Atualidades / Força das mulheres negras

‘A volta para música é uma necessidade de obedecer à minha alma’, diz Isabel Fillardis

A atriz e cantora Isabel Fillardis fala à CARAS Brasil sobre 'Pretas do Brasil', show que celebra a força das mulheres negras na música

Isabel Fillardis
Isabel Fillardis - Reprodução/Fabio Carmona

Isabel Fillardis (52) retorna à música com um projeto que vai além do palco: o espetáculo Pretas do Brasil. A turnê, que estreia em setembro por Brasília e depois segue para Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e Belo Horizonte, homenageia grandes nomes da música brasileira e resgata a memória de artistas negras que moldaram a cultura nacional.

Desde que decidi voltar a cantar, tenho consciência de usar a minha voz para aquilo que acredito, usar a minha voz para propagar não só o meu legado, mas o de mulheres que fizeram e fazem parte da minha construção como cantora e artista”, afirma Isabel Fillardis em entrevista exclusiva à CARAS Brasil.

Um ato de resistência e afeto

Para a atriz e cantora, o espetáculo não é apenas um show musical, mas um gesto de reparação histórica.

Acredito estar trazendo não só as minhas referências, mas acredito estar continuando a colocar luz na trajetória de mulheres, ou melhor, artistas que abriram espaços com suas vozes e militâncias. Desejo não deixar que o público esqueça delas, trazendo seus maiores sucessos e colocando no mundo na minha voz”, reflete.

O repertório mistura samba, R&B, MPB e ritmos latinos, com releituras marcantes de clássicos como Não Deixe o Samba Morrer, Zé do Caroço, Banho de Folhas, Sorriso Negro (em versão reggae) e Você Me Vira a Cabeça, reinventada em clima de bolero e salsa.

Isabel Fillardis - Foto: Fabio Carmona
Isabel Fillardis – Foto: Fabio Carmona – Fabio Carmona

 

Arte que nasce da vida real

A força de Isabel no palco também vem de suas experiências pessoais. A artista é mãe de três filhos atípicos: Analuz, de 24 anos, diagnosticada com transtorno de ansiedade; Jamal, de 21, que enfrentou a Síndrome de West, uma condição neurológica rara que causa espasmos e microconvulsões; e Kalel, de 11 anos, diagnosticado com autismo e TDAH.

“Na verdade, sou mãe atípica três vezes. Todas essas experiências trazem à tona essa mulher que vocês estão vendo dentro e fora da arte. Essa ‘forja’, por mais dura que tenha sido muitas vezes, por mais desafiadora que seja diariamente, é a força que faz a artista desse palco flutuar. A dramaturgia traz o glamour que o palco pede, mas é a realidade que faz tudo brilhar. As pessoas estão precisando de verdade seguida de sonho”, declara Isabel.

Protagonista de sua própria trajetória

A artista assina a direção artística do espetáculo e destaca a importância de colocar sua identidade em cada detalhe.

“Comecei a fazer isso escrevendo minha própria biografia. Esse show tem minha direção artística e tem minha mão em tudo! Nessa etapa da minha vida, ser eu mesma nesse espetáculo vai fazer as pessoas me conhecerem ainda mais. É um prazer poder colocar o meu olhar, a minha essência em cada pedaço”, ressalta.

Leia também: Isabel Fillardis celebra novo ciclo de vida e carreira no Kurotel

Homenagem e reconhecimento

Eternizada recentemente na Calçada da Fama de Gramado, Isabel vê essa conquista como o início de uma nova etapa.

No texto que o festival escreveu sobre mim, está assim: ‘um novo ciclo na minha trajetória…’. Acho que eles foram certeiros nessa colocação. Eu me sinto num novo ciclo cheio de novas sementes. É colocar luz em tudo que fiz até então e, ao mesmo tempo, um combustível para seguir e conquistar”, analisa.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Festival de Cinema de Gramado (@festivaldecinemadegramado)

 

Um reencontro com a música

Isabel iniciou sua carreira musical nos anos 90, no grupo As Sublimes. Agora, retorna aos palcos com uma maturidade que se reflete no novo trabalho.

A Isabel das Sublimes era uma menina que ainda não fazia ideia do lugar que estava ocupando nem do tamanho de sua representatividade. A volta para música é uma necessidade de obedecer a minha alma. É um reencontro com algo que foi plantado, e nessa germinação sofreu algumas intervenções importantes para sementes mais fortes ainda. O público vai ver uma nova cantora de timbre marcante, mas com a doçura e firmeza atrás de um sorriso que renasceu das cinzas”, afirma.

Pontes com o público

Com Pretas do Brasil, Isabel busca mais do que emocionar: ela quer criar conexões: “Criar pontes é o que faz as coisas acontecerem da melhor maneira. Por mais que o Brasil seja diverso, complexo, eu trago uma linguagem para todos. As artistas que homenageio são de gerações diferentes. Já começa por aí”, explica.

E sobre qual dessas artistas a atravessou de forma mais íntima? Isabel deixa no ar: “Tenho, sim, mas eu conto durante o show. Não dá para dar spoiler”.

 

 

Um espetáculo que ecoa vozes

Idealizado e protagonizado por Isabel Fillardis, Pretas do Brasil reverencia nomes como Dona Ivone Lara, Elza Soares, Zezé Motta, Leci Brandão, Alcione, Sandra de Sá, Ludmilla, Luedji Luna, Iza e Liniker.

Mais do que música, o projeto é um convite para sentir, refletir e celebrar a ancestralidade. Um espetáculo que honra a história das mulheres negras e reforça a força de Isabel como artista múltipla, ativista e voz potente da cultura brasileira.

CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DE ISABEL FILLARDIS NAS REDES SOCIAIS:

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Isabel Fillardis (@fillardis)

 

GABRIELA CUNHA é jornalista graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Especialista em entretenimento, atua na cobertura editorial de televisão, celebridades e comportamento, com foco em notícias e análises