Exatamente 18 anos após a morte de Fernando Torres, ocorrida em 4 de setembro de 2008, a cultura brasileira relembra o legado de um dos seus nomes mais versáteis. O artista faleceu aos 80 anos em sua casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações respiratórias. No entanto, sua trajetória permanece como pilar do teatro, do cinema e da televisão nacional.
Nascido em Guaçuí, no Espírito Santo, em 14 de novembro de 1927, Fernando era filho do primeiro prefeito da cidade, Manuel Monteiro Torres. O jovem chegou a se formar em Medicina, mas optou por não seguir a carreira acadêmica. Assim, ele escolheu os palcos para construir uma das trajetórias mais respeitadas do meio artístico.
O início no teatro e o encontro com Fernanda Montenegro
Fernando Torres começou sua carreira artística em 1949, no Teatro Universitário, ao estrear na peça A Dama da Madrugada. Dois anos depois, ele ingressou na companhia da atriz Eva Todor. Nesse período, o jovem ator passou a consolidar sua presença nas artes cênicas.
Foi também no início dos anos 1950 que Fernando se casou com Fernanda Montenegro. A união durou mais de cinco décadas, até a morte do diretor em 2008. Juntos, eles construíram uma parceria pessoal e profissional permanente. No documentário Tributo – Fernanda Montenegro, a atriz declarou que sua vida não teria se cumprido sem a presença do companheiro.
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A criação do Teatro dos Sete e o sucesso na direção
Em 1954, o casal se mudou para São Paulo para trabalhar no Teatro Maria Della Costa. No local, Fernando atuou e trabalhou como assistente de direção em espetáculos como O Canto da Cotovia e A Moratória. Mais tarde, entre 1956 e 1958, ele integrou o prestigiado Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).
Em 1959, Fernando Torres alcançou um dos momentos mais importantes de sua carreira ao fundar o Teatro dos Sete. A companhia foi criada ao lado de Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi e Gianni Ratto. Como diretor e produtor do grupo, ele comandou a montagem histórica de O Beijo no Asfalto (1961), de Nelson Rodrigues, trabalho que lhe rendeu o título de diretor revelação.
Ao longo dos anos, ele também assinou a direção de obras consagradas como O Homem do Princípio ao Fim, de Millôr Fernandes, e O Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen. Por seus trabalhos, recebeu premiações de destaque, como o Prêmio Governador do Estado da Guanabara e o Prêmio Molière Especial.
Papéis marcantes na televisão brasileira
A estreia de Fernando na televisão aconteceu ainda nos anos 1950, participando do Grande Teatro Tupi. Depois de passar por emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Record, ele estreou na TV Globo em 1965. Além de atuar, trabalhou como diretor de teledramaturgia, comandando a novela Minha Doce Namorada em 1971.
Entre seus papéis mais conhecidos na TV estão:
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Baila Comigo (1981): Interpretou o médico Plínio Miranda, pai de criação do personagem de Tony Ramos.
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Louco Amor (1983): Viveu o fotógrafo Alfredo, pai das personagens de Gloria Pires e Beth Goulart.
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Amor com Amor se Paga (1984): Marcou o público ao interpretar o sábio Tio Romão.
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Zazá (1997): Interpretou o Brigadeiro Pascoal, contracenando ao lado de Fernanda Montenegro.
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Laços de Família (2000): Seu último trabalho na emissora, no qual viveu Alessio, pai das personagens de Vera Fischer e Deborah Secco.
Presença marcante no cinema e trabalho em família
No cinema, Fernando Torres participou de cerca de 19 produções ao longo da carreira. Ele integrou o elenco do clássico Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade, interpretando o poeta Cláudio Manuel da Costa. Também participou da produção internacional O Beijo da Mulher Aranha (1985), dirigida por Hector Babenco, obra indicada ao Oscar em quatro categorias.
Em 1997, o ator conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival do Recife por sua atuação no longa A Ostra e o Vento, de Walter Lima Jr. Anos depois, em 2004, vivenciou um encontro familiar no cinema ao atuar no filme Redentor. O longa foi dirigido por seu filho, Cláudio Torres, e contou ainda com as atuações de Fernanda Montenegro e Fernanda Torres.
A influência artística e o legado familiar
Fernando Torres e Fernanda Montenegro tiveram dois filhos que seguiram carreira no meio audiovisual: o cineasta Cláudio Torres e a atriz Fernanda Torres. A convivência com os pais nos bastidores e ensaios influenciou diretamente a formação dos dois artistas.
O ator também deixou três netos: Davi, filho de Cláudio, além de Joaquim e Antonio, filhos de Fernanda Torres com o diretor Andrucha Waddington.
Mais do que a imagem do marido ou pai de grandes nomes da atuação, Fernando Torres construiu um caminho próprio como produtor, diretor e ator. Dezoito anos após seu adeus, sua contribuição para a estruturação do teatro moderno e da teledramaturgia nacional continua reconhecida por gerações de artistas.
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