precisou lidar com altos custos médicos, dívidas e perda de patrimônio. Anos depois, após a morte do sambista, o valor de sua herança passou a ser estimado em até R$ 30 milhões.
Arlindo Cruz morreu em 8 de agosto de 2025, aos 66 anos, depois de enfrentar complicações de saúde decorrentes do AVC. O sambista deixou a esposa, Babi Cruz, e os filhos Arlindinho, Flora Cruz e Kauan Felipe Vieira, reconhecido legalmente como filho do artista.
Segundo informações repercutidas pelo Terra, a herança de Arlindo Cruz foi estimada entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, com base em dados atribuídos à Folha Econômica. O valor, porém, deve ser tratado como estimativa, já que não corresponde necessariamente ao patrimônio oficialmente apurado no inventário.

Doença de Arlindo Cruz mudou a situação financeira da família
Em entrevista ao UOL, Babi Cruz relembrou o momento em que encontrou Arlindo Cruz inconsciente no banheiro da casa da família, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 17 de março de 2017. O artista havia sofrido um AVC e precisou ser levado às pressas para o hospital.
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A partir daquele momento, a rotina da família mudou completamente. Babi permaneceu próxima do marido durante o longo período de internação e relatou as dificuldades enfrentadas durante o tratamento.
Além das complicações provocadas pelo AVC, Arlindo passou por diferentes procedimentos médicos e cirurgias. O período também trouxe uma série de despesas para a família.
Babi contou ao UOL que três músicos entraram com processos trabalhistas contra ela e que as ações resultaram em perdas superiores a R$ 600 mil. Segundo o relato, suas contas chegaram a ser bloqueadas e ela precisava arcar com o plano de saúde de Arlindo.
“Perdi mais de R$ 600 mil, minhas contas foram bloqueadas pelo Ministério do Trabalho, e eu precisava pagar R$ 14 mil de plano de saúde do Arlindo todo mês“, relatou Babi Cruz ao UOL.

Família de Arlindo Cruz vendeu casa e carro para pagar dívidas
O impacto financeiro da doença foi tão grande que a família precisou se desfazer de parte do patrimônio construído ao longo dos anos.
Babi revelou ao UOL que os familiares venderam a última casa que tinham para conseguir pagar as dívidas. Durante a pandemia, Arlindo permaneceu no apartamento da família no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, acompanhado por uma equipe médica devido à necessidade de isolamento.
A situação chegou a um ponto extremo. Segundo Babi, durante um período, ela, a filha Flora e o neto dormiram em um carro para evitar entrar e sair do apartamento onde Arlindo estava sendo acompanhado.
“Muitos amigos e a Liesa nos ajudaram. Enquanto tinha um dinheirinho, me hospedava em flats simples. Depois, aluguei uma casa de fundos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por R$ 300“, contou Babi na entrevista ao UOL.
A empresária também resumiu o impacto daquele período sobre o patrimônio da família:
“Lutamos a vida toda para construir nosso patrimônio e tivemos que nos desfazer dele para pagar dívidas. Vendemos casa, carro e pegamos empréstimos. Foi uma porrada”, afirmou.
Na época da entrevista, Babi contou que a família passou a contar principalmente com os shows de Arlindinho e com a ajuda de amigos para se manter.

Patrimônio de Arlindo Cruz inclui obra musical
Apesar da crise financeira vivida pela família durante o tratamento de Arlindo Cruz, o patrimônio do sambista não se resume a imóveis, veículos ou dinheiro em contas.
A obra musical também representa um importante patrimônio deixado pelo artista.
Segundo informações divulgadas após a morte do sambista, Arlindo tinha 795 obras musicais e 1.797 gravações cadastradas no Ecad. A família também destacou que os direitos autorais das músicas continuavam sendo utilizados para custear parte das despesas relacionadas ao tratamento do artista.
Em entrevista repercutida pelo Terra, Kauan Felipe afirmou que a herança inclui mais de 800 composições assinadas por Arlindo Cruz, que continuam gerando direitos autorais.
Dessa forma, o patrimônio deixado pelo sambista envolve não apenas bens materiais, mas também os rendimentos relacionados à sua extensa produção musical.
Quanto é a herança de Arlindo Cruz?
Após a morte de Arlindo Cruz, diferentes veículos passaram a divulgar estimativas sobre o tamanho do patrimônio deixado pelo cantor.
Segundo dados atribuídos à Folha Econômica e reproduzidos pelo Terra, o patrimônio de Arlindo teria ficado entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Uma reportagem posterior do Terra também mencionou uma estimativa de aproximadamente R$ 30 milhões.
O número, entretanto, precisa ser apresentado como uma estimativa de patrimônio, e não como o valor definitivo da herança.
Isso porque o patrimônio de uma pessoa falecida precisa ser levantado no processo de inventário, considerando bens, direitos, eventuais dívidas e outros elementos patrimoniais.
A família de Arlindo Cruz deu entrada no inventário após a morte do sambista. Segundo o Bahia Notícias, a família também deixou a cobertura onde vivia no Recreio, que passou a ser anunciada para aluguel por cerca de R$ 8 mil mensais.
Filho de Arlindo Cruz cobra transparência sobre a partilha
A discussão sobre o patrimônio ganhou um novo capítulo após Kauan Felipe Vieira, filho de Arlindo Cruz, falar publicamente sobre a partilha.
Kauan foi reconhecido legalmente como filho do sambista em 2001, após um teste de DNA. Em setembro de 2025, ele afirmou ao programa Domingo Espetacular, da Record TV, que não tinha acesso às informações sobre o espólio do pai.
“A gente está esperando prestação de contas. Nunca tive acesso a nada”, afirmou Kauan.
O filho do sambista também contou que soube da abertura do inventário pela imprensa e afirmou que buscava informações sobre o processo por meio de seus advogados.
A situação também foi repercutida pelo Metrópoles, que informou que Kauan afirmou estar fora das conversas sobre a partilha e que seu advogado, Wellington Alexandrino, defendeu a formalização da divisão do patrimônio.
O que aconteceu com os bens de Arlindo Cruz?
A administração dos bens de Arlindo Cruz já havia sido motivo de questionamentos antes da morte do artista.
Em 2024, o Domingo Espetacular exibiu uma reportagem sobre uma procuração assinada em cartório para permitir que Babi Cruz e Arlindinho administrassem as contas do sambista enquanto ele enfrentava as consequências do AVC. O programa apresentou questionamentos de testemunhas sobre o documento e também ouviu pessoas que defenderam a legalidade do procedimento.
A reportagem informou ainda que Babi posteriormente passou a ter a curatela definitiva de Arlindo, tornando-se responsável legal pela administração do patrimônio do artista.
O caso mostra por que a situação financeira de Arlindo Cruz se tornou especialmente complexa: durante anos, sua família precisou administrar os custos de um tratamento prolongado, enquanto os bens e direitos autorais do artista continuavam sendo parte importante de seu patrimônio.

Quem foi Arlindo Cruz?
Nascido no Rio de Janeiro, em 14 de setembro de 1958, Arlindo Cruz começou a se aproximar da música ainda criança. Aos 6 anos, recebeu um cavaquinho do pai, Arlindão Cruz, músico amador que promovia rodas de samba em casa.
Na juventude, participou do movimento ligado ao Cacique de Ramos e integrou a formação do Fundo de Quintal, grupo que ajudou a transformar a história do pagode brasileiro. Mais tarde, iniciou carreira solo e se consolidou também como compositor.
Arlindo Cruz morreu em 8 de agosto de 2025, aos 66 anos, após anos convivendo com as consequências do AVC sofrido em 2017.
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