Bem-estar e Saúde / PATERNIDADE

Após caso de Nathalia Valente, psicóloga perinatal explica como a mãe pode ajudar no vínculo paterno

Influenciadora Nathalia Valente revelou que Yuri Meirelles ainda não cuida do bebê sozinho por escolha dela

Nathalia Valente e Yuri Meirelles - Reprodução Instagram

A influenciadora e ex-Fazenda Nathalia Valente chamou atenção ao revelar, nos stories, que ainda não deixa o filho, Thales, nascido em 9 de setembro, sozinho em casa com o pai, o influenciador Yuri Meirelles, enquanto vai treinar. Segundo ela, Yuri “ainda não sabe decifrar o que o bebê quer quando chora”, mas sua intenção é incentivar que os dois passem mais tempo juntos para fortalecer o vínculo. Para entender como essa percepção materna influencia a dinâmica da família, a CARAS Brasil ouviu a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, que explica de forma técnica e didática como esse padrão pode afetar a participação do pai nos cuidados do recém-nascido.

Por que a mãe pode, sem querer, afastar o pai nos primeiros meses

Segundo a especialista, é importante compreender primeiro o funcionamento do bebê no início da vida. Em alguns trechos, ela explica:

“Bebês humanos não necessariamente precisam da mãe. Eles precisam de um adulto responsável que possa oferecer cuidado e afeto. Então todos os tipos de cuidado, como alimentação, vestimenta, afeto, carinho, é o que um bebê precisa.” Ela detalha que até aproximadamente quatro meses o bebê não compreende que existe mundo além do que consegue ver.

É por isso que a mãe, geralmente mais presente nesse período, se torna a figura de maior segurança. No entanto, isso não diminui a relevância do pai: “Outros adultos são importantes, claro. O pai é importante, mega importante também.”

Mas justamente por essa simbiose natural entre mãe e bebê, Rafaela explica que pode ocorrer um afastamento involuntário: “Como a mãe está nessa simbiose nesses três primeiros meses com o bebê, ela pode, sem querer, acabar afastando o pai.” A psicóloga defende que acompanhamento psicológico durante a gestação pode ajudar a equilibrar expectativas e responsabilidades.

Como o pai pode se aproximar mais do bebê desde o começo

A especialista reforça que, apesar da amamentação ser exclusiva da mãe, há inúmeras formas de o pai participar desde cedo. Ela orienta: “Quando você for tomar banho, se sentir à vontade para deixar esse bebê com o pai, deixa que ele cuide um pouco. Na madrugada, quem vai levantar para ver se o bebê está respirando, em vez de ser sempre a mãe, pode ser o pai.” Rafaela explica ainda que, na psicanálise, existem dois papéis estruturais: a função materna e a função paterna. Sobre isso, ela afirma: “A função materna seria essa mãe poder ficar esses três meses mesmo, ali, atendendo todas as necessidades do bebê. A função do pai seria dar o suporte para que essa mãe possa sustentar esse bebê durante esses três meses.”

Como equilibrar a divisão de responsabilidades, segundo a psicóloga

Sobre como dividir as tarefas sem sobrecarregar ninguém, Rafaela Schiavo respondeu de forma direta: “O casal pode conversar ainda durante a gestação sobre como vão dividir as atividades. Por exemplo, ‘olha, eu gostaria que você me auxiliasse no banho, na troca do bebê, no período da noite’. Eles podem conversar antes e fazer essas divisões de responsabilidades.”

Ela completa: “Ou podem fazer isso juntos também, de forma espontânea. Saber que: ‘ó, aqui tá sendo o nosso plano’, mas nem todo plano sobrevive ao campo de batalha.” A psicóloga reforça a importância da presença do pai: “Não é porque ele não está amamentando que ele não está participando. Não é porque ele não está 24 horas trocando fralda ou fazendo tudo pelo bebê que ele não está participando.”

E faz um alerta importante sobre políticas públicas: “É aí que vem, mais uma vez, a importância de a gente ter licença-paternidade no mesmo tempo da licença-maternidade, para que esse homem possa de fato participar, ser pai, e não alguém que só ajuda quando dá.”

Depois de três meses, nasce um novo espaço para o pai

Com o avanço do desenvolvimento, a participação do pai tende a se ampliar naturalmente: “Depois desses três meses, a criança começa a explorar o ambiente, tem um desenvolvimento diferente, e isso permite muito mais a participação do homem em diversas situações, inclusive percebendo as necessidades do bebê e atendendo a elas também”.

Rafaela reforça que tudo se sustenta no diálogo: “É fundamental que haja conversa entre o casal, para que esse homem vá percebendo as próprias responsabilidades com o bebê e compartilhando essa parentalidade de forma saudável.”

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Rafaela Schiavo (CRP 93353) é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.