O mundo do esporte costuma reservar surpresas, mas poucas chamam tanta atenção quanto o retorno de um campeão mundial aos gramados após mais de uma década de aposentadoria. Aos 46 anos, um dos nomes mais conhecidos do esporte brasileiro decidiu calçar as chuteiras novamente. Foram 11 anos longe das partidas profissionais oficiais, um hiato que agora chega ao fim com um contrato assinado para atuar no continente europeu.
O destino escolhido para essa retomada é o Ravenna FC, um clube tradicional que disputa atualmente a Serie C, a terceira divisão do campeonato italiano. O acordo possui um forte componente comercial e foi conduzido diretamente pelo proprietário da equipe, o ítalo-americano Ignazio Cipriani. A apresentação oficial do reforço foi programada para acontecer em Miami, nos Estados Unidos. A cidade norte-americana virou a base do ex-atleta durante o período da Copa do Mundo de 2026.
É só agora, ao observar a trajetória de quem une os gramados aos palcos, que o mistério se desfaz. Com talentos que vão além das quatro linhas, atuando também como cantor e compositor, esse artista da bola popularizou a cobrança de falta por baixo da barreira e marcou geração. O nome por trás desse retorno é Ronaldo de Assis Moreira, mundialmente conhecido como Ronaldinho Gaúcho. Aos 46 anos, o craque que já foi eleito duas vezes o melhor jogador do mundo volta a ser o foco do mercado esportivo.
A notícia, apurada inicialmente pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport e depois chancelada por fontes da agência de notícias AFP, movimentou os bastidores. Em entrevista ao periódico europeu, o brasileiro confirmou o acerto e ressaltou sua motivação. “Estou ansioso para voltar a dançar com a bola e escrever um novo capítulo na história com Ignazio Cipriani e toda sua família“, declarou. Ele também destacou a relação emocional com a profissão: “O futebol sempre foi uma fonte de alegria para mim e quero trazer esse mesmo espírito para o Ravenna”.

Jogada de marketing ou reforço em campo?
A contratação levanta dúvidas naturais sobre a capacidade física de um atleta de 46 anos em uma liga competitiva. A diretoria do clube, no entanto, trata o assunto com bastante franqueza. O objetivo primário do Ravenna é utilizar a projeção global de seu novo contratado para atrair investimentos e fortalecer a marca. A meta final dessa estratégia é garantir o acesso da equipe à Serie B, divisão da qual o time está afastado desde o ano de 2008.
O vice-presidente da equipe italiana, Ariedo Braida, explicou o cenário em conversas com a mídia local. Em declaração divulgada pela agência LaPresse, ele ponderou: “Ele é um jogador mágico e terá seu contrato; é uma grande conquista para nós. Vai jogar aos 46 anos? Depende, mas digamos que ele terá seu contrato“. Logo depois, em contato com a agência Ansa, o dirigente deixou a porta aberta para a atuação em campo ao destacar que, para um profissional desse nível, a idade é apenas um detalhe, não podendo descartar sua presença nos jogos.
Uma trajetória consolidada
A última vez que o meia havia entrado em campo por um clube profissional foi em setembro de 2015, mês em que encerrou seu vínculo com o Fluminense. Antes dessa longa pausa, ele construiu uma das carreiras mais conhecidas do esporte.
Revelado pelo Grêmio, ele vestiu a camisa de times da Europa como Paris Saint-Germain, Barcelona e Milan. No Brasil, além do time carioca, foi peça central na conquista da Copa Libertadores pelo Atlético Mineiro. Pela Seleção Brasileira, fez parte do grupo que venceu a Copa do Mundo de 2002. Agora, o desafio é totalmente diferente: ajudar um time do interior da Itália a recuperar seu prestígio, seja tocando na bola ou apenas atraindo a atenção global para o clube.
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