Mãe e filho fora e dentro de cena: Helena Ranaldi e Pedro Waddington estreiam juntos em peça de drama
Dupla chega aos palcos de São Paulo ao lado do ator Leonardo Medeiros em peça de dramaturgo norueguês

Helena Ranaldi (59) e Pedro Waddington (28) dividem o palco pela primeira vez em O Retorno, espetáculo que estreia no dia 23 de janeiro no Sesc Santana, em São Paulo. Mãe e filho também na vida real, os dois se encontram em cena em um drama que mergulha nas fragilidades das relações familiares e questiona o ideal contemporâneo de família.
A montagem marca a estreia de Pedro Waddington no teatro. O ator, que recentemente ganhou projeção ao interpretar Tiago Roitman no remake da novela Vale Tudo, na Globo, integra o elenco ao lado de nomes experientes como Helena Ranaldi e Leonardo Medeiros (61), que voltam a contracenar após trabalhos anteriores no teatro e na televisão. Juntos, eles representam duas gerações em diálogo, aspecto que reforça a potência do espetáculo.
Com direção de José Roberto Jardim (49), O Retorno é assinada pelo dramaturgo norueguês Fredrik Brattberg (47), um dos principais nomes da renovação do drama escandinavo contemporâneo. Herdeiro artístico de autores como Jon Fosse (66) e Henrik Ibsen (1828-1906), Brattberg é conhecido por unir humor ácido, tensão dramática e estruturas narrativas baseadas na repetição, criando peças que transitam entre o trágico e o absurdo.

Família em colapso
A trama acompanha um casal que vive o luto pela morte do único filho até que, de forma inesperada, o menino retorna para casa, sujo, faminto e incapaz de explicar onde esteve. A vida familiar tenta se reorganizar, mas o desaparecimento se repete, instaurando um ciclo inquietante que desconstrói certezas e expõe fissuras emocionais cada vez mais profundas.
Segundo José Roberto Jardim, a dramaturgia de Brattberg funciona como uma partitura musical, em que cenas e situações se repetem com variações sutis, alterando sentidos e percepções ao longo do espetáculo. “Essas repetições, que a princípio parecem familiares e até confortáveis, conduzem o público a perder suas referências narrativas, revelando camadas ocultas e verdades desconcertantes”, explica o diretor.
Essa lógica musical também orienta a encenação. O espaço cênico se transforma a cada retorno da cena, nunca de forma idêntica, criando um campo de variações entre palavra, ritmo, imagem e silêncio. A proposta visual e tecnológica é assinada pelo Coletivo Bijari, responsável por cenário, videografia e projeções, em uma parceria que aposta na precisão entre som, luz e imagem para potencializar a experiência sensorial do público.
Destaque internacional
Idealizada por Tiago Martelli (38) e com direção de produção de Cícero de Andrade , da Mosaico Produções, a montagem dá continuidade à pesquisa da dupla com dramaturgia internacional contemporânea, como já ocorreu em Mãe e Filho, de Jon Fosse. Atualmente, O Retorno circula por palcos da França e de Istambul, além de chegar agora ao Brasil.
Reconhecido internacionalmente, Fredrik Brattberg já teve suas obras encenadas em mais de vinte países. The Returning (O Retorno) é seu texto mais premiado e rendeu ao autor o Prêmio Ibsen em 2012, consolidando sua posição como um dos dramaturgos mais relevantes da cena europeia atual.
Confira uma publicação de Helena Ranaldi no Instagram sobre o espetáculo:
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