Leticia Spiller fala sobre sexualidade aos 50 e sexóloga garante: ‘Se manifesta naturalmente’

A atriz Leticia Spiller fala sobre sexualidade após os 50, e sexóloga explica como prazer, desejo e sensualidade evoluem com a maturidade

Leticia Spiller - Foto: Instagram

A atriz Leticia Spiller refletiu recentemente sobre o desejo e a sexualidade feminina após os 50 anos, trazendo à tona uma discussão muitas vezes ignorada. Segundo ela, o prazer não desaparece com o tempo; pelo contrário, ele se transforma e se aprofunda. Dessa forma, a maturidade passa a oferecer um novo olhar: mais consciente, verdadeiro e livre de julgamentos.

Com o objetivo de esclarecer dúvidas comuns sobre o tema, a CARAS Brasil conversou com a sexóloga e terapeuta sexual Bárbara Bastos, que destacou pontos importantes sobre prazer, autoconhecimento e sensualidade após os 50 anos.

Prazer mais intenso após os 50?

De acordo com a especialista, sim: “Certamente. A maturidade feminina, frequentemente, é acompanhada por uma maior liberdade sexual. Após vivenciar diversas experiências e construir sua história, a mulher tende a experimentar uma libertação em relação às inibições sexuais.”

“Diferente da juventude, quando a insegurança, o medo e a preocupação com a avaliação alheia podem ser mais presentes, a mulher madura, geralmente, se liberta dessas amarras. Aos cinquenta anos ou mais, é comum observar uma diminuição dessas inseguranças, permitindo-se vivenciar a sexualidade de forma mais plena”, explica a sexóloga.

E continua: “O prazer, nesse contexto, está intrinsecamente ligado à entrega, à permissão de desfrutar o momento. Ao se entregar e se permitir, o prazer se manifesta naturalmente.”

Existe um segredo para manter a chama acesa?

Para Bárbara Bastos, não há fórmula mágica, mas o autoconhecimento é um dos pontos mais importantes.

“Não existe uma fórmula mágica para isso. O autoconhecimento é fundamental, pois permite que a pessoa se descubra e conheça suas preferências. Isso traz mais segurança e confiança, especialmente em uma relação sexual“, diz a sexóloga.

Ela destaca ainda que esse processo ajuda a estabelecer limites importantes:“Quando alguém sabe o que gosta e o que não gosta, se torna mais capaz de estabelecer limites e não se deixa levar pelo desejo de agradar o outro, evitando ultrapassar seus próprios limites.”

Em seguida, a sexóloga reforça que os relacionamentos também exigem atenção contínua: “Além disso, manter a chama acesa no relacionamento está relacionado à rotina. O desejo e a paixão não são algo que se liga e desliga facilmente em qualquer fase da vida. Assim, precisamos analisar diversos fatores que podem estar impactando a relação.”

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De acordo com Bárbara, até o dia a dia influencia diretamente a vida sexual: “Por exemplo, o que acontece fora da cama pode refletir diretamente no que acontece dentro dela. Se a rotina do casal está desgastante ou se a mulher está vivendo uma dinâmica insatisfatória, isso pode afetar o desejo sexual. Portanto, é importante ajustar esses aspectos para alimentar essa vontade.”

Ela acrescenta que estímulos saudáveis também são fundamentais: “Outro ponto relevante é o contato com elementos eróticos saudáveis. Muitas vezes, uma mulher pode sentir que não tem vontade, mas quando analisamos sua rotina, percebemos que ela está exausta, sem momentos de descanso ou prazer, e sem estímulos eróticos. Alimentar o mundo erótico dela é crucial.”

Esse processo pode envolver até mesmo o entretenimento: “Isso pode incluir ler contos eróticos ou assistir a filmes e séries com uma pegada mais sensual, que sejam saudáveis para a mente. A imaginação, nesse caso, desempenha um papel importante na manutenção do desejo”, pontua a especialista.

Sensualidade não tem idade

Ainda que muitas pessoas associem sensualidade apenas à juventude, a sexóloga afirma que esse pensamento é equivocado.

“A sensualidade não está ligada à idade. Existem mulheres de 50, 60, 70 anos que são muito mais sensuais do que meninas de 20 anos. A sensualidade está, na verdade, relacionada à confiança e à segurança que a mulher tem em si mesma. Isso envolve como ela se conhece em diversos aspectos, não apenas no âmbito sexual, mas também em áreas como a vida profissional.”

Segundo Bárbara, essa autoconfiança é determinante: “Assim, a maneira como uma mulher se vê e se enxerga impacta diretamente sua segurança. Essa confiança se reflete em sua postura, na forma como fala e se comporta. Portanto, a autoconfiança é um fator crucial que define a sensualidade, independentemente da idade.”

O sexo pode ser melhor após a menopausa?

Apesar das mudanças físicas trazidas pela menopausa, como ressecamento vaginal e queda hormonal, a especialista garante que o sexo pode, sim, ser ainda mais prazeroso nessa fase.

“É comum ouvir sobre os desafios que surgem durante a menopausa, como o ressecamento vaginal e a queda hormonal. Embora esses fatores físicos sejam importantes e precisem ser discutidos com um médico, como um ginecologista, a questão do desejo e do prazer sexual vai além do aspecto fisiológico.”

Ela ressalta que a verdadeira transformação acontece na entrega ao momento: “O que realmente impacta a vida sexual é a disposição da mulher em se permitir viver novas experiências e estar presente no momento. Isso envolve conhecer melhor o próprio corpo e permitir que o parceiro a conheça também, de forma sexual.”

Por fim, a sexóloga lembra que prazer não se resume a orgasmos: “O sexo é prazeroso não apenas pelos orgasmos ou pela penetração, mas pela conexão e pela abertura para o momento. Às vezes, pode não haver penetração ou orgasmo, mas a experiência ainda pode ser extremamente prazerosa quando se está verdadeiramente conectado“, conclui.

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