Fernanda Abreu desabafa sobre diagnóstico e médico alerta: ‘Chikungunya continua circulando amplamente no Brasil’

Fernanda Abreu deu detalhes ao público de um diagnóstico; em entrevista à CARAS Brasil, o Dr. Igor Maia Marinho explica o caso

Fernanda Abreu testou positivo para chikungunya e agora está totalmente recuperada - Foto: Reprodução/TV Globo
Fernanda Abreu testou positivo para chikungunya e agora está totalmente recuperada - Foto: Reprodução/TV Globo

Em 2019, Fernanda Abreu chocou o público ao revelar que testou positivo para chikungunya. Vale lembrar que, agora, está totalmente recuperada. A cantora contraiu a doença há alguns anos e precisou alterar a rotina profissional por conta do diagnóstico.

“No dia 25 de março, fiquei com muita febre. Não sabia o que era, achei que fosse virose ou gripe. Comecei a me sentir muito mal, totalmente prostrada e aí me levaram para o hospital e fiquei quatro dias internada. Fiz o teste e deu chikungunya. Tive que cancelar cinco shows e fiquei sem fazer nada no mês de abril, parada na cama”, declarou a famosa ao Gshow em 2019. À época, Fernanda Abreu ainda deu detalhes de sua participação no quadro Dança dos Famosos.

“Em maio, comecei a me recuperar, voltei a fazer uns shows, mas com tipoia. Estou à base de remédios para segurar a dor nas articulações, mas não podia perder essa oportunidade porque estou muito a fim. Quando recebi o convite, pensei: ‘Será que vou conseguir fazer o meu melhor, abrilhantar o programa e ficar uma coisa legal?’. Mas conversei com a equipe do ‘Dança’, que é sensacional, e todo mundo me disse para ir até onde eu conseguir”, explicou Fernanda.

Opinião do médico especialista

Para entender mais sobre o assunto, a CARAS Brasil entrevista o Dr. Igor Maia Marinho — médico infectologista da Clínica Sartor, formado pela Faculdade de Medicina da USP e com residência médica em Moléstias Infecciosas e Parasitárias pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), que explica sobre o assunto.

“A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus da Chikungunya (Vírus CHIKV), transmitido principalmente pela picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos que podem transmitir a dengue e zika em ambientes urbanso. O nome da doença tem origem em um idioma africano e significa ‘aqueles que se dobram’, em referência à intensa dor articular que caracteriza a infecção e causa prostração dos pacientes, pela dor no corpo”, declara o Dr. Igor Maia Marinho.

Quais os sintomas?

Os principais são:

  • Febre alta de início súbito;
  • Dor intensa nas articulações (principal característica da doença);
  • Dor muscular;
  • Dor de cabeça;
  • Cansaço importante para atividades básicas;
  • Manchas avermelhadas na pele;
  • Inchaço nas articulações

“Os sintomas costumam surgir entre 3 e 7 dias após a picada do mosquito infectado. Embora a fase aguda geralmente dure alguns dias, um dos grandes desafios da chikungunya é que parte dos pacientes pode permanecer com dores articulares por meses ou até anos após a infecção, impactando significativamente a qualidade de vida”, explica o infectologista.

Dados que merecem a atenção

Segundo informações do Ministério da Saúde, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya tem ampliado sua presença em diferentes regiões do Brasil nos últimos anos. Introduzido no continente americano em 2013, o vírus chegou ao país pouco tempo depois e teve os primeiros casos confirmados por exames laboratoriais nos estados do Amapá e da Bahia, em 2014. Desde então, a circulação da doença avançou e passou a ser registrada em todas as unidades da federação.

O cenário ganhou novos contornos em 2023, quando foi observada uma importante expansão territorial do vírus, especialmente em estados da Região Sudeste. O infectologista aponta.

“A chikungunya continua circulando amplamente no Brasil e tem apresentado aumento de casos em diversas regiões nos últimos anos. Trata-se de uma doença endêmica no país, o que significa que ela mantém sempre um número. Constante de casos, mas com surtos periódicos, especialmente em períodos mais quentes e chuvosos, quando há maior proliferação do mosquito transmissor”, esclarece.

Existe tratamento

Conforme informações do Ministério da Saúde, o tratamento da chikungunya é feito de acordo com os sintomas. Até o momento, não há tratamento antiviral específico para a doença. Vale lembrar que cada caso é individual e exige acompanhamento com um médico especialista. O tratamento é baseado no controle dos sintomas, com:

  1. Hidratação adequada;
  2. Repouso;
  3. Analgésicos;
  4. Antitérmicos para alívio da febre e da dor;

“Em alguns casos, medicamentos específicos para controle da dor crônica e acompanhamento com reumatologista ou fisioterapeuta quando as dores persistem. A maioria dos pacientes evolui bem, mas aqueles que desenvolvem sintomas articulares prolongados podem necessitar de seguimento médico por um período maior”, finaliza o Dr. Igor Maia Marinho.

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Dr. Igor Maia Marinho é médico infectologista (CRMSP 175898) formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência médica em Moléstias Infecciosas e Parasitárias pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), onde atualmente atua como preceptor e em atividades com os alunos e médicos em formação. Atualmente, é médico na Clínica Sartor. Além da formação no Brasil, possui fellowship em um dos melhores hospitais do mundo, a Cleveland Clinic (Ohio - MA) em Infectologia.