Alice Wegmann fala sobre compulsão e médica alerta: ‘Mais séria do que muita gente imagina’
Em entrevista à CARAS Brasil, a Dra. Camila Ribeiro explica o transtorno relatado pela atriz Alice Wegmann, a Solange de 'Vale Tudo'

A atriz Alice Wegmann, de 29 anos, tornou pública a informação de que passou parte de sua vida lutando contra compulsão alimentar. Ela desenvolveu o transtorno quando ainda era bem jovem e isso impactou bastante. Para entender mais sobre o assunto, a CARAS Brasil entrevista a Dra. Camila Ribeiro, médica nutróloga, endocrinologista e infectologista.
Hoje em dia, este é um passado longínquo na vida da atriz, mas ela enfrentou uma longa batalha. “Com 15 anos desenvolvi transtorno alimentar. Eu tinha muita compulsão porque fazia muita dieta restritiva. E quando parei com essas dietas a minha vida melhorou 100%, porque eu me privava muito, papo de não comer arroz durante a semana”, desabafou Alice Wegmann durante entrevista ao podcast em entrevista à jornalista Mari Palma, no vídeocast Na Palma da Mari, da CNN Brasil.
O que diz a especialista?
Segundo a Dra. Camila Ribeiro, nutróloga, endocrinologista e infectologista, especializada pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), a compulsão alimentar acontece quando uma pessoa consome grandes quantidades de comida, em um curto período de tempo, com uma sensação de perda total de controle.
“É mais comum do que parece e mais séria do que muita gente imagina […] É importante entender: isso não é ‘falta de força de vontade’. É uma resposta biológica e emocional a situações como dietas extremamente restritivas, estresse, ou traumas. Diversos estudos mostram que dietas rígidas, principalmente as que cortam grupos alimentares inteiros, aumentam significativamente o risco de episódios de compulsão”, explica.
Dados que chamam a atenção
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 4,7% dos brasileiros sofrem de compulsão alimentar, quase o dobro da média global, que é de 2,6%. A Dra. Camila alerta que as mulheres tendem a serem mais acometidas com transtornos alimentares.
“Cerca de 90% dos casos diagnosticados de transtornos alimentares acontecem em mulheres, segundo a Academy for Eating Disorders. Isso tem tudo a ver com o peso que é colocado, desde cedo, sobre o corpo feminino. Magreza ainda é tratada como sinônimo de sucesso, controle, beleza. E isso gera uma pressão silenciosa, diária. É como se estivéssemos em guerra com o espelho. E essa guerra é injusta, porque os padrões mudam o tempo todo, e são quase sempre inalcançáveis”, declara.
Existe tratamento?
A Dra. Camila Ribeiro avalia que além de tratar os sintomas dos transtornos alimentares, a equipe médica precisa tratar a dor invisível que está por trás, como a fome emocional, a sensação de inadequação, a necessidade de se encaixar. E isso só se cura com escuta, cuidado e respeito.
“O tratamento vai muito além de “fechar a boca”. Ele precisa ser acolhedor, individualizado e feito por uma equipe multidisciplinar: psicólogo, nutricionista e médico. A boa notícia? Tem saída. E ela começa quando a gente decide cuidar da saúde, não do peso. Da mente, não só do prato. Do todo, não só da aparência”, finaliza a especialista.
Leia mais em: Alice Wegmann desabafa sobre transtorno alimentar: “Sentia culpa”
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