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Rosane Svartman abre bastidores de ‘Dona de Mim’ e revela segredos de ‘Vermelho de Sangue’

Autora Rosane Svartman fala sobre tecnologia na dramaturgia, revela bastidores da morte de Tony Ramos em Dona de Mim e comenta inspirações para Vermelho de Sangue

Rosane Svartman é autora de Dona de Mim e Vermelho Sangue - Foto: Globo

A autora Rosane Svartman, responsável por Dona de Mim, próxima novela das 19h da Globo, vive uma fase especial em sua carreira. Além da expectativa para o novo folhetim, ela abriu o jogo em entrevista à CARAS TV sobre o processo criativo, a tecnologia a serviço da dramaturgia e os bastidores de momentos marcantes, como a morte do personagem de Tony Ramos na trama, além da produção da série Vermelho Sangue.

Tecnologia a serviço da história

Rosane destacou que o grande segredo de seu trabalho está em equilibrar recursos tecnológicos com a narrativa:

“Eu acredito que a tecnologia serve à história. Nosso papel é contar histórias brasileiras para brasileiros, muitas vezes invertendo o fluxo transnacional de conteúdo. A cultura e o espírito da sociedade são os verdadeiros agentes de transformação. A tecnologia vem depois, para potencializar o que já está na página”, conta ela.

A morte de Tony Ramos em Dona de Mim

Um dos pontos mais comentados foi a cena da morte de Abel, interpretado por Tony Ramos. Rosane contou que a sequência exigiu meses de preparação.

“A morte do Abel, vivido por Tony Ramos, foi um momento decisivo da trama. Trabalhamos meses nessa cena, planejando cada detalhe: o carro, o túnel, o ônibus, o elevado. Foi um esforço coletivo de roteiro, direção e tecnologia para que fosse um grande momento da novela“, detalha.

Recursos com propósito

A autora também ressaltou que criatividade e responsabilidade andam lado a lado no uso dos recursos de produção.

“Desde o início da minha carreira aprendi que tudo tem que servir à cena. Recursos sempre existem, mas são finitos, e precisam ser usados com responsabilidade. Não adianta ter grua, câmeras ou figurantes se não fizer sentido para a história.”

Mistério em ‘Vermelho de Sangue’

Sobre a série inédita, a autora explicou como uniu narrativa e efeitos: “O outro exemplo que quero dar é sobre uma ferramenta de roteiro chamada Setup/Payoff, que é quando você planta e depois colhe. Com a Patrícia Pedrosa e a Cláudia Sardinha pensamos como era importante que o Lobo Guará e a Lobo-Moça da série tivessem um mistério.”

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“Eu, por exemplo, quando vou ao cinema e alguém diz “o filme é ótimo, a fotografia é linda”, eu já sei que o filme não é. Se ganhou prêmio de efeitos, também não. Tem que ter essa pulsão de vida que a história propõe. Foi um desafio pensar e reescrever várias cenas para que a tecnologia estivesse lá, mas sempre para contar uma grande história.”

Vampiros, lobisomens e o Brasil

Por fim, Rosane comentou a inspiração da trama: “Histórias de vampiros existem há centenas de anos, de lobisomens também. A questão é o ponto de vista, o frescor. Eu consumo muito histórias de terror, fantasia, ficção científica. Do Drácula de Bram Stoker até True Blood, que eu era viciada.”

“Para mim, essas narrativas são uma forma de escapar do mundo, mas também refletir sobre ele. Quem é o monstro? Essa resposta muda ao longo das décadas. No Brasil não temos vampiros, mas temos lobisomens. Temos o Lobo Guará, um lobo ruivo, solitário. Por que não colocar uma mulher no centro da trama? Geralmente essas narrativas têm homens no centro”, diz ela.

A autora conclui: “Descobri que o código genético do lobo foi decodificado por cientistas estrangeiros. Daí veio a ideia dos vampiros estrangeiros. Trouxemos grandes temas do nosso momento: biodiversidade, bioética, biopoder, os limites da ciência, o medo e o desejo de ser extraordinário.”

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