O youtuber e biólogo Paulo Nascimento, mais conhecido como Pirulla, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) aos 43 anos. A ocorrência aconteceu na última semana, enquanto ele estava em casa. Pirulla precisou ser levado às pressas para o hospital e, até o momento, segue internado na UTI, sem previsão de alta.

Diante da gravidade do caso, a CARAS Brasil conversou com o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, que explicou os possíveis fatores que levaram ao AVC em uma pessoa relativamente jovem e destacou os principais cuidados preventivos.

É possível ter um AVC antes dos 45 anos?

Embora o AVC seja mais comum em idosos, pessoas com menos de 45 anos, como é o caso de Pirulla, também podem ser atingidas por esse tipo de evento. Segundo o Dr. Raphael, algumas condições cardíacas silenciosas podem aumentar consideravelmente esse risco.

Mesmo em indivíduos jovens, como os que têm menos de 45 anos, existem condições cardíacas que podem aumentar significativamente o risco de um acidente vascular cerebral (AVC).” Entre as mais comuns, estão:

  • Fibrilação atrial: ‘Trata-se de uma arritmia cardíaca que favorece a formação de coágulos dentro do coração. Esses coágulos podem se deslocar e obstruir vasos cerebrais, causando um AVC.’
  • Forame Oval Patente (FOP): ‘É uma abertura entre os átrios do coração que deveria ter se fechado após o nascimento, mas permanece aberta em algumas pessoas. Isso pode permitir a passagem de pequenos coágulos diretamente para a circulação cerebral.’
  • Cardiomiopatias: ‘Alterações na musculatura cardíaca, mesmo em estágios iniciais, podem predispor à formação de coágulos e eventos tromboembólicos.’
  • Doenças das válvulas cardíacas: ‘Quando as válvulas não funcionam adequadamente, pode haver turbulência no fluxo sanguíneo, favorecendo a formação de coágulos.’

Como identificar riscos de AVC antes que ele aconteça?

A boa notícia, segundo o especialista, é que a maioria desses riscos pode ser monitorada com o acompanhamento médico adequado. Exames simples e avaliações periódicas fazem toda a diferença.

“Sim, a prevenção é fundamental e, muitas vezes, passa por um acompanhamento cardiológico regular. Através de consultas e exames específicos, conseguimos detectar doenças silenciosas que aumentam o risco de AVC”, diz ele.

Entre os principais exames e estratégias citadas por ele estão:

Avaliações periódicas com cardiologista: ‘Mesmo sem sintomas, elas são essenciais para identificar alterações cardíacas precocemente.’

Eletrocardiograma e ecocardiograma: ‘Esses exames permitem avaliar o ritmo, estrutura e funcionamento do coração.’

Teste ergométrico (teste de esforço): ‘Útil para analisar a resposta do coração durante a atividade física.’

Monitoramento de fatores de risco: ‘Como pressão arterial elevada, colesterol alto e glicose desregulada, que são importantes gatilhos cardiovasculares.’

Uso de anticoagulantes: ‘Em casos específicos, como na fibrilação atrial ou presença de FOP, pode ser necessário o uso de medicamentos anticoagulantes, sempre sob orientação médica.’

Pessoas saudáveis também podem ter AVC?

Mesmo indivíduos aparentemente saudáveis e ativos, como Pirulla, não estão isentos desse tipo de evento. Há fatores silenciosos que muitas vezes escapam de exames de rotina e acabam sendo descobertos somente após uma complicação: “Infelizmente, sim. O AVC pode ocorrer até mesmo em pessoas consideradas saudáveis e com boa qualidade de vida.”

O médico destaca três pontos importantes:

  • Alguns problemas cardiovasculares são silenciosos: Malformações cardíacas leves ou disfunções pequenas podem não causar sintomas, mas representar risco.
  • Distúrbios de coagulação: Existem condições genéticas que aumentam a tendência à formação de coágulos e muitas vezes só são descobertas após um evento como o AVC.
  • Fatores como estresse crônico, tabagismo ou dieta inadequada: Mesmo em quem pratica atividade física, esses hábitos podem impactar negativamente o sistema cardiovascular.

Ele reforça: “Exames de rotina nem sempre detectam tudo. Algumas alterações só aparecem com investigações mais específicas, como o ecocardiograma transesofágico ou exames de sangue mais detalhados.”

“Por isso, é tão importante manter o acompanhamento médico, mesmo na ausência de sintomas. A atenção aos sinais sutis e a realização de exames adequados fazem toda a diferença na prevenção do AVC, inclusive entre os mais jovens, finaliza.

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