Sthefany Brito fala sobre doença no pós-parto e médica explica: ‘É uma parte crucial’

Após atriz Sthefany Brito desabafar sobre período difícil no pós-parto, psiquiatra explica situação e quando buscar ajuda profissional

Sthefany Brito - Foto: Instagram

A atriz Sthefany Brito revelou ter enfrentado depressão pós-parto após o nascimento do primeiro filho, Enrico, em meio à pandemia. Em entrevista, ela descreveu um momento de intensa tristeza e confusão, mesmo vivendo o sonho da maternidade.

“Era um turbilhão de sentimentos”, contou Sthefany. “Eu me considerava uma pessoa muito prática. E quando me vi triste, chorando o dia inteiro, eu pensava: ‘O que é isso? Eu não sou assim’. E foi muita terapia”, disse, lembrando que o isolamento e as mudanças hormonais tornaram o processo ainda mais difícil.

Para entender melhor o quadro, a CARAS Brasil conversou com a psiquiatra Maria Fernanda Caliani, que esclareceu a diferença entre o chamado baby blues e a depressão pós-parto.

Qual a diferença do baby blues e a depressão pós-parto?

“O baby blues é uma condição relativamente comum que ocorre nos primeiros dias após o parto, caracterizada por sentimentos de tristeza, irritabilidade, choro fácil e ansiedade, geralmente devido às mudanças hormonais, privação de sono e aos ajustes emocionais da nova maternidade. Esses sintomas são temporários e tendem a desaparecer em até duas semanas”, explicou a médica.

Segundo Caliani, quando os sinais vão além desse período, é preciso ficar atenta: “A depressão pós-parto é um quadro mais grave e persistente. Seus sintomas incluem tristeza profunda, perda de interesse em atividades diárias, dificuldade em cuidar do bebê, sensação de inutilidade, pensamentos negativos e até pensamentos suicidas. Se esses sintomas duram mais de duas semanas e começam a interferir nas atividades diárias, é importante procurar ajuda médica. Quando a mãe sente dificuldade em conectar-se com o bebê ou há sintomas como apatia extrema e cansaço constante, é essencial buscar orientação de um profissional de saúde mental”, ressaltou.

Leia também: Sthefany Brito celebra aniversário do filho com festa improvisada após susto com a saúde

Quando é necessário tratamento psiquiátrico?

O acompanhamento psicológico é sempre recomendado, mas em alguns casos o suporte precisa ser ampliado. “O acompanhamento psicológico é uma parte crucial do tratamento da depressão pós-parto, mas em alguns casos, é necessário um suporte psiquiátrico, especialmente quando os sintomas são graves ou persistem por mais de duas semanas. A intervenção medicamentosa pode ser indicada quando a mãe apresenta sintomas incapacitantes, como pensamentos suicidas, incapacidade de cuidar do bebê ou de si mesma, e quando a terapia sozinha não é suficiente”, explicou a psiquiatra.

Ela acrescentou: “Os medicamentos, como antidepressivos, podem ser seguros para o tratamento da depressão pós-parto, mas é fundamental que sejam prescritos por um psiquiatra que entenda os riscos e benefícios. Muitas mães têm receio de usar medicação devido ao medo de efeitos colaterais ou de prejudicar a amamentação, mas com o acompanhamento adequado, é possível escolher tratamentos que sejam seguros para a mãe e para o bebê. A medicação, quando necessária, pode ser um passo importante para a recuperação da saúde mental da mãe”.

CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS:

Dra. Maria Fernanda Caliani é médica psiquiatra graduada e especializada em psiquiatria pela Faculdade de Medicina de Marília, em SP. Possui experiências médicas internacionais no currículo, incluindo estágio em psiquiatria hospitalar no Hospital Universitário Miguel Servet, de Zaragoza, na Espanha. Fez aprimoramento em Terapia Cognitivo Comportamental no Instituto de Psiquiatria da USP e atua como terapeuta na área. Foi a chefe da psiquiatria do PS Lapa/SPDM, foi chefe do departamento de psiquiatria do Hospital Geral de Pirajussara/SPDM. É membro efetiva da Associação Brasileira de Psiquiatria.