Trabalhar na televisão exige esforço físico, especialmente no campo do humor de rua. Ao longo de quase quatro décadas, a busca pela risada do público resultou em quedas, pancadas e lesões reais para um dos rostos mais presentes na TV. Para reparar os danos acumulados por tantos incidentes em cena, esse veterano precisou recorrer a um procedimento médico incomum: a colocação de implantes de origem animal no corpo.
A revelação aconteceu de forma direta durante uma entrevista concedida ao programa The Noite, comandado por Danilo Gentili. Na ocasião, o convidado explicou que as peças biológicas de animais foram implantadas cirurgicamente em seu ombro e em seu joelho. Os médicos encontraram nessa técnica a única saída viável para consertar o desgaste físico causado pelas confusões corporais que ele enfrentava com as vítimas de suas brincadeiras nas vias públicas.
O paciente por trás desse histórico médico curioso é o homem que transformou o ato de apanhar de pedestres em audiência: Ivo Holanda. Aos 91 anos de idade, o “Rei das Pegadinhas” carrega o peso e as marcas de uma vida dedicada à televisão. O levantamento sobre sua trajetória, finanças e saúde reúne dados e apurações de entrevistas ao jornalista Leo Dias, além de reportagens de veículos como UOL, TV Foco, Na Telinha e o site Hospedario.
De agricultor a recordista na TV
O trabalho de Ivo vai além das câmeras escondidas. Filho de alagoanos e nascido no interior de São Paulo, ele chegou a plantar algodão na infância. Na juventude, se mudou para a capital paulista, onde atuou como engraxate, tapeceiro, pesquisador do Ibope e contínuo de banco. Iniciou na arte fazendo teatro amador nas periferias.
Na televisão, começou na década de 1980 animando plateias de Gugu Liberato, até ser notado e fixado nos quadros de rua. Hoje, ele acumula mais de três mil cenas gravadas e possui um contrato vitalício com a empresa de Silvio Santos.

Salário baixo e devoção ao formato
Apesar dos picos de audiência que suas produções geram, o retorno financeiro do comediante destoa do sucesso do programa. O site Hospedario publicou que os vencimentos dele giram em torno de quatro mil reais mensais, um padrão baixo para o meio televisivo.
Quando questionado pelo jornalista Leo Dias, o ator não confirmou o valor exato, mas garantiu que a quantia “é de cair para trás”. Ele justificou sua permanência contínua na tela com as seguintes palavras:
“Se você souber, vai ficar chateado. Mas eu faço por amor. Quando você se apaixona por alguma coisa, não tem jeito”.
Pausas forçadas e isolamento
Acostumado à agitação externa, o humorista lida com dificuldade com os momentos de inatividade. Quando situações de saúde pública o afastaram dos estúdios nos últimos anos, ele precisou cumprir isolamentos rigorosos em sua casa, na zona norte de São Paulo.
Mesmo já estando oficialmente aposentado, ele relatou profunda tristeza por ficar longe das equipes de filmagem e do contato humano direto, reforçando que os corredores do SBT funcionam como a sua segunda casa.
O mundo digital como alternativa
Para evitar a estagnação longe da televisão, ele encontrou espaço na internet. Com a ajuda de seus filhos, entre eles o engenheiro Maurício Spadotto, passou a publicar vídeos no YouTube e interagir no Instagram. A ideia é compartilhar histórias de bastidores para distrair a mente e manter o contato com os fãs.
Acostumado às ruas, o veterano confessou ao portal Na Telinha que a transição para as redes sociais foi um desafio técnico delegado à família. “Estou começando agora a adquirir certa prática”, afirmou.

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