por Diva Pavesi

Paris tem a Torre Eiffel e Nice, o mítico Hotel Negresco. Construído há quase um século para receber nobres que passavam férias na Côte d’Azur, o palácio, decorado com obras de arte, se impõe com glamour em frente da Baía dos Anjos. Desde 1957, a alma desse hotel – que até hoje recebe reis, milionários e celebridades – tem nome: Jeanne Augier (84).

Sem herdeiros, madame Augier criou uma fundação para preservar o Negresco e seu acervo. O patrimônio é gigante, tanto que Bill Gates (51) ofereceu à francesa um cheque em branco pelo Negresco. Ela apenas sorriu: “Dinheiro não me interessa, quero contribuir para a cultura deixando essa coleção para as próximas gerações.” Em entrevista exclusiva à CARAS, madame Augier fala sobre os 50 anos à frente do hotel e conta que sonha conhecer o Brasil. “É um país que representa a alegria e a generosidade.”

– Por que dedicar sua vida ao Negresco?
– Por várias razões. Uma delas foi por causa do acidente que minha mãe sofreu, aos 50 anos, condenando-a a uma cadeira de rodas. Decidimos comprar o hotel porque ele tinha um elevador compatível com a cadeira. Em segundo lugar, sou patriota. Meu pai, um resistente na época da Segunda Guerra, me transmitiu o gosto pelo combate. O Negresco, em 1957,
estava à beira da falência e decidimos investir na arte e decoração a fim de permitir aos turistas se impregnarem da nossa cultura.

– O que deseja ainda dessa bela vida?
– Se eu tivesse mais tempo, participaria no combate à violência que as mulheres sofrem. Também gostaria de ver aprovadas leis de proteção aos animais, sobretudo contra corridas de touros. Se algumas celebridades brasileiras desejarem se unir, serão bem-vindas. Aliás, sempre sonhei conhecer o Brasil, mas estou muito velha para atravessar o Atlântico.

– Que celebridades se hospedaram no Negresco? Lembra de alguma história engraçada.
– É difícil nomear todos! A rainha Elizabeth; o rei Baudouin, da Bélgica; o imperador Hiroito, do Japão; sir Winston Churchill; Nelson Rockefeller; os Beatles; Picasso; Sinatra; Brigitte Bardot; Walt Disney… Me lembro bem de uma história curiosa com Salvador Dalí. O príncipe Ranier, de Mônaco, queria conhecê-lo. Preparei um almoço para ele, sua esposa, princesa Grace, e Dalí, que trouxe seu animal de estimação: um leopardo! Dalí ficou decepcionado com as pessoas, porque achou que se interessaram mais pelo leopardo do que por ele.

FOTOS:
HOTEL NEGRESCO