Aline Fanju encara desafios intensos em monólogo e revela bastidores surpreendentes: ‘Isso é prova’
Em entrevista à CARAS Brasil, a atriz Aline Fanju conta detalhes do seu primeiro monólogo e revela bastidores
No último dia 3 de setembro, Aline Fanju (46) subiu ao palco do Teatro Glaucio Gill, no Rio de Janeiro, para viver um dos momentos mais intensos de sua trajetória artística. Pela primeira vez em sua carreira, a atriz encara um monólogo, interpretando Annie Ernaux, escritora francesa vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2022. A montagem é baseada no livro Paixão Simples, publicado em 1991, e reúne dramaturgia e direção de Alessandra Colasanti e idealização de Pablo Sanábio.
A obra, que narra a entrega incondicional de uma mulher a um amor unilateral, ganhou nova projeção recentemente após viralizar no TikTok entre jovens leitores. Agora, ganha vida no palco pelas mãos de Aline, que mergulhou em um processo de dois anos para dar voz à intensidade da narrativa.
“Foi intenso. Um projeto muito importante pra mim e de grande responsabilidade que estou gestando faz 2 anos junto com Pablo Sanábio. Nossa intenção e compromisso sempre foi ser fiel às sensações que os leitores têm ao ler o livro, que é tão adorado”, explica.
Adaptar para o teatro um texto literário marcado pela subjetividade dos sentimentos foi outro desafio abraçado por Aline. Com delicadeza, ela revela como buscou traduzir no palco a visceralidade do amor descrito por Ernaux.
“Os desafios são sempre imensos quando você adapta um livro pro teatro. São linguagens muito distintas, parece simples, mas não é. Alessandra Colassanti fez uma adaptação muito bonita e inteligente. Durante o processo pensamos em algumas balizas que nos orientariam como essa contração e expansão, que são inerentes desse estado que é o apaixonamento, que está presente no espetáculo na minha interpretação e na encenação”, detalha.
Além de ser a primeira adaptação brasileira da obra de Ernaux, o projeto ganha força por contar com uma equipe majoritariamente feminina. Para Aline, essa escolha simboliza não apenas representatividade, mas também afeto e pertencimento.
“É emocionante. Mais ainda porque não fui convidada pra esse projeto; ele é meu, né?! Então, junto com Pablo — que é meu parceiro desde sempre —, que me propôs fazermos um solo meu, esse foi um ponto muito importante quando chegamos no livro Paixão Simples e decidimos que seria ele, que a equipe fosse majoritariamente feminina! Pra contar essa história era muito importante que fosse assim. Tenho muito orgulho. É a primeira adaptação de Annie Ernaux no Brasil e espero que seja a primeira de muitas. A obra dela é vasta e muito rica. Quero assistir”, afirma.
O sucesso recente do livro nas redes sociais também traz novas camadas de interesse para o espetáculo. Com entusiasmo, Aline celebra o encontro entre literatura clássica e novos públicos.
“Acho tão bonita essa viral de Annie no TikTok entre leitoras jovens! Annie é brilhante. A paixão é universal e isso é prova! Nada mal uma rede social estimulando a leitura! Espero que venham assistir! As convido a vir nos assistir! Vamos amar”, convida.
Conciliar teatro com televisão e streaming é outro desafio que Aline tem abraçado em sua agenda. Além do monólogo, a atriz está no set de gravação da segunda temporada da série Amor da Minha Vida e da quinta temporada de Arcanjo Renegado.
“Já passei poucas e boas de correr do Projac e chegar na hora de entrar em cena, de quase perder avião porque a gravação atrasou, mudou… um sufoco. Mas dessa vez, as gravações marcadas estão em dias que não comprometem os dias de espetáculo. Tudo bem acertado com antecedência com a produção da série, que é muito parceira. O maior desafio é virar a chave de uma personagem pra outra, pois são bem diferentes”, revela.