O velório de um parente costuma ser um momento de tristeza e reflexão. No entanto, o funeral de uma famosa ex-atriz mirim, ocorrido em setembro de 2013, terminou com um ataque de riso entre os irmãos. Enquanto os carregadores levavam o caixão, um deles questionou, em tom de brincadeira, se o corpo rolaria e começaria a gritar com todos eles ali presentes. O episódio insólito, que fez todos rirem na ocasião, foi o ponto final de uma relação familiar longa, difícil e marcada por controle absoluto. Segundo o portal da BBC, a mãe a colocou no mundo do entretenimento aos seis anos, projetando nela suas próprias ambições frustradas.
Os bastidores da fama
Por trás de uma vida que parecia perfeita nas telas, havia uma rotina rígida, solitária e assustadora. A matriarca controlava todos os passos e decisões da filha. De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a artista passava por inspeções íntimas durante o banho até os 16 anos. A mãe justificava a atitude argumentando que realizava exames de rotina para procurar possíveis caroços e problemas de saúde. Além disso, havia uma pressão estética diária. Pesagens e restrições de calorias resultaram em sérios distúrbios alimentares a partir dos 11 anos. A situação era agravada porque a criança logo se tornou o principal sustento financeiro de toda a casa.
Hoje, aos 34 anos, a dona dessa história de sobrevivência quebra o silêncio e mostra sua verdadeira voz para o mundo. Nascida na Califórnia, ela ficou mundialmente conhecida por carregar um controle remoto em um icônico programa da televisão infantojuvenil. Se você pensou na rebelde, engraçada e carismática Sam Puckett, acertou. Jennette McCurdy, que conquistou o público na série iCarly, da Nickelodeon, agora expõe a realidade nua e crua de seu passado com a mãe, Debra McCurdy. Longe das câmeras há anos, ela transforma sua dor em arte e ensina sobre os próprios limites.

O livro e o humor na tragédia
As revelações vieram a público com o livro autobiográfico cujo título chama atenção logo de cara: “Estou feliz por minha mãe ter morrido”. O lançamento se tornou um best-seller imediato. Na capa, a autora segura uma urna funerária com papeizinhos picados.
Em entrevista à revista americana Entertainment Weekly, repercutida pelo portal G1, ela explicou a escolha da imagem. “O confete derramado de uma urna me pareceu uma boa maneira de capturar o humor da tragédia”, afirmou, pontuando que procurou uma expressão facial sincera, um pouco magoada e esperançosa.
Assédio e dinheiro pelo silêncio
Os traumas não ocorreram apenas no ambiente doméstico. Durante as gravações da série que a consagrou, a atriz relatou condutas inadequadas de um homem nos bastidores, chamado por ela apenas de “o criador”.
À revista Vanity Fair, citada pela BBC, ela contou que esse homem ofereceu álcool a ela, ainda menor de idade, e fez massagens nas costas que ela considerou impróprias.
Ela também relatou que a emissora chegou a oferecer US$ 300 mil para que ela não falasse sobre sua experiência na televisão. Ela recusou a oferta, classificando-a em seu livro como um inaceitável “dinheiro em troca de silêncio”.

O recomeço longe da atuação
Atualmente focada na carreira de escritora e diretora, a ex-atriz deixou a atuação de forma definitiva. O dinheiro e o glamour da época de estrela adolescente perderam o sentido diante da sua necessidade de cura pessoal e profissionalismo atrás das câmeras.
Em declaração ao site The Hollywood Reporter, resgatada pela reportagem da BBC, ela refletiu sobre o que diria para si mesma no passado.
“Eu teria me dito: ‘Você vai ficar bem, garota. Você será capaz de realizar seu sonho de escrever e dirigir. Continue trabalhando duro e você chegará lá.’ Minha vida é melhor agora do que nunca”, concluiu a roteirista, finalmente em paz.
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