A gravação da novela Vamp (1991) coleciona episódios inusitados que entraram para a história da teledramaturgia. Um dos momentos mais marcantes — confirmado pelo Memória Globo — envolveu Claudia Ohana, moedas no chão e a intervenção da polícia italiana em plena Praça de São Marcos, em Veneza.
Na ocasião, o diretor Jorge Fernando orientou a atriz a ir para o meio da praça com um rádio portátil e dançar entre os pombos caracterizada como Natasha. A performance improvisada atraiu turistas que passavam pelo local. Impressionados com a atuação, muitos pensaram tratar-se de uma artista de rua e passaram a jogar moedas para a estrela brasileira.
O imprevisto principal ocorreu devido à Trilha Sonora da cena. A música “Sadeness Part I”, do projeto Enigma, misturava canto gregoriano e elementos profanos, motivo pelo qual havia sido proibida no país. A polícia italiana apareceu no local e interrompeu a gravação. Apesar da confusão, a sequência foi mantida no folhetim e tornou-se um dos momentos mais lembrados da TV.
A condição para o retorno de Natasha à TV
Trinta e cinco anos após a estreia de Vamp (1991), Claudia Ohana está disposta a vestir novamente o figurino gótico da vampira Natasha. Contudo, a atriz de 63 anos impôs uma condição clara para que o projeto saia do papel: a personagem precisa amadurecer junto com ela.
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Em entrevista ao jornal O Globo, a artista revelou que enxerga o retorno do papel sob um novo ponto de vista. “Acho que Natasha seria hoje uma nova mulher, do seu tempo, mais velha e menos ingênua”, avaliou.
Existe uma movimentação recente em torno da ideia de refazer ou continuar a novela, que completou 35 anos em 2026. Em julho, o autor Antônio Calmon disse que gostaria de ver uma continuação e afirmou que não entende por que a Globo ainda não fez um Vamp 2. Ele também defendeu a volta de Cláudia Ohana como Natasha.
Conversas com o autor e aparições recentes
O desejo de dar nova vida à roqueira não é apenas uma ideia distante. Claudia confirmou que o próprio criador da trama já demonstrou interesse em resgatar a história. “Seria incrível reviver ela. O Antônio Calmon [autor da novela] tem falado nisso”, contou na entrevista ao O Globo.
A conexão da atriz com Natasha, aliás, segue forte na cultura pop. Em 2025, Claudia reencarnou a vampira para uma participação especial na novela Êta Mundo Melhor!, além de estrelar uma campanha publicitária caracterizada como o ícone dos anos 1990.
Críticas ao etarismo e a maturidade aos 60
A visão atual sobre a personagem reflete o próprio momento de vida da atriz. Ao abordar o envelhecimento, Claudia criticou a forma como a sociedade e a imprensa lidam com mulheres que passam dos 60 anos, lembrando de perguntas invasivas que recebeu logo após o aniversário.
“Lembro que uma semana depois de ter feito 60 anos, começaram a me perguntar, em entrevistas, como era o sexo após os 60 e se eu ia me aposentar. Eu pensei: ‘Nossa, então ontem eu tinha 59 e estava tudo bem. Agora que fiz 60 tenho que mudar tudo?’. Mas não tem que mudar, não. A mulher de 60 continua viva, bonita e na ativa”, ponderou.
Para a artista, a chegada da maturidade trouxe de volta a liberdade do início da carreira. Ela explicou que, com o passar dos anos, o medo de arriscar desaparece, permitindo escolhas mais conscientes e sem a pressa da juventude.
Carreira de Cláudia Ohana: de Tieta e Vamp ao cinema e teatro
Cláudia Ohana começou a carreira artística ainda na adolescência e construiu uma trajetória que passa pelo cinema, televisão, teatro e música. Filha da montadora de cinema Nazareth Ohana, ela cresceu próxima do universo cinematográfico e frequentou o curso de teatro Tablado. Sua estreia no cinema aconteceu no fim dos anos 1970, e, nos primeiros anos de carreira, participou de produções como Amor e Traição, Menino do Rio, Beijo na Boca e Aventuras de um Paraíba. O filme Erêndira, dirigido por Ruy Guerra e baseado em obra de Gabriel García Márquez, também se tornou um trabalho importante em sua trajetória internacional.
Na televisão, Cláudia ganhou projeção em novelas da Globo, com destaque para Tieta (1989), na qual interpretou a protagonista na primeira fase, Rainha da Sucata (1990) e, principalmente, Vamp (1991). Na novela de Antônio Calmon, viveu Natasha, uma vampira roqueira que também cantava — personagem que se tornou um dos maiores símbolos de sua carreira. A atriz voltou a se destacar como a vilã Isabela Ferreto, de A Próxima Vítima (1995), e posteriormente esteve em produções como Fera Ferida, Zazá, A Muralha, As Filhas da Mãe, A Favorita, Da Cor do Pecado, Sol Nascente e Vai na Fé.
Além das novelas, Cláudia manteve uma relação constante com o teatro e a música. Em 1986, estrelou o musical Ópera do Malandro, dirigido por Ruy Guerra, e posteriormente participou de outros espetáculos musicais. Em 2018, voltou a interpretar Natasha na adaptação teatral de Vamp, dessa vez ao lado de Ney Latorraca. No cinema, seu currículo inclui ainda Luzia Homem, Kuarup, A Bela Palomera, Zoom e Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo. Seu trabalho mais recente em uma novela foi Verão 90, em 2019, e no mesmo ano participou do reality musical Popstar.
Vida pessoal de Cláudia Ohana: casamento com Ruy Guerra, filha e netos
Na vida pessoal, Cláudia Ohana foi casada com o cineasta Ruy Guerra entre 1981 e 1984. Os dois se aproximaram também profissionalmente e trabalharam juntos em Erêndira. Da relação nasceu Dandara Guerra, em 1983, que seguiu os passos da mãe e também se tornou atriz. Cláudia também é tia da cantora Bárbara Ohana e meia-irmã do autor de novelas João Emanuel Carneiro.
A maternidade aconteceu quando Cláudia tinha 20 anos, algo que ela própria revisitou em entrevista à revista Claudia. A atriz contou que, olhando para trás, considera que era muito jovem para ter um filho, mas afirmou que cresceu junto com Dandara. Mesmo depois da separação, manteve uma relação próxima com Ruy Guerra, a quem descreveu como uma espécie de “âncora” em sua vida. Dandara posteriormente deu à mãe dois netos, e Cláudia já falou publicamente sobre a forte ligação que mantém com eles.
Em 2026, a atriz voltou a falar sobre a família no Encontro com Patrícia Poeta. Na ocasião, relembrou que Dandara participou de uma cena de A Próxima Vítima aos 12 anos, justamente na novela em que Cláudia interpretava Isabela Ferreto. Ela contou que preferiu ficar afastada das gravações para não deixar a filha nervosa. No mesmo programa, emocionou-se ao falar sobre a experiência de ser avó e afirmou que o nascimento dos netos trouxe um “amor incondicional”.
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